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QUERO SER SELTON MELLO

Posted in SELTON MELLO on 2 de Dezembro de 2008 by os.maias
Trip #139EditorialTrip Girl: Danielli FreitasTrip Girl.com: Juliana NininPáginas Negras: Selton MelloPerfil: Lilian TaulibEspecial: Cada um, cada umReportagem: EcomotionHey! ArthurSe joga na mão de DeusCabra CegoTemplos ModernosGuimarães: Outras PalavrasDuran: PolaroidGoldman: Mundo LivreLuiz Mendes: Mundo LivreNader: Homem de Mídia
Que Malkovich que nada! Em sua casa, no Rio, testemunhamos o milagre da multiplicação dos Seltons: “Adoro trabalhar!

“Minha família era mais tradicional, mineiros, né?” Cenas de um menino prodígio: pose para seu 1º book; com a mãe e o irmão Danton no centro da capital paulista; com o finado Lauro Corona em Corpo a Corpo, sua primeira novela, aos 11 anos; show particular na sala de casa sob o olhar do pequeno Danton

Selton Mello vendeu a alma para o diabo. É fato. Para nós, espectadores de suas minisséries de Ibope obsceno, de seus filmes premiados e de suas peças intelectuais, essa é uma ótima notícia.

Nasceu da soma de Selva com Danton, seus pais mineiros que o batizaram Selton Figueiredo Melo. Só depois, com a alcunha artística, é que ele ganhou um L a mais e foi poupado de seu Figueiredo. Há quem acredite que a simples mexida num nome já é coisa do capeta. Que o diga Louis Cyfer, antológico papel de De Niro, um dos atores preferidos deste Mello de L dobrado.

Parido em Passos, Minas Gerais; criado em São Paulo, São Paulo; cidadão do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. É mineiro, paulista, carioca tudo junto. Criança ainda, o primogênito encasquetou que queria porque queria cantar na televisão. Conseguiu: “Fiz todo o circuito dos shows de calouro, do Raul Gil ao Bozo.” É irmão mais velho de Danton, ator como ele, mas que seguiu o “caminho do bem”. Esse casou, teve filhos, casa, família, esquemão. Selton não. É vaidoso e adora aparecer em público, especialmente em eventos turbinados pelo mulherio como nas duas ocasiões em que comandou a disputada entrega de prêmios do VMB-Brasil da MTV (2004 e 2005). “Nunca me senti usado”, diz ele que está solto como o tição.

Selton recebeu o repórter em seu casarão no Alto da Gávea, bairro agradável do Rio. A casa é rústica, escura, muita madeira, poucos móveis, caverna de solteiro. É uma segunda-feira e ele está de ressaca. “Forte.” Apesar disso, acende um cigarro atrás do outro. Álcool e fumaça, vai vendo…

Selton costuma dizer em entrevistas que quer ser “profeta de sua própria história”, frase bonita de autoria do ex-escritor Raduan Nassar, que ele, Selton, aprendeu quando filmava seu livro Lavoura Arcaica . Aprendeu e não mais esqueceu. Nem da frase nem da experiência da manufatura do filme. Selton gostaria de ser Raduan, ter sua genialidade, complexidade, “ser imortal”. Por essas, foi abandonando, lentamente, sua vida pessoal em troca da profissional. “Tudo consciente”, confessa o rabudo.

Nas paredes de sua casa, pôsteres bem enquadrados delatam as preferências do mineiro. Tarantino, Coppola, Sganzerla, Kubrick, Wenders, Rocha, Trier, entre tantos… Mello não é modesto, se espelha nos grandes. Seu currículo não é modesto. Novelas como Corpo a Corpo, Tropicaliente, A Indomada. Séries do naipe de A Comédia da Vida Privada, Caramuru, Os Maias, Os Aspones. As peças Esperando Godot, Zastrozzi e O Zelador. E filmes como o próprio Lavoura , O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro. Quando não está na labuta, porém, este capricorniano é preguiçoso como o cão. O próprio homem-bode, com patas e chifres que adoram uma cama macia.

Selton só quer saber de cinema. Montou uma pequena produtora em sua própria casa com ilha de montagem, monitores, som e o escambau. Dinheiro dos trabalhos mais bem pagos, como as campanhas de publicidade em que estrelou recentemente: Elma Chips, Credicard e Speedy. Um “jovem Midas”, dizem os invejosos da noite carioca. »»

Quase Cristo
Mello não é nada mellow. No momento em que o leitor conhece estas páginas, ele ainda estará em cartaz com o longa O Coronel e o Lobisomem; em turnê nos festivais de cinema com Árido Movie; em finalização estará o Desafinados, onde faz um cineasta no novo filme de Walter Lima Jr.; em montagem estará o Cheiro do Ralo, em que Selton co-produz e é protagonista num dos seus papéis favoritos; e em preparação terá ainda mais dois longas para 2006. E tem mais, o danado. Como diretor, estará produzindo e dirigindo a terceira temporada do seu Tarja Preta (Canal Brasil), vencedor por dois anos consecutivos como Melhor Programa da TV por Assinatura no Prêmio Qualidade Brasil; estará lançando o seu segundo clipe, um trabalho solo do amigo e ídolo Nasi (vocal do Ira!); seu primeiro curta, intitulado Quando o Tempo Cair , estará em fase de montagem; e ainda estará lapidando o roteiro de Feliz Natal, seu primeiro longa-metragem em que assina o texto, a produção, a direção e, claro, o papel principal. E pensar que ainda lhe restam algumas semanas antes que o pé-de-gancho arremate a idade de Cristo.

É fato. Profissionalmente, Selton é um belzebu. Só alguém que menospreza a imprensa de celebridades, que rejeita um contrato fixo com a poderosa Rede Globo, que mora sozinho há uma década e não se sente só e que aceita trabalhar de graça em projetos apaixonantes, poderia fazer tanto, tão bem em tão pouco tempo. Nesses vinte e pouco anos de carreira, o finado Figueiredo que estampa estas páginas conheceu os labirintos mais sombrios da mente, caçoou das divinas comédias, abusou das emoções, enganou honestos, convenceu virgens, roubou, mentiu, matou, chorou, vestiu mais de mil faces e, sobretudo, brincou.

É fato. Selton Mello vendeu a alma para o diabo. O diabo das telas, dos palcos, das lentes. O diabo das artes. Graças a Deus!

Acima à esq., ainda adolescente em foto feita por um amigo; on stage no Hipódromo, época de sua banda Vendeta; e com os pais no último Réveillon no Rio

Você começou a trabalhar já na infância, não? Eu tocava violão e queria cantar na TV. Aí pedi pra minha mãe me levar no calouro infantil. Fiz todo o circuito. Cantei no Dárcio Campos, no Raul Gil, no Bozo, no Barros de Alencar… Isso aos 7, 8 anos

Como foi dali para a TV? Nesses lugares vai olheiro, gente de agência. Não demorou e rolou comercial, logo depois, novela.

Mas era isso o que você queria? É. Eu que queria.

E teus pais, o que achavam desse pequeno querendo ser famoso? Eles viam que eu tinha jeito, me davam apoio. Eles tiveram sempre uma relação muito boa com isso. Por ter começado muito cedo, conhecer os muitos altos e baixos da profissão, vi bastante garoto dançar por causa de pais chatos, mãe de miss que enchia o saco de diretor. Os meus ficavam na deles, nunca me cobraram, até se mudaram para o Rio por minha causa.

Por tua causa? É… Meu pai era bancário e minha mãe, dona de casa. Aos 11 anos pintou um lance de vir pra Globo fazer Corpo a Corpo. A família toda veio pro Rio. Avaliando hoje, acho muito corajoso da parte deles e não sei o que teria acontecido com a minha carreira não fosse por isso. Mudaram toda uma vida, uma estrutura, por causa de um garoto de 11 anos…

E aí você encalhou… É, depois dessa novela fiz mais uma coisa em TV e nunca mais fui chamado.

E seus pais? Cara, eles poderiam entrar nessa tipo: “E aí, viemos pro Rio, né? Pô, então procura fulano? Bate na porta do sicrano”. Nunca. Não é a nossa vibe. Mineiro, sabe? Se rolar, rolou. »»

No palco com Angelo Paes Leme em Zastrozzi , de George Walker; ruivo-brega na Comédia da Vida Privada ;e com o antes ídolo e agora parceiro Nasi

Seus pais são casados ainda? São. Há 40 anos.

E seu irmão? Meu irmão separou recentemente. Foi casado dos 18 aos 30, tem dois filhos. Pensar em casar e filhos é complicado. Às vezes tenho a sensação de que meu irmão fez isso por mim, deu netos aos meus pais e me liberou, saca? [Ri.]

Vai ficar mesmo pra tio? Tenho uns pensamentos meio modernos. Essa coisa do casamento, família Doriana, mulher, filhos, cachorro, quintal, não sei… Mas tenho vontade de ter filhos.

Você já viveu um relacionamento verdadeiro? Já tive isso com a Danielle [Winits, a atriz global] , bem forte, um relacionamento muito legal. Foram três anos.

Você é muito assediado por mulher? Hum [risos] … Não tenho do que reclamar.

Você está com alguém no momento? Eu vivo muito bem sozinho e estou sem namorar já há… puta, uns cinco anos, cara.

“TENHO UNS PENSAMENTOS MEIO MODERNOS. ESSA COISA DO CASAMENTO, FAMÍLIA DORIANA, MULHER, FILHOS, CACHORRO, QUINTAL, NÃO SEI…”

A Danielle foi tua última namorada? Não, depois dela teve outras. Uma eu namorei um ano, outra um ano e meio. Casos, rolos, possíveis namoradas, quase casamentos, isso rola, né?

Há quanto tempo você mora sozinho? Há uns dez anos. Tem gente que não suporta a solidão, precisa ter alguém na cola sempre. Não sou assim.

No que você trabalhou durante o período longe da TV? Durante toda a adolescência fui dublador. Entrava de manhã e saía à noite do estúdio.

Quando foi isso? Chegamos ao Rio em 84 e até 86 ainda fiz alguma coisa de TV. De 86 a 92 não fiz nada de televisão, só dublagem na Herbert Ritchers. Achei que a TV tinha sido coisa de criança e que eu seria dublador pra sempre.

E isso na adolescência masculina, época difícil do homem… Como foi essa parada na sua cabeça? Era bem ruim. É meio pirante para uma criança começar bem e depois cair fora. Me sinto meio sobrevivente de verdade, ter conseguido voltar e reconquistar o meu espaço.

Você engordou nessa época… Engordei pra caramba, ficava nessa angústia. Via numa telenovela personagens de 17 anos feitos por atores mais velhos e não entendia, falava: “Porra, tenho 17 anos, porque esse cara de 27 tá fazendo esse papel?”.

Um adolescente com essa frustração no trabalho, gordo e vivendo no Rio, a terra do corpo sarado, sofre bastante, não? Por isso tive uma adolescência reclusa, fazendo um trabalho em que só importava a voz. Sofri, mas ao mesmo tempo eu trabalhava, ganhava uma grana, aprendi a reconhecer o valor do dinheiro que você conquista. Consegui comprar o primeiro carro, ajudar em casa, pagar o colégio, porque meu pai era bancário e ralava pra caralho ganhando 500 contos por mês. E nesse período da dublagem, hoje vejo, foi um período em que eu vi muito filme, recebi muita informação. Eu dublava o Anjos da Lei , série com aqueles atores bacanas, tipo Johnny Depp… Eu fazia um dos amigos policiais que era japonês, lembra?

Você também dublou o Charlie Brown, do Snoopy. O cara era meio depressivo, não? O cara é totalmente depressivo, sensacional. Dublei ele dois anos.

Brown se dava mal com as meninas. E você, como era nisso? [Risos] Péssimo. Subnutrição total, não agarrava ninguém.

E quando foi que você começou a virar o jogo? Bem depois. Eu perdi a virgindade tarde, aos 19, com uma namorada. Tarde, né?

Hoje seria inconcebível. [Risos] E foi uma bosta. »»

“Pode ser que uma hora eu sinta falta [de se entregar na vida pessoal] , mas hoje não sinto. Através da arte eu me realizo.” Acima, três momentos de realização: em ação no longa Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, com previsão de estréia em 2006 (“Adoro esse personagem, é escroto pra caralho”); dirigindo Jorge “Zé Bonitinho” Loredo em seu primeiro curta, Quando o Tempo Cair; e assinando produção, direção e câmera de seu programa de TV Tarja Preta

Você é um cara completamente apaixonado pelo que faz, se entrega como ator e agora quer se entregar como diretor. É também um cara de 32 anos que nunca morou com uma mulher e nunca teve filhos. Não acha que essa energia do trabalho tira energia da sua vida pessoal? Sempre tirou.

E é consciente? É consciente. Pode ser que uma hora eu sinta falta, mas hoje não sinto, é assim que eu me realizo, que fico feliz, vibro, é assim que viajo. Através da arte eu me realizo.

Mas a sua matéria-prima não vem das emoções vividas na vida pessoal? Mas sou um observador, sempre ligado em tudo e em todos. Tem uma entrevista com o Raduan [autor do livro Lavoura Arcaica ] em que ele começou a falar uma coisa, parou e disse o seguinte: “Eu boto um olho nos livros e um olhão na vida”. Eu não preciso casar para ter essa experiência, eu tô ligadaço no humano, tudo está sendo visto e armazenado e o que vale como ator é o que vale pra diretor também. Eu tô na vida.

O que é felicidade pra você? É isso que eu acabei de te dizer, estar fazendo um trabalho que me complete. Quando eu não estou eu fico perdidaço.

Pra fechar, um breve questionário que chupei por aí… Que trabalho você se arrepende de ter feito? [Selton sempre fecha suas entrevistas no Tarja Preta com este questionário] [Risos] Eu faço essa pergunta e é cruel pra caralho… Muita gente sai da mesma maneira que eu vou sair agora: não dá pra se arrepender de trabalho nenhum porque mesmo nos erros, e às vezes sobretudo nos erros, você aprende. Então não me arrependo.

Imagem de um filme que vem a sua mente agora? Bandido da Luz Vermelha, qualquer cena.

Dorme bem à noite? Durmo mal à noite

Já usou tarja preta? Uso com freqüência.

Para quem prescreveria? Prescreveria não para uma pessoa mais pra todos os governantes do Rio de Janeiro dos últimos anos. Governador, prefeito, tarja preta em toda essa turma.

Resolvi somar algumas outras perguntas ao seu questionário… O que você sonhou esta noite? [Risos] Caralho… Sonhei com os meus cachorros.

Se você fosse passar um ano isolado numa ilha e pudesse levar um livro, um CD, um filme e uma pessoa, o que seria? Que viagem… Cem Anos de Solidão seria o livro; o CD seria Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!; o filme, eu levaria o Bandido da Luz Vermelha. A pessoa que é o mais cruel… Levaria o meu irmão.

Se alguém lhe desse uma bela grana para fazer um trabalho sem censura o que faria? Puta!? Bom, seria um filme. Acho que eu ia dirigir um dream team fodão, botava Paulo José com Al Pacino, José Dumond com Benicio Del Toro, Leo Medeiros com Edward Norton. Juntava todos eles numa sala e a gente ficava meses improvisando, e o filme nascia dessa descoberta coletiva [risos].

Por último, tem um grande sonho na vida? O grande sonho é poder continuar, o que não é fácil, a fazer o que eu já venho fazendo – não é pouco. Continuar sendo profeta de minha própria história.

Leia mais sobre Selton na Trip # 139. O ator fala sobre suas manias, pais, seu lado urbano, PT, o trabalho como diretor, a experiência de Lavoura Arcaica , revela que se considera um grande ator.

MAKE/HAIR Ricardo Tavares

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Então é Natal

Posted in SELTON MELLO on 2 de Dezembro de 2008 by os.maias

Ao apresentar seu primeiro longa-metragem, Feliz Natal, Selton Mello diz: “Não fiz um filme para ser aprovado ou reprovado, mas quero que ele se instale em corações e mentes dentro e fora do Brasil” Depois de 20 anos na frente das câmeras, o ator Selton Mello estréia na direção de seu primeiro longa-metragem, Feliz Natal. O filme acompanha a saga de Caio (Leonardo Medeiros), que decide voltar ao Rio de Janeiro para passar o Natal com a família, que não vê há anos. Darlene Glória vive Mércia, a matriarca, imersa em uma depressão e movida a altas doses de álcool e remédios. Ela se separou de Miguel (Lúcio Mauro), que gosta de transar com garotas bem mais novas. E Miguel, por sua vez, detesta Caio e não perdoa o erro que ele cometeu no passado. Um filme forte, que trata de uma família desestruturada e perdida e que tem recebido elogios e prêmios desde a estréia, há uma semana. Selton Mello conversou com o site da Tpm sobre a carreira, vontades e expectativas.

Por Fernanda Paola

Você estreou na TV aos 11 anos, na novela Corpo a Corpo, da Globo. Depois disso, aos poucos, foi se tornando um dos mais importantes atores brasileiros. Agora, arriscou na direção e já recebeu elogios. Você tem alguma dificuldade em realizar suas obras?
A dificuldade é manter o brilho nos olhos. Quando você acha que já sabe fazer aquilo é exatamente a hora de reestruturar todos os seus pensamentos e começar tudo de novo. É um eterno recomeço, daí a grandeza da arte. A busca da reinvenção o tempo inteiro. Tento manter o olhar do menino que começou tão cedo a brincar de viver personagens, esse é meu desafio constante.

Cansou de ser ator? Seu negócio agora é dirigir?
Tenho me sentido cansado de tudo e entro agora em um período em que o bem-estar pessoal é mais importante do que fazer filmes etc. Sempre priorizei minha profissão em detrimento da vida pessoal, chegou a hora de inverter radicalmente esse quadro. Estou mais interessado em cuidar das coisas simples da vida e continuar trabalhando de maneira menos insana. Se alguém descobriu esse equilíbrio envie cartaz para a redação, pois estou atrás disso também [risos].

Como foi a escolha do elenco do seu filme? Tarefa difícil ou já tinha alguns nomes na cabeça?
Alguns nomes já estavam na cabeça, como o Leonardo Medeiros, um ator que tenho absoluta confiança e que trabalhou comigo em Lavoura Arcaica. Outros nomes simplesmente aconteceram, como a Darlene Glória e o Paulo Guarnieri. Convidei a Darlene depois de entrevistá-la no Tarja Preta [programa de entrevistas veiculado pelo Canal Brasil]. Fiquei fascinado com a história de vida dela e, mesmo sem papel, queria tê-la no Feliz Natal. Ela topou e, só depois, criei a Mércia, a mãe no filme. O Paulo me ganhou quando eu estava lendo uma revista. Era um momento difícil, seu pai havia acabado de falecer. Vi o olhar do Paulo, lembrei dele quando fazia milhões de novelas e liguei. Já o menino Fabrício Reis foi um daqueles achados inacreditáveis. Mérito do Oberdan Junior, que encontrou esse fenômeno e, depois de alguns testes, foi acolhido no filme. Eu gosto tanto da idéia de resgatar gente do passado, talentosa e muitas vezes deixada à margem, quanto lançar rostos novos. É interessante para a arte ter esse equilíbrio.

Você já tinha se aventurado na direção do curta Quando o tempo cair, além de apresentar o programa Tarja Preta. Com um longa é diferente? Em que sentido?
É muito mais trabalho. Como é tudo muito maior, multiplicam-se as responsabilidades. Fazer um longa-metragem é uma trabalheira e tanto. É um processo caro, muitas vezes longo, que envolve muita gente… E, depois de pronto, ainda tem todo um trabalho para o lançamento, a distribuição. Mas o prazer de apresentar algo tão pessoal é o combustível para ir até o fim.

Diga um momento memorável do período de produção do filme e um nem tão bom assim.
Minha equipe e eu vivemos momentos muito saborosos ao longo de todo o processo. Trabalhamos com delicadeza e muita alegria. E assim nos sentimos seguros para alçar um vôo arriscado, para representar uma família desestruturada. Apenas com o respeito que tínhamos um pelo outro foi possível travessia tão densa, nos proporcionando a sensação de ter vivido algo único.

Tem expectativas sobre a opinião do público em relação a Feliz Natal? Isso é importante para continuar?
Quero que o filme atinja o maior número de pessoas que puder. Esse é meu objetivo: que o filme seja visto. Não fiz um filme para ser aprovado ou reprovado. Isso é pessoal, a arte é muito subjetiva. Fiz para que as pessoas pudessem assistir e se identificar. O termômetro não é gostar ou desgostar, e sim fazer com que Feliz Natal se instale em corações e mentes dentro e fora do Brasil.

O que pode falar de Darlene Glória como Mércia?
Darlene é um vulcão. Não há melhor palavra para defini-la. E diante de uma câmera ou não. Depois que a conheci, não tinha nenhuma hipótese de não tê-la no meu filme. Só se ela não quisesse, mas ela topou mesmo sem eu ter um papel. Criei a mãe da história só depois do sim da Darlene. E hoje nem eu nem ninguém da equipe consegue imaginar Feliz Natal sem uma mãe. Ela paira sobre todos os personagens, está em cena mesmo quando não aparece. É a mãe de todos os males, como eu costumo dizer. Aquela família torta, desestruturada, não poderia ter uma matriarca que não fosse aquele delírio. Darlene em cena é puro delírio.

Já tem planos para o futuro? Quais são?
Não estou pensando em futuro a longo prazo… Mas posso dizer que tenho dois planos – dirigir outro filme e descansar. Não necessariamente nessa ordem [risos].

Há dois anos você deu uma entrevista para a Trip na qual dizia que toda sua energia estava voltada para o trabalho. Continua assim, um workaholic assumido?
Que prazer checar que eu disse isso há dois anos e verificar que agora penso o contrário. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante [risos]. Hoje estou voltado para mim mesmo. Quero continuar trabalhando sim, mas minha prioridade agora sou eu. Meu corpo pediu isso. Meu espírito pediu isso. Estou muito preocupado com o meu bem-estar. Quero curtir o ócio, ler, ver filmes, namorar, encontrar meus amigos, ficar com minha família, brincar com minhas sobrinhas, fazer exercícios, ficar em contato com a natureza… Estou em um momento de mergulho interno, de autoconhecimento, como talvez nunca estive. E percebi que é vital ter um tempo só nosso, para as nossas coisas. Mudei de workaholic para lifeaholic, se é que essa palavra existe [risos]. E será um prazer dar uma entrevista para a Trip daqui a algum tempo e dizer algo completamente diferente do que eu disse agora… E assim caminha a humanidade…

Trailer de "Feliz Natal"

Posted in SELTON MELLO, TRAILER on 19 de Outubro de 2008 by os.maias


Divulgação | 15.10.2008

Assista ao trailer do filme “Feliz Natal” que estará presente na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Selton Mello responde ao manifesto de Pedro Cardoso

Posted in SELTON MELLO on 18 de Outubro de 2008 by os.maias

“Se uma cena de nudez estiver inserida no contexto, me parece bastante natural”, afirmou

Quem Online

Fotomontagem

O ator e diretor Selton Mello se manifestou oficialmente na sexta-feira (17) sobre o protesto do também ator Pedro Cardoso contra a pornografia no cinema e na televisão feito no dia 8 de outubro, antes da sessão do longa “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”.

A polêmica começou quando Pedro afirmou em seu manifesto que “qualquer cineasta de primeiro filme se acha no direito de determinar que uma atriz deve ficar pelada em tal cena, ou sumariamente vestida, ou levando um malho, ou beijando calorosamente dez minutos um ator que ela acabou de conhecer”.

A crítica do ator continuava afirmando que os resultados de algumas gravações não eram utilizados apenas profissionalmente.

“É freqüente que esses cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos, em sessões privê, as cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz. (E quanto mais séria e profissional for a colega, maior terá sido o feito de tal cineasta de m***)”.

A reclamação de Pedro teria sido motivada por rumores de que Selton Mello, que estréia na direção com o longa “Feliz Natal” convidava a equipe para ver em sua casa as cenas do filme. A atriz Graziella Moretto, apontada como namorada de Pedro, está no elenco do longa, onde protagoniza cenas sensuais.

Em texto publicado no blog do longa, Selton deu a sua versão dos fatos.

”O filme ‘Feliz Natal’, dirigido por mim, foi concebido e realizado em um ambiente de harmonia, com todos os envolvidos – elenco e técnica – trabalhando com respeito mútuo e delicadeza. Delicadeza é o sentimento que reinou antes, durante e mesmo depois das filmagens, com manifestações carinhosas trocadas entre toda a equipe e elenco, felizes por termos exercido nosso ofício de forma tão inspirada e apaixonada. Portanto, estou seguro e muito contente por ter realizado um filme simples e delicado, conduzido com o respeito habitual que sempre tive com qualquer pessoa que tenha cruzado meu caminho, e assim foi durante toda minha vida como homem e artista. E escrevo isto em nome de toda uma equipe que sempre falou a mesma língua e pode atestar minhas afirmações”, afirmou.

”Quanto a emitir uma opinião sobre o manifesto, penso que se uma cena de nudez estiver inserida em um contexto legítimo, como expressão genuinamente artística, sem traço algum de banalização, me parece algo bastante natural e belo. Há centenas de exemplos disto na história do cinema e da arte”, finalizou.

Assista ao trailer de ‘Feliz Natal’

Posted in SELTON MELLO, TRAILER on 2 de Outubro de 2008 by os.maias

Drama de Selton Mello, com Leonardo Medeiros, Graziella Moretto e Lúcio Mauro. Caio tem 40 anos e um ferro-velho no interior. às vésperas do Natal, ele volta à capital para rever parentes e amigos

Santoro e Serrado dão força a Selton Mello estréia na direção

Posted in RODRIGO SANTORO, SELTON MELLO on 2 de Outubro de 2008 by os.maias

‘Alguém tem um calmante?’, pede Selton Mello, na sua estréia como diretor

Exibição de ‘Feliz Natal’ reúne platéia de famosos no Rio

Patrícia Rocha Do EGO, no Rio

Malu Mader, Alessandra Negrini, Rodrigo Santoro e Matheus Nachtergaele foram alguns dos famosos que foram ao Cine Palácio, no Centro do Rio, para prestigiar a estréia de Selton Mello como diretor, no Festival do Rio 2008. O ator apresentou seu filme “Feliz Natal” a uma platéia de celebridades sem disfarçar a tensão: “Alguém tem um calmante?”, brincou Selton.

Juliana Rezende/Globo.com

Rodrigo Santoro e Marcelo Serrado brincam com Selton Mello antes do início da sessão

Juliana Rezende/Globo.com

O diretor Júlio Bressane recebe o carinho de Malu Mader e Alessandra Negrini

Do outro lado das câmeras

Posted in MALU, Matheus Nachtergaele, SELTON MELLO on 1 de Outubro de 2008 by os.maias

Atores consagrados, Malu Mader e Matheus
Nachtergaele investem agora numa nova
carreira: a de diretores de cinema

Sofia Cerqueira

Fernando Lemos
Matheus e Malu: le edirigiu um drma; ela, um documentário.
Os dois estréiam no Festival do Rio

Atenção, rodando: a câmera acompanha os fiéis em uma estranha festa religiosa numa longínqua cidade no alto do Rio Negro, no Amazonas. Corta. O set agora é uma favela do Rio, onde jovens munidos de violinos, contrabaixos e violoncelos tentam driblar o destino e buscar novos horizontes. Nos dois filmes, dois experientes atores, ela estrela de TV e ele um dos mais cultuados profissionais de sua geração, dominam as cenas. Desta vez, do outro lado das câmeras. Malu Mader, 42 anos, 26 de carreira, e Matheus Nachtergaele, 39 anos, dezenove atuando, estão estreando em um novo papel: o de diretor de cinema. A expectativa é grande. Seus respectivos longas-metragens serão vistos pela primeira vez na cidade durante o Festival do Rio, que vai até 8 de outubro. A fita dirigida por Matheus, A Festa da Menina Morta, que se passa em uma localidade ribeirinha a 400 quilômetros de Manaus, foi exibida no Festival de Cannes e em agosto abocanhou seis Kikitos no Festival de Gramado, entre eles o de melhor filme e o de melhor ator, para o protagonista Daniel de Oliveira. O documentário Contratempo, de Malu em parceria com a diretora Mini Kerti, sobre integrantes do projeto social Villa-Lobinhos, ainda é inédito. “Durante as filmagens, eu ficava numa plenitude que desde que comecei a estudar teatro no Tablado não experimentava”, exalta a atriz. “A gente deixa de ser um instrumento como ator e passa a ser o coração e a cabeça do filme”, descreve Matheus.

De intérpretes consagrados a cineastas principiantes. A mudança de rumo não aconteceu de uma hora para outra. “Tinha vontade de dirigir há muito tempo, mas de uns dez anos para cá isso se tornou claro”, diz Malu. “Sempre fui um ator que gosta de colaborar com o diretor”, explica Matheus. “À frente de um filme você tem a chance de expor sua visão de mundo e também corre outros riscos.” A idéia de Malu, que já atuou em doze filmes e está em cartaz em Casa da Mãe Joana, era fazer ficção. “É a minha paixão, o terreno da liberdade total.” Acabou seduzida, em 2001, por um projeto que ensina música erudita a jovens carentes. A princípio era só madrinha do Villa-Lobinhos. “Eu me envolvi de tal forma que queria saber mais sobre os meninos, conviver com eles.” Durante três meses em 2006, quando o documentário foi gravado, saía às 6 da manhã de casa, em Ipanema, e só voltava à noite. Rodou o Rio a bordo de uma van e se embrenhou em favelas como Dona Marta, em Botafogo, Grota do Surucucu, em Niterói, e Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, para registrar aquela realidade. “Chegava em casa numa excitação tamanha que parecia criança. Queria contar tudo para o Tony. Tinha a sensação de ter vivido várias vidas num dia”, lembra Malu, que em 2009 completa vinte anos de união com o músico Tony Bellotto, dos Titãs, algo raro no meio artístico.

Divulgação

A FESTA DA MENINA MORTA, de Matheus Nachtergaele
Rodada no Amazonas, a produção de 1,7 milhão de reais conta a história de Santinho (Daniel de Oliveira), venerado após achar os trapos de uma menina desaparecida

Extenuante, absorvente, sofrido, mas “delicioso”, como define Matheus. A primeira incursão na direção encantou o ator, que atuou em 24 filmes. Entre eles, os premiados Central do Brasil e Cidade de Deus e os cults Amarelo Manga e Baixio das Bestas. Durante as filmagens de O Auto da Compadecida, na pele de João Grilo, em 1999, topou com a idéia de seu longa. Enquanto gravava em Cabaceiras, no sertão paraibano, foi a uma festa religiosa, animada por um forró, onde se venerava o vestido de uma menina morta. “Aquilo me perturbou”, recorda. “É comovente e patético como a religiosidade serve de bálsamo para as dores.” Em 2001, participando da produção austríaca Eclipse, na Amazônia, encontrou a locação: Barcelos, o segundo maior município do país (122 476 quilômetros quadrados), com apenas 24 000 habitantes. Aquele pedaço de terra isolado era entranhado de crenças, com manifestações de catolicismo, candomblé e pajelanças indígenas. A fita, que aborda o sincretismo religioso, foi rodada em seis semanas, em 2007. Deu trabalho. Só se chega ali de balsa ou num bimotor. “Com medo, parte da equipe preferiu ir pelo rio”, conta.

A direção entrou na vida dos dois em momentos distintos. Matheus, que nasceu em São Paulo e vive no Rio, filho de um engenheiro belga e uma poetisa paulista, vem emendando um filme no outro. Em 1997, entrou na TV. Fez oito minisséries e duas novelas. Acabou de gravar a série Ó Paí, Ó e está escalado para outra, dirigida por Guel Arraes. “Nossa, tenho feito tanta coisa”, surpreende-se. A carioca Malu foi descoberta no curso de teatro Tablado, surgiu aos 16 anos na novela Eu Prometo, conheceu o estrelato em Anos Dourados e protagonizou tramas como O Dono do Mundo. Mas, nos últimos anos, vivia um momento de questionamento profissional. “Estava com medo de não ter mais vontade. Não só de fazer novela, mas de ser atriz”, revela. “Tive problemas de saúde sérios”, acrescenta, referindo-se à convulsão sofrida em Florianópolis, em 2005, seguida de uma cirurgia para retirar um cisto na cabeça. “Passei por um período triste, reclusa, só querendo ficar em casa.” A inércia foi quebrada pela vontade de dirigir. Em 2007, voltou à TV na novela Eterna Magia, como a pianista Eva. “Tenho uma frustração enorme em não saber tocar instrumentos”, diz. “A possibilidade de fazer uma artista virtuosa acendeu a chama de novo.”

Júlio Callado/Divulgação
CONTRATEMPO, de Malu Mader e Mini Kerti
O documentário, que custou 370 000 reais, mostra jovens de favelas do Rio que encontraram num projeto social ligado
à música a chance de mudar seu destino

Malu se realizou ao levar para as telas jovens favelados do Rio. Matheus viajou quilômetros para registrar sua história. Em comum, têm a preocupação social. Entre acordes de violinos e clarinetes, a fita de Malu mostra um rapaz que perdeu a mãe, vítima de overdose, um ex-morador de rua, outro que foi estudar fora e o que acabou assassinado. Ela dividiu a direção com Mini Kerti, sócia da Conspiração Filmes, com experiência em fitas de publicidade, videoclipes e documentários. “Eu tinha um conhecimento mais técnico e ela uma preocupação maior com o personagem, talvez por ser atriz”, analisa Mini. O longa, produzido pela Riofilme, com custo de 370.000 reais, chega aos cinemas até o início de 2009. No Festival do Rio compete na mostra de documentários. “Está tudo em família”, brinca Malu, que teve a enteada Nina como assistente de direção. Participam ainda do festival o documentário Titãs – A Vida Até Parece uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, e o curta Se Não Fosse Onofre, dirigido pela sobrinha Erika Mader. Nele, Malu atua junto com o filho caçula, Antonio, de 11 anos. Ela também é mãe de João, de 13.

Orçado em 1,7 milhão de reais, o documentário de Matheus foi produzido pela Bananeira Filmes – a mesma da fita de estréia de Selton Mello como diretor (veja o quadro). Só deve entrar em circuito no fim do ano. Sua exibição está confirmada no Chicago International Film Festival e na Mostra de Vancouver, no Canadá. A estréia foi em Cannes. Comentou-se que alguns espectadores saíram da sala após uma cena de incesto. “Isso não aconteceu”, desmente, mas reconhece que causa impacto. “Talvez mais incômodo do que a cena seja o fato de eles não serem condenados. É um filme forte, que deixa resíduos.” A ousadia na tela contrasta com a timidez do pequeno Matheus, 1,63 metro. “O assédio do público me aflige”, confessa. “Há anos não piso num shopping.” Malu, sempre exuberante em seu 1,70 metro, se diz mais aberta. “Por mais paradoxal que pareça, por conta da minha imagem de aversão à abordagem de paparazzi, gosto do contato com o público.”

Malu é família. Matheus, boêmio, embora esteja numa fase calma e adorando ir à cidade mineira de Tiradentes, onde tem casa. A atriz, que aos 18 anos começou a fazer letras na PUC e planejava cursar sociologia, diz ter reencontrado a vocação social no documentário. Matheus estudou artes plásticas na Faap, em São Paulo, e sonhava ser biólogo. Não por acaso, insetos, tartarugas e girinos povoam seu filme. Se depender dos dois, a experiência atrás das câmeras só começou. Ela dirigiu um curta com Thiago Lacerda, exibido no canal a cabo GNT, inscreveu outro numa seleção da Riofilme e planeja fazer um longa de ficção. Não revela o tema. Matheus pensa adaptar para o cinema a peça Woyzeck, do alemão Georg Büchner, e fazer um filme abordando a insanidade mental. E a carreira de ator? “Acho que isso vai começar a se alternar”, acredita Matheus. “Sou atriz, mas tudo o que penso é no formato de cinema”, emenda Malu. A câmera gira.

O cinema de Malu…

Fernando Lemos
Parcerias: Mini Kerti (à esq.) dividiu a direção com Malu; Daniel de Oliveira estrela
o filme de Matheus

Diretor brasileiro: Fernando Meirelles

Diretor estrangeiro: Martin Scorsese. Sinto como se ele fosse da minha família

Filme brasileiro: Cidade de Deus, de Fernando Meirelles

Filme estrangeiro: O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

O primeiro filme que tem lembrança de ter visto: Algum de Fred Astaire. Lembro de ter saído dançando quando acabou

O filme que despertou a vontade de dirigir: Bons Companheiros, de Scorsese, e E Sua Mãe Também, de Alfonso Cuarón

…e o cinema de Matheus

Diretor brasileiro: Cláudio Assis

Diretor estrangeiro: Ingmar Bergman

Filme brasileiro: Iracema, uma Transa Amazônica, de Jorge Bodansky e Orlando Senna

Filme estrangeiro: A Balada de Narayama, de Shohei Imamura

O primeiro filme que tem lembrança de ter visto: acho que foi A Paixão de Cristo, que vi na TV num dia de Natal

O filme que despertou a vontade de dirigir: La Luna, de Bernardo Bertolucci, e The Touch, de Bergman

Prêmio logo na estréia

Letícia Pimenta

Paula Huven/Divulgação
Darlene Glória em Feliz Natal: “A alma do filme”

Um dos mais bem-sucedidos atores de sua geração, Selton Mello, 35 anos, poderia se contentar em comemorar os 2 milhões de espectadores que o viram em Meu Nome Não É Johnny, a maior bilheteria do cinema brasileiro em 2008, e esperar pelos próximos roteiros. Mas o desejo de contar uma história também o levou ao outro lado da câmera. Seu filme de estréia, Feliz Natal, nem entrou no circuito e já ganhou o prêmio de melhor direção do 1º Festival Paulínia de Cinema, em São Paulo. “Foi um privilégio. O júri era qualificado, com gente que respeito muito (entre os jurados estavam a cineasta Tata Amaral e o crítico Leon Cakoff)”, diz o ator, recém-chegado de Londres, onde passou um mês filmando a história do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia londrina em 2005.

Aline Arruda/Divulgação
Selton: primeiro troféu como diretor


O ponto de partida de Feliz Natal foi o aniversário do pai de Selton, em 25 de dezembro, e o dele próprio, cinco dias depois. Seus Natais sempre foram muito festejados. Mas, ao notar que para muitos a data é sinônimo de melancolia, ele encontrou o mote para sua história. O filme narra a volta de Caio (Leonardo Medeiros) à cidade onde vive sua problemática família, no dia de Natal, para um acerto de contas com o passado. Estão no elenco Paulo Guarnieri, há tempos sem atuar, o humorista Lúcio Mauro, em um raro papel dramático, e Darlene Glória, como uma viciada em remédios. Depois de conhecer a atriz durante uma entrevista para o finado programa Tarja Preta, no Canal Brasil, Selton criou para ela um papel que não existia no roteiro original. “Ela é a alma do filme. Este é o ano de Darlene Glória”, diz o ator. Ou melhor: diretor.