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A vida atrás das grades

Posted in ISABELLA on 22 de Novembro de 2008 by os.maias



O dia-a-dia do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá,
há 200 dias na prisão, acusado da morte da menina Isabella


Laura Diniz

Fotos Werther Santana/AE e Manoel Marques

“JUMBINHO” E “JUMBÃO”
Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina (à esq.), visita a filha semanalmente, mas, em dificuldades financeiras, leva para ela poucas provisões (ou “jumbos”, como os presos chamam os presentes trazidos pelas visitas). Já o pai de Nardoni (à dir.) alimenta a cela inteira

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá completam neste sábado, dia 22, 200 dias de prisão preventiva. No curso de quase sete meses, o casal acusado do assassinato da menina Isabella, filha de Nardoni e enteada de Anna Carolina, amargou uma sucessão de derrotas processuais (teve negados nove pedidos de soltura, dos quais o último na semana passada, pelo Supremo Tribunal Federal), viu os filhos no máximo três vezes e experimentou a sensação de ser hostilizado pelos piores entre os piores – já que a brutalidade do crime os coloca na mais infame das categorias da cadeia, aquela que é desprezada até mesmo pelos párias. Para saber como vivem hoje o pai e a madrasta de Isabella, VEJA ouviu ao longo de um mês 28 pessoas, entre pais, amigos e advogados dos acusados, além de parentes de detentos e funcionários das prisões onde eles se encontram.

Nardoni e Anna Carolina estão em cadeias vizinhas, em Tremembé, no interior de São Paulo. Ele está mais gordo e bem mais à vontade do que na sua primeira, e traumática, noite na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado. Na ocasião, presos prepararam para ele uma recepção inesquecível. à meia-noite, passaram a repetir um refrão em uníssono: “Pára, pai! Pára, pai! Pára, pai!”. A frase havia sido relatada à polícia por vizinhos dos Nardoni, que disseram tê-la ouvido de uma criança que estava no apartamento do casal, pouco antes da morte de Isabella. Trancafiado em sua cela e com o coro dos presos, que durou um minuto, martelando-lhe os ouvidos, Nardoni caiu em prantos.

Atualmente, ele divide a cela – equipada com televisão, rádio, três beliches duplos e chuveiro frio – com mais quatro presos. Um deles, de quem ficou mais próximo, é o advogado Jerônymo Ruiz Andrade Amaral, detido por tentar levar celulares para clientes presos, ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Ao contrário da maioria das prisões paulistas, superlotadas e com número insuficiente de vagas de trabalho, a penitenciária de Tremembé, considerada modelo, tem leitos de sobra e emprego para tantos quantos queiram trabalhar. Mas a atividade é obrigatória apenas para os presos condenados. Entre os provisórios, trabalha quem quer. Alexandre, até hoje, não quis. Por causa disso, sua rotina é um pouco diferente da dos demais. A maioria dos detentos acorda às 6 da manhã, quando é feita a contagem dos presos, toma café, segue para o trabalho nas oficinas e, mais tarde, para alguma aula (de línguas, música ou computação). Entre 16 e 17 horas, eles vão para o banho de sol, quando aproveitam para jogar bola. Depois disso, é jantar e cama. Como Nardoni não trabalha nem estuda (vez ou outra comparece às aulas de música), continua na cama até por volta das 10 da manhã. Quando vai para o banho de sol, não participa das peladas: fica sentado na arquibancada, sozinho ou acompanhado do amigo Jerônymo. Muitas vezes, dispensa uma das refeições, já que recebe comida de sobra dos pais, que o visitam semanalmente. Antonio Nardoni e a mulher chegam carregados com uma caixa e sacolas de frutas, bolachas, chocolates, refrigerantes e outras guloseimas para o filho dividir com a cela toda. Também deixam remédios, pasta de dentes, repelente contra insetos (a prisão fica em uma área repleta de mata, o que atrai pernilongos) e revistas, que Nardoni pouco lê. Ele prefere ver TV, o que faz praticamente o dia todo.

Ilustração Sandro Castelli

ISOLADO
Ao contrário da maioria dos presos de Tremembé, Nardoni não trabalha e costuma ficar na cama até mais tarde. Quando vai tomar sol, senta-se sozinho na arquibancada ou ao lado do advogado Jerônymo (no desenho, de cabelos grisalhos). A cela em que ele está tem rádio e TV. Toda semana, seu pai a abastece com guloseimas em quantidade suficiente para os cinco presos que dividem o espaço de 6 por 4 metros

A rotina de Anna Carolina na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, a quinze minutos da cadeia de Nardoni, é um pouco mais movimentada. A madrasta de Isabella divide a cela com quatro detentas e trabalha na limpeza e na distribuição de alimentos. Dias antes da sua chegada, a direção da cadeia achou por bem deixar as presas sem ver televisão. Temia que, diante da repercussão do crime, elas reagissem mal à presença da mulher. Ao contrário do marido, Anna Carolina não enfrentou demonstrações barulhentas, mas teve de engolir a frieza de algumas presas que até hoje viram o rosto à sua passagem. Para aumentar as chances de uma estada sem maiores sobressaltos, ela adotou o expediente ao qual costumam recorrer acusados de crimes malvistos na cadeia (tais como estupro, no caso dos homens, e assassinato de crianças, no caso dos homens e mulheres): buscou abrigo na ala dos evangélicos. Nas prisões, os “convertidos”, pelo fato de ficarem de fora dos grupos que disputam o poder e de serem considerados “café-com-leite”, ganham uma espécie de escudo contra agressões. Anna Carolina passou a freqüentar cultos e a cantar no coral. Chegou a pedir ao pastor da cadeia para ser batizada. O pedido foi negado: o pastor respondeu que era cedo demais. Apesar da sua recém-professada fé evangélica, a madrasta de Isabella, que antes da prisão se dizia católica, gosta de ler autores espíritas, como Chico Xavier e Zibia Gasparetto.

No mês passado, Anna Carolina e Nardoni receberam pela primeira vez a visita dos filhos, Pietro, de 3 anos, e Cauã, de 1. Uma amiga de infância de Anna Carolina contou a VEJA que, a princípio, ela não queria que os meninos fossem vê-la. “Dizia que cadeia não era ambiente para crianças.” Mas, à medida que os pedidos de soltura foram sendo negados e a saudade foi aumentando, Anna Carolina mudou de idéia. Seus advogados conseguiram, então, uma decisão judicial autorizando as visitas dos meninos em dias de semana, para poupá-los do assédio da imprensa. Em 29 de outubro, uma quarta-feira, Pietro e Cauã reviram o pai e a mãe pela primeira vez em quase seis meses. “Foi um momento de muita alegria e emoção”, disse Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina. Depois de tanto tempo sem ver os pais, Cauã, que vai completar 2 anos em abril, já estava ficando um pouco confuso. Quem conta é Antonio Nardoni, pai de Alexandre: “Ele está perdendo a referência. Às vezes, chama minha filha de mãe e meu genro, de pai. Outras vezes, chama minha mulher de mãe e a mim, de pai”. Amigos da família disseram que as crianças, que sempre tiveram um comportamento difícil, estão um tanto agressivas. Segundo eles, os conhecidos dos avós são freqüentemente recebidos com beliscões e, certa vez, até com tapa no rosto.

Foto Grizar Junior/Futura Press/Ilustração Sandro Castelli

“CONVERTIDA”
Anna Carolina fez 25 anos no último dia 9. Os pais foram visitá-la e a família comemorou a data com refrigerante e um pequeno bolo de chocolate. Ela, que se dizia católica e costuma ler livros espíritas, afirma ter se convertido à fé evangélica. Divide com quatro seguidoras da religião uma cela menor do que a do marido (4 por 3 metros), também equipada com rádio e TV

Cauã ainda não vai à escola e Pietro mudou de colégio depois da morte de Isabella. Para ficar anônimo, o menino usa um dos sobrenomes menos divulgados da família. Salvo os professores e a direção, ninguém na escola sabe quem são seus pais. De vez em quando, o menino fala da irmã. “Ele acha que a Isabella virou uma estrelinha”, conta Alexandre Jatobá. “Às vezes, vai à janela à noite, aponta para o céu e diz: ‘Olha a Isa lá, vovô!’”. Como, por ocasião do crime, tanto o pai de Anna Carolina quanto o pai de Nardoni deram entrevistas na TV, eles são freqüentemente reconhecidos – e, por vezes, hostilizados – nas ruas. Por causa disso, os avós quase nunca passeiam com as crianças. Alexandre Nardoni, por seu turno, desperta reações de outro tipo de público na cadeia: os filhos dos presos. A mãe de um detento conta que, ao levar a neta de 6 anos para ver o pai na penitenciária de Tremembé, ouviu da menina o comentário: “Olha, vó, é o homem que jogou a Isabella pela janela!”.

A prisão em que está Nardoni reúne um número recorde de “celebridades” do mundo do crime. Estão lá Marcos Valério, o ex-carequinha do mensalão, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, assassinos confessos dos pais de Suzane von Richthofen, e Mateus da Costa Meira, o estudante que matou três pessoas num cinema em São Paulo. O nome mais recente na galeria dos bandidos tristemente famosos de Tremembé chegou no mês passado: é Lindemberg Alves, o assassino da jovem Eloá Pimentel. A penitenciária de Anna Carolina também tem uma hóspede notória, além dela própria: a ex-estudante Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais. Embora estejam na mesma ala, as duas não são amigas e nem mesmo se falam.

Ao contrário do marido, que, nos domingos de visita, ganha enormes “jumbos” (como os presos chamam os alimentos e provisões trazidos pela família), Anna Carolina recebe de seus pais pacotes bem mais modestos. No último dia 9, por exemplo, quando completou 25 anos, teve de se contentar em comemorar a data com um singelo bolo Pullman, que ela enfeitou com uma mistura de creme de leite e chocolate em pó. O pai de Anna Carolina sempre teve uma vida financeira instável – e uma coleção de pendências com a Justiça. Atualmente, responde a três processos criminais, sendo um por furto de energia, outro por estelionato e um terceiro por importunação ofensiva ao pudor. Pouco depois do crime, com problemas de crédito, Jatobá pediu a uma amiga que lhe “emprestasse” o nome para que pudesse financiar a compra de um carro e, assim, poder visitar mais facilmente a filha na prisão. Condoída com a situação, a amiga aceitou ajudá-lo e hoje está às voltas com cobranças de parcelas atrasadas e um automóvel que não pode ser devolvido porque Jatobá o bateu. Atualmente, ele circula com veículos alugados, embora nem sempre tenha dinheiro para pagar a locação. No último dia 12, depois de conversar com VEJA, pediu à repórter 5 reais para completar o pagamento da diária de 39 reais. Diante da negativa, pendurou a dívida e pediu carona à reportagem.

Reprodução/Futura Press

“OLHA A ISA LÁ, VOVÔ”
Alexandre Jatobá conta que o neto Pietro aponta para o céu e diz que a irmã virou uma estrela

No clã dos Nardoni, os problemas são de outra ordem. Cerca de dez dias antes da morte de Isabella, veio à tona na família a revelação de que o pai de Alexandre havia tido um relacionamento com a concunhada e que, dessa relação, nascera um menino hoje com 3 anos. Alexandre Nardoni confirmou o episódio em interrogatório diante do juiz Maurício Fossen, em maio. Perguntado sobre quantos irmãos tinha, ele, inicialmente, citou apenas Cristiane. Em seguida, acrescentou que tinha mais um, “um menino que meu pai teve fora do casamento”. Corre em segredo de Justiça um processo amigável para que Antonio Nardoni reconheça a paternidade da criança.

O pai de Alexandre Nardoni e o pai de Anna Carolina têm uma relação tensa. Quando Antonio Nardoni vai pegar os netos na casa de Jatobá, recusa-se a subir ao apartamento: fica esperando pelas crianças na garagem do subsolo. Quando é Jatobá quem vai pegar os meninos com Antonio Nardoni, e se atrasa, o pai de Alexandre telefona reclamando, o que deixa Jatobá irritado. Apesar das implicâncias mútuas, as famílias se esforçam para preservar a relação, já que a dinâmica estabelecida entre elas interessa a ambas: os Jatobá, com mais tempo livre, cuidam das crianças, e os Nardoni, com mais dinheiro no bolso, pagam a escola de Pietro e as despesas com os advogados do casal. Entre Alexandre e Anna Carolina, dizem seus pais, tudo vai às mil maravilhas – na medida em que pode ir às mil maravilhas uma relação na situação dos dois. Seus pais afirmam que eles trocam cartas semanalmente e que o tom das mensagens é carinhoso. A amiga de infância de Anna Carolina ouvida por VEJA disse, porém, que, nas cartas trocadas entre elas, a madrasta de Isabella nunca menciona o marido.

Na próxima semana, a defesa do casal vai recorrer da sentença de pronúncia que determinou que os acusados devem ir a júri popular. As chances de reverter a decisão são ínfimas. Mantida a pronúncia, o plenário do júri deve ocorrer no ano que vem. Fará parte da estratégia da acusação uma apresentação do perfil psicológico de ambos, traçado pelo Ministério Público com a ajuda da pesquisadora criminal Ilana Casoy. O promotor Francisco Cembranelli tentará provar que a personalidade de Nardoni e a de Anna Carolina são compatíveis com a dinâmica da tragédia por ele descrita: de que a madrasta asfixiou a menina e o pai a arremessou pela janela (veja a versão da acusação). No plenário, Cembranelli sustentará que Nardoni é um jovem fracassado e frustrado, dependente do pai e incapaz de tomar decisões para evitar problemas – só reage quando eles já estão criados. Anna Carolina será descrita como alguém que age de forma impulsiva e nutre uma agressividade crescente e descontrolada. A promotoria também pretende levar ao júri pelo menos duas explicações inéditas: as circunstâncias da briga que o casal teve na noite do crime e o motivo pelo qual acredita que a esganadura da menina foi provocada pela madrasta. Se forem considerados culpados, Nardoni e Anna Carolina poderão sentir saudade dos tempos da prisão provisória. Não porque deverão ir para uma penitenciária pior – é provável que continuem no mesmo lugar. Mas, nesse caso, saberão que será por muito, muito tempo.

“Tiraram a maior parte de mim”

Daniel Aratangy

QUARTO VAZIO
“Está tudo lá: o mural de fotos dela, a maioria de suas coisas. Nos fins de semana, íamos ao parque, assistíamos a um filme. Esse tempo hoje é livre, e eu simplesmente não sei o que fazer com ele”


Mãe de Isabella Nardoni, assassinada no dia 29 de março aos 5 anos de idade, a bancária Ana Carolina Oliveira diz que sua rotina hoje se resume ao trabalho e às sessões de terapia. “Chego em casa e vou dormir para não ter tempo de sofrer”, diz. Em depoimento ao repórter Kalleo Coura, ela chorou diversas vezes ao se referir à filha. Só não quis falar de Nardoni e Anna Carolina, os acusados da morte da menina. “O que eu posso dizer é que ninguém das duas famílias me ligou até hoje para me desejar o que quer que seja.”

“Duas semanas depois da morte de minha filha, comecei a fazer terapia. Se não fosse isso, iria enlouquecer. Estava sem chão, sem rumo, achava que a Isabella poderia voltar a qualquer momento – até hoje, às vezes, me pego pensando assim. Com a terapia, consegui chorar tudo o que eu tinha para chorar. Assim como a religião, ela não me ajudou a superar o que aconteceu, mas a ficar mais firme. Em maio, tentei voltar a trabalhar, mas não conseguia me concentrar. Acompanhava as notícias sobre a morte da minha filha pela internet, e isso me desconcertava, não conseguia produzir nada. Ficava arrasada quando voltava para casa e via que ela não estava me esperando, como sempre fazia. Resolvi tirar uma licença de três meses. Fui para um lugar fora de São Paulo, não atendia o telefone e só via televisão o dia inteiro, para me informar sobre o caso. Durante todo esse período e até hoje, a Isabella não sai da minha cabeça. Penso nela desde o momento em que acordo, enquanto estou trabalhando e na hora em que vou dormir. Aí, sonho com ela. Hoje, minha vida se resume ao trabalho. Chego em casa e tento dormir para não ter tempo de pensar no que aconteceu e sofrer. Pelo menos uma vez por mês, vou ao cemitério levar flores cor-de-rosa, as preferidas da Isabella. Quase todos os fins de semana, arrumo meu quarto, onde dormia junto com ela. Organizo os livros, enfeites, CDs e mensagens de apoio que continuo a receber. O quarto está como era antes, com o mesmo mural de fotos dela e com a maioria das suas coisas. Nos fins de semana, sempre planejava algo com ela, íamos ao parque, assistíamos a um filme juntas. Mesmo quando minha filha ficava com o pai, o domingo já estava reservado para esperá-la. Esse tempo que eu tinha com a Isabella hoje é livre, e eu simplesmente não sei o que fazer com ele. Não vou ao cinema, não saio para dançar, não vou a festas. Às vezes vou jantar com amigos, mas, de certa forma, me afastei um pouco deles. Algumas coisas já não fazem mais sentido para mim. Não tenho motivo nenhum para comemorar nada. Não sou feliz nem infeliz, diria que sou indiferente em relação à vida. Tiraram a maior parte de mim.”

Com reportagem de Kalleo Coura

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“Tiraram a maior parte de mim”
Daniel Aratangy

QUARTO VAZIO
“Está tudo lá: o mural de fotos dela, a maioria de suas coisas. Nos fins de semana, íamos ao parque, assistíamos a um filme. Esse tempo hoje é livre, e eu simplesmente não sei o que fazer com ele”

Mãe de Isabella Nardoni, assassinada no dia 29 de março aos 5 anos de idade, a bancária Ana Carolina Oliveira diz que sua rotina hoje se resume ao trabalho e às sessões de terapia. “Chego em casa e vou dormir para não ter tempo de sofrer”, diz. Em depoimento ao repórter Kalleo Coura, ela chorou diversas vezes ao se referir à filha. Só não quis falar de Nardoni e Anna Carolina, os acusados da morte da menina. “O que eu posso dizer é que ninguém das duas famílias me ligou até hoje para me desejar o que quer que seja.”

“Duas semanas depois da morte de minha filha, comecei a fazer terapia. Se não fosse isso, iria enlouquecer. Estava sem chão, sem rumo, achava que a Isabella poderia voltar a qualquer momento – até hoje, às vezes, me pego pensando assim. Com a terapia, consegui chorar tudo o que eu tinha para chorar. Assim como a religião, ela não me ajudou a superar o que aconteceu, mas a ficar mais firme. Em maio, tentei voltar a trabalhar, mas não conseguia me concentrar. Acompanhava as notícias sobre a morte da minha filha pela internet, e isso me desconcertava, não conseguia produzir nada. Ficava arrasada quando voltava para casa e via que ela não estava me esperando, como sempre fazia. Resolvi tirar uma licença de três meses. Fui para um lugar fora de São Paulo, não atendia o telefone e só via televisão o dia inteiro, para me informar sobre o caso. Durante todo esse período e até hoje, a Isabella não sai da minha cabeça. Penso nela desde o momento em que acordo, enquanto estou trabalhando e na hora em que vou dormir. Aí, sonho com ela. Hoje, minha vida se resume ao trabalho. Chego em casa e tento dormir para não ter tempo de pensar no que aconteceu e sofrer. Pelo menos uma vez por mês, vou ao cemitério levar flores cor-de-rosa, as preferidas da Isabella. Quase todos os fins de semana, arrumo meu quarto, onde dormia junto com ela. Organizo os livros, enfeites, CDs e mensagens de apoio que continuo a receber. O quarto está como era antes, com o mesmo mural de fotos dela e com a maioria das suas coisas. Nos fins de semana, sempre planejava algo com ela, íamos ao parque, assistíamos a um filme juntas. Mesmo quando minha filha ficava com o pai, o domingo já estava reservado para esperá-la. Esse tempo que eu tinha com a Isabella hoje é livre, e eu simplesmente não sei o que fazer com ele. Não vou ao cinema, não saio para dançar, não vou a festas. Às vezes vou jantar com amigos, mas, de certa forma, me afastei um pouco deles. Algumas coisas já não fazem mais sentido para mim. Não tenho motivo nenhum para comemorar nada. Não sou feliz nem infeliz, diria que sou indiferente em relação à vida. Tiraram a maior parte de mim.”

Laudos e documentos obtidos por ISTOÉ mostram que o assassinato da garota Isabella

Posted in ISABELLA on 16 de Novembro de 2008 by os.maias

Não houve esganadura
Laudos e documentos obtidos por ISTOÉ mostram que o assassinato da garota Isabella não aconteceu da forma como a polícia descreveu

Por ANTONIO CARLOS PRADO

IBRAHIM CRUZ/AG. ISTOÉ
Alexandre e Anna Carolina: ela não asfixiou Isabella e não havia sangue no carro dele

ISTOÉ teve acesso na quinta-feira 28 a novos documentos e laudos finais do processo contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá – pai biológico e madrasta da garotinha Isabella. Eles estão presos preventivamente sob a acusação de tê-la assassinado no final de março, em São Paulo. Os laudos e depoimentos apontam que há contradições no processo. Segundo a versão da polícia, registrada nos papéis, o calvário de Isabella começou no carro da família, um Ford Ka: ela teria sido ferida na testa por Anna Carolina que, para isso, se valera de uma chave tetra. A partir daí a menina de cinco anos foi levada ao apartamento no qual passava o final de semana com o pai e a madrasta e, novamente de acordo com a polícia, Anna Carolina a esganara. Alexandre a teria jogado pela janela.

Os novos laudos questionam a precisão dessa versão. Segundo eles, alguns pontos restam obscuros. O primeiro deles é justamente sobre a tal chave tetra. Ao depor à Justiça, a delegada Renata Pontes afirmou que não encaminhou essa chave, que seria o ponto de partida da tragédia, à perícia: “Eu não achei necessário.” Ela argumentou que não vira no objeto vestígios de sangue, embora a perícia exista justamente para detectar aquilo que não se vê a olhos nus. Disse mais: “A chave que me foi entregue, eu peguei e coloquei na minha gaveta, na minha sala.” É nesse ponto que a chave tetra abre um mistério: se toda a barbaridade feita com Isabella é decorrência desse primeiro ferimento (cinco milímetros, lado esquerdo da testa), como não enviar para a perícia essa chave?

IBRAHIM CRUZ/AG. ISTOÉ
Isabella: asfixia causada por embolia decorrente da queda

Também depôs na Justiça a testemunha Paulo César Colombo, ex-vizinho de Alexandre e de Anna Carolina. ISTOÉ teve acesso ao seu depoimento. Foi-lhe questionado pelo juiz o que dissera à polícia sobre brigas do casal, quando tudo ainda estava na fase anterior do inquérito. Na delegacia, Paulo César teria afirmado “que numa das discussões do casal pôde ouvir Anna Carolina dizer que Alexandre (…), tinha uma ex-mulher (a mãe biológica de Isabella) e que infelizmente havia laços que não seriam desvinculados (…)”. Ao juiz, Paulo César declarou que a polícia pôs palavras em sua boca: “Essa parte assim não foi dita por mim, o escrivão (…), ele colocou algo a mais na hora de escrever.” O juiz insistiu: “Isso não foi dito pelo senhor?” A resposta da testemunha foi curta e categórica: “Não. Não.” Explica-se, no caso específico da morte de Isabella, a gravidade desse fato: as acusações contra o casal apontam o ciúme como sendo a motivação do crime e esse era um dos depoimentos que provaria o fato.

A peça mais polêmica dos novos laudos é a conclusão oficial da Polícia Científica de São Paulo. Foi dito, publicamente e em algumas peças acusatórias, que havia sangue de Isabella no interior do Ford Ka. A perícia, no entanto, deixa claro que só foi encontrado sangue na calça tipo legging de Isabella, na blusa de Anna Carolina e na bermuda de Alexandre. Em cada peça há sangue da própria pessoa, o que, biológica e cientificamente, não incrimina ninguém – seria diferente se houvesse sangue da menina nos trajes de Anna Carolina e de Alexandre (há uma camiseta de mangas compridas, mas essa já está fora do caso, pertence a um pedreiro que fazia obras num apartamento vizinho e o sangue também é dele). Detalhe importante: ao contrário do que a polícia e autoridades disseram até agora, não foi identificado sangue no carro que transportou Isabella.

Finalmente, a necropsia aponta que a garotinha sofreu embolia gordurosa (coração e pulmões). As autoridades acusam Anna Carolina de tê-la esganado e, em decorrência dessa esganadura, Alexandre a teria jogado pela janela. A verdade é que, na opinião de catedráticos em medicina legal que conversaram com ISTOÉ e não estão ligados ao caso, esganadura não produz embolia gordurosa. A embolia foi conseqüência do impacto causado pela queda do sexto andar. Ela, a embolia, asfixiou Isabella. Não houve esganadura. A própria necropsia oficial diz que o osso hióide, do pescoço, está intacto. Numa esganadura, sobretudo em crianças, ele apresentaria alguma lesão. Os problemas decorrentes dos laudos e depoimentos à Justiça são evidentes: da chave à esganadura, passando pelo ciúme que teria motivado o crime, sobram dúvidas em relação à reconstituição elaborada pela polícia e corroborada pela promotoria na sua denúncia. A questão agora é saber se as provas que restam são suficientes para a condenação do casal.

OFICIAL Depoimentos da delegada e do ex-vizinho à Justiça (no alto) e o laudo necroscópico do IML que aponta embolia e a preservação do osso hióide
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Defesa do casal Nardoni tem 5 dias para recorrer de ‘júri popular’

Posted in ISABELLA on 2 de Novembro de 2008 by os.maias

Justiça de SP decidiu levar pai e madrasta de Isabella a julgamento.
Defesa do casal afirmou que não se manifestará agora sobre a decisão.

A defesa do pai e da madrasta de Isabella Nardoni, acusados da morte da criança em março passado, tem cinco dias para recorrer da decisão do 2º Tribunal do Júri de Santana que os leva a júri popular. De acordo com advogados criminalistas consultados pelo G1, o prazo passa a contar a partir da intimação da defesa.

Casal Nardoni vai a júri popular

Posted in ISABELLA on 1 de Novembro de 2008 by os.maias


Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte de Isabella, estão presos em Tremembé — no interior de SP.

Pela 1ª vez, Alexandre Nardoni recebe visita de filhos na cadeia

Posted in ISABELLA on 29 de Outubro de 2008 by os.maias

Simone Menocchi – O Estado de S.Paulo

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TREMEMBÉ – A visita durou 7 horas. Alexandre Nardoni, acusado de matar a própria filha, Isabella Nardoni, em março deste ano, se encontrou nesta quarta-feira, 29, com os filhos Pietro e Cauã, nas dependências da penitenciária José Augusto César Salgado – a Tremembé II -, para onde foi transferido em maio passado.

Casal Nardoni tenta revogar prisão no Supremo

Posted in ISABELLA on 18 de Outubro de 2008 by os.maias

ELVIS PEREIRA – Agencia Estado


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SÃO PAULO – A defesa de Alexandre Alves Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá entrou hoje com um pedido de habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar revogar a prisão preventiva deles. Na petição, de 85 páginas, também é requerida a anulação do recebimento de denúncia contra o casal, acusado de assassinar a filha de Alexandre, Isabella, em março deste ano.

A garota, de 5 anos, teria sido jogado do sexto andar do Edifício London, na zona norte da capital paulista. O relator do caso será o ministro Joaquim Barbosa. O casal já teve quatro pedidos recusados pelo Supremo, sendo o último no mês passado, justamente por Barbosa.

Defesa pede mais tempo para decidir sobre novo depoimento do casal Nardoni

Posted in ISABELLA on 27 de Setembro de 2008 by os.maias

Advogados alegam que ainda aguardam respostas de peritos sobre laudos.
Prazo dado por juiz para a definição da defesa se encerra nesta sexta (26)

Os advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados da morte de Isabella Nardoni, entraram nesta sexta-feira (26) com uma petição junto ao 2º Tribunal do Júri de São Paulo solicitando ao juiz Maurício Fossen que estenda o prazo para dizerem se querem que os seus clientes sejam ouvidos novamente pela Justiça.

Na petição, a defesa alega que ainda não recebeu as respostas dos peritos sobre os laudos elaborados pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto Médico Legal e que, por isso, precisa de mais tempo para definir sobre um novo depoimento.

“Em julho, apresentamos quesitos (questionamentos) para a perícia oficial. Os peritos pediram três prorrogações, mas a terceira prorrogação ainda não venceu. Estes quesitos complementam os laudos, tecnicamente falando. É uma prova que precisamos ver antes de decidir por um novo depoimento ou não”, explicou um dos advogados do casal Nardoni, Marco Polo Levorin.

Segundo ele, o prazo dado aos peritos deve se encerrar “nos próximos dias”. “Então pedimos que as respostas dos quesitos fossem aguardadas, já que é um direito termos conhecimento destas informações”, justificou.

Uma alteração no Código de Processo Penal fez com que o juiz Maurício Fossen concedesse o prazo até esta sexta-feira para a definição de um novo depoimento do casal por parte da defesa. De acordo com o juiz, “têm surgido interpretações a respeito do tema que entendem que a realização dos interrogatórios dos réus ao final da instrução constituiria um direito material assegurado a estes pelo novo ordenamento jurídico em vigor lei”. Por isso, Fossen decidiu perguntar aos defensores se eles desejam que o casal seja ouvido novamente.

Em despacho de 18 de setembro, o juiz Maurício Fossen diz, no entanto, que um novo interrogatório iria atrasar o andamento do processo. “Tal providência, com toda certeza, iria implicar em mais alguma demora na conclusão desta fase de instrução, ainda mais porque os réus já tiveram oportunidade de descrever, de forma bastante extensa e detalhada, suas versões a respeito dos fatos”, afirmou.

Anna Carolina e Alexandre já foram ouvidos pela Justiça no dia 28 de maio, antes da entrada em vigor da nova lei. A madrasta de Isabella foi ouvida primeiro e, diante do juiz, ela se emocionou, criticou a polícia e disse que as acusações contra ela são “totalmente falsas”. Os dois responderam a todas as perguntas do juiz e insistiram na tese de que uma terceira pessoa cometeu o crime.

Avô de Isabella diz que filho e nora serão condenados em 10 minutos se julgados logo

Posted in ISABELLA on 25 de Setembro de 2008 by os.maias

Publicada em 24/09/2008 às 16h14m

Wagner Gomes, O Globo

Antonio Nardoni Foto Arquivo Daniel Pera, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO – Seis meses depois de ver a neta de 5 anos morta, Antonio Nardoni, avô da menina não tem esperança de ver o filho, Alexandre Nardoni, e a nora, Anna Carolina Jatobá, absolvidos da acusação de terem esganado e atirado a menina do 6º andar do apartamento onde moravam, na Vila Mazzei, em São Paulo. Para Nardoni, que é advogado, o pai e a madrasta de Isabella serão condenados em 10 minutos se forem a júri popular rapidamente, como quer o promotor Francisco Cembranelli.

– Os dois foram colocados como monstros e os jurados nem vão querer ouvir as provas a favor do casal. Em 10 minutos eles terão o veredicto. Serão julgados e condenados à pena máxima, de 40 ou 50 anos – disse Nardoni, em entrevista exclusiva ao O Globo.

Na avaliação dele, qualquer pai de família que faça parte do júri (o júri popular é formado por pessoas comuns) receberá muita pressão da mulher e dos filhos para condenar Alexandre e Anna Carolina.

Antonio Nardoni, que se colocou desde o primeiro momento ao lado do filho para inocentá-lo, conta que visita Alexandre todos os fins de semana no presídio de Tremembé, onde o pai de Isabella está preso desde 17 de maio.

Os jurados nem vão querer ouvir as provas a favor do casal


Segundo ele, Alexandre chora muito e sente falta da filha morta. Sente falta também dos dois filhos que tem com Anna Carolina Jatobá, Pietro, de 3 anos, e Cauã, que tinha cerca de um ano na época do crime. O motivo, explica o avô de Isabella, é que o juiz da Vara da Infância e Juventude de Guarulhos, encarregado de acompanhar as condições das crianças, proibiu a família de levá-los para ver os pais da prisão.

Assim como no primeiro dia, Nardoni defende Alexandre e mantém a tese de que uma terceira pessoa entrou no apartamento e arremessou Isabella do sexto andar.

– A família toda está sofrendo e esperando que um dia seja encontrada a pessoa que fez isso. Esperamos que Deus aja na consciência dessa pessoa e que ela se entregue – diz.

Antonio Nardoni culpa a polícia pela situação do casal – para ele, os dois foram prejulgados desde o início. E critica a velocidade com que as investigações foram feitas e o processo corre na Justiça.

– Não conheço processo tão veloz como esse e olha que fiz uma pesquisa grande em ações nos Estados Unidos e Europa. Eles querem mostrar à população que a Justiça é rápida. É tudo a favor da acusação e nada a favor da defesa. É um total cerceamento da defesa em face da velocidade – afirmou Antônio Nardoni.

Para o promotor , os advogados de defesa fazem de tudo para prolongar o processo e tentar libertar o casal com base no argumento de que demoraram a ser julgados , como ocorreu com Gil Rugai, acusado de matar o pai e a madrasta. A perita Delma Gama, contratada para ajudar na busca de erros da polícia e dados que inocentassem o casal, foi detida em Salvador, depois de faltar a dois depoimentos. Ela chegou a ser acusada de tomar anestésico sem necessidade para forçar o adiamento de seu depoimento.
Anna Carolina Jatobá sofre ameaças, diz sogro

Antonio Nardoni não vê a nora desde o último depoimento do casal. Segundo ele, Anna Carolina Jatobá, mantida em um presídio feminino de Tremembé, enfrenta freqüentes ameaças de outras detentas e, por isso, costuma ser colocada em isolamento. Ela não pode receber o sogro porque, por regra do sistema penitenciário paulista, apenas parentes de primeiro grau podem visitar detentos. Seria preciso um pedido especial para visitas, que a família Nardoni ainda não fez.

Anna Carolina, segundo o sogro, assim como Alexandre, recebe semanalmente a visita de seus pais.

Outro dilema da família Nardoni é a falta que Pietro e Cauã sentem dos pais. A resposta, segundo o avô, é sempre a mesma: os dois foram viajar.

– Mas as crianças já não agüentam mais a espera – diz ele.

Pietro, o mais velho, começou a freqüentar uma escolinha, mas o avô pediu ao diretor que não mencionasse nunca o sobrenome do garoto, para não expô-lo. Longe dos pais, as crianças passam um tempo na casa dos avós maternos e outro na dos avós paternos.

– Para nós é muito difícil. As pessoas esquecem que Isabella pertencia à nossa família. Nós a amávamos e ela também nos amava. Todos os meses, no dia 29, mandamos rezar uma missa por ela em uma igreja próxima de casa. Não avisamos ninguém para não fazer alarde. Fotos dela ainda estão por toda a casa. Isabella ligava para a gente todos os dias e tínhamos muito contato – conta.

Para a polícia, Isabella foi esganada por Anna Carolina Jatobá e, acreditando que ela já estava morta, o casal atirou o corpo pela janela do apartamento, na tentativa de dissimular a autoria do crime. Alexandre e Anna Carolina disseram que havia uma terceira pessoa no apartamento, o verdadeiro criminoso. Os laudos do Instituto de Criminalística indicaram que não havia qualquer sinal de que alguém fora da família possa ter estado lá dentro.

Alexandre e Anna Carolina respondem por homicídio triplamente qualificado: asfixia mecânica (meio cruel), impossibilidade de defesa da vítima e prática de um crime para encobrir um delito anterior (ter jogado a garota da janela para esconder a esganadura). São acusados ainda de fraude processual por manipular a cena do crime. Eles teriam tentado eliminar provas (manchas de sangue foram descobertas com uso de luminol, reagente químico especial da polícia) e forjar a presença de uma terceira pessoa no apartamento. A pena para o casal pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

Antonio Nardoni mostra ressentimento e uma certa ironia ao se referir à mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira.

– É difícil não sofrer pela morte da menina, como diz a mãe biológica.

Ana Carolina não chorou em público a morte da filha. Disse que Isabella não gostava de vê-la triste.

Para o avô, a perda de Isabella é “triplamente complicada” para os Nardoni – que choram também a prisão de Alexandre e Anna Carolina.
Busca por erros da polícia continua

Antonio Nardoni diz que a prisão dos dois é um erro da polícia. Reforça sua tese com dois casos recentes de pessoas presas sem culpa pelo crime que lhes foi atribuído. Cita Daniele Toledo do Prado, 23 anos, acusada de colocar cocaína na mamadeira e matar a filha Vitória, de 1 ano ( Daniele foi absolvida no início deste mês) e o caso dos três rapazes presos pela morte de uma jovem em Guarulhos, crime recentemente assumido pelo estuprador Leandro Basílio Rodrigues, que ficou conhecido como “maníaco de Guarulhos”.

O avô de Isabella diz que o laudo feito em vídeo pela polícia tem pelo menos 18 erros. Ele diz que não havia sangue no carro do casal e diz que há engano na fralda com sangue, que teria sido lavada e colocada em um balde com água. Um instituto americano, segundo ele, fez um laudo a pedido da defesa e concluiu que havia sangue, mas não é possível saber se era recente.

(REALMENTE É UM MISTÉRIO , AINDA ESTAREM PRESOS…
NÃO SEI SE FORAM PRESOS POR VAIDADE DE “AUTORIDADES”, SE PENSAVAM ESTAR NUM EPISÓDIO DE UMA DESSAS SÉRIES DE TV AMERICANAS , QUE SÃO MUITAS, COM A IMPRENSA COBRINDO ,ENTREVISTAS PRA LÁ E PRA CÁ, CAPAS DE REVISTAS, MUITA POSE , APARECEM NA TV DANDO UM MONTE DE INFORMAÇÕES ,MESMO O PROCESSO CORRENDO EM SIGILO ( SIGILO , ONDE ?) LUMINOL , FAZEM MIL VEZES A PERICIA , INCLUSIVE NUM DOMINGO DE SOL NUM VERDADEIRO MEGA SHOW E BLABLA …

UM INTERESSE ENORMEEEEE EM DIVULGAR A CULPA DO CASAL ,A QUALQUER CUSTO, MAS SEM PROVAS É CLARO, MISTURAM CASOS, CITAM OUTROS PROCESSOS, TENTEM VINCULAR A IMAGEM DO CASAL COM TUDO QUANTO É CRIME RELACIONADO COM CRIANÇAS, NUMA FALTA DE ÉTICA DE DAR ARREPIOS, SÓ ISSO JÁ ANULAVA TODO O PROCESSO, ME PARECE QUE EXISTE UM DESESPERO EM CULPA-LOS, EM TRANCA-LOS, EM CALAR O CASAL.
OUTRO DIA FIQUEI REVOLTADA, POIS ME NEGO A ASSISTIR ESSE TIPO DE FICÇÃO ( QUE NA MENTE DE ALGUNS SE TRANSFORMA EM REALIDADE, EM VERDADE!)
ESTOU ME REFERINDO A UMA MONTAGEM FEITA POR UMA EMPRESA DE COMO TERIA SIDO O CRIME NA VERSÃO DA INVESTIGAÇÃO , DO PROMOTOR, SEI LÁ DE QUEM TEM INTERESSE NA CULPA DO CASAL, EU NÃO QUIZ VER, NÃO TIVE A MENOR CURIOSIDADE (MÓRBIDA, DIGA-SE DE PASSAGEM) E UM DIA LIGO A TV TOMANDO MEU CAFÉ E VEJO ALGO HORRÍVEL LOGO CEDO, ESTAVA MUDANDO DE CANAL E ME DEPAREI COM A CENA QUE EU NEM ENTENDI MUITO BEM NA HORA DO QUE SE TRATAVA, ERA UM PROGRAMA MATUTINO ( HORÀRIO EM QUE QUALQUER CRIANÇA PODERIA VER!!!!) MOSTRANDO AS TAIS IMAGENS , É DE DAR NOJOOOOO, O TAL PROGRAMA É OU ERA, NEM SEI SE AINDA EXISTE NA TV RECORD( QUALQUER COISA PRA DAR AUDIENCIA), PARECE UM CERCO OBRIGANDO AS PESSOAS A ENGOLIR MAIS ESSA, ENTENDO COMO PROPAGANDA, UM MARKETING DA CULPA DO CASAL, QUE NÃO CONFESSOU O CRIME, ESTA PRESO, QUE FOI EXPOSTO DE FORMA IRRACIONAL PELA MIDIA E AUTORIDADES, QUE TEVE A VIDA DESTRUIDA, JOVENS AINDA E JÁ COM A VIDA ARRASADA PELA MORTE DA MENINA ISABELLA E PELA ACUSAÇÃO DE ASSASSINATO .

NÃO COMPREENDO TAMBEM A FORMA TRANQUILA DA MÃE DA MENINA EM ENCARAR A MORTE , COLOCOU UM VIDEO NO YOUTUBE, QUEM FARIA ISSO????? QUE MÃE FARIA ISSO? FOI UMA DAS PRIMEIRAS ATITUDES DELA, FICOU LENDO O ORKUT !!!!! FICO REALMENTE… SEM PALAVRAS DIANTE DE TANTO “EQUILIBRIO”, A MENINA NÃO ESTAVA COM CANCER E VEIO A FALECER, A MENINA FOI JOGADA DA JANELA!!!!!! E A MÃE NÃO CHORA…, CADA UM SOFRE DE UM JEITO … MAS FOI ELA QUEM CULPOU O CASAL , E QUANTO A COLOCAR UMA ADVOGADA PRA ACOMPANHAR A ACUSAÇÃO, NÃO É ESQUISITO?
NÃO EXITE MOTIVO E NEM HOUVE TEMPO PARA O CASAL TER MATADO A MENINA, É COMPLETAMENTE ILÓGICO , ESSA VERSÃO DE CIUMES DA MÃE É PATÉTICAMENTE RIDICULA E FRACA, ALIAS ACHO QUE TEM MAIS LÓGICA O CONTRARIO A MÃE TER CIUMES DO CASAMENTO E DOS DOIS FILHOS, DA FAMILIA CONSTITUIDA, DA AJUDA DOS SOGROS, DO APARTAMENTO NOVO, CARRO NOVO …DA ISABELLA SE DAR MUITO BEM COM A ESPOSA DO PAI E POR AI VAI…
ACREDITO SIM QUE TENHA UMA TERCEIRA PESSOA NA CENA DO CRIME, ALGUEM QUE TENHA ENTRADO , SE FOI PARA ROUBAR OU NÃO , A MENINA DEVE TER ACORDADO E RECONHECIDO A PESSOA… CREDO , SÓ DE PENSAR ME DA VONTADE DE CHORAR, QUANTA CRUELDADE…

SERÁ QUE FOI VINGANÇA CONTRA O AVÔ PATERNO?)


ME FAZ LEMBRAR O CASO CELSO DANIEL, UM MONTE DE INCOERENCAS !

TENHO MUITA PENA DESSA FAMILIA, ESPERO QUE REALMENTE HAJA UMA PESSOA QUE TENHA UMA ATITUDE DIGNA A FAÇA JUSTIÇA, QUE SE LEMBRE DE DEUS , QUE DELE NINGUEM ESCAPA,!
O MUNDO DÁ VOLTAS E ATÉ AS PEDRAS SE ENCONTRAM !

Juiz dá a casal Nardoni chance de prestar novo depoimento

Posted in ISABELLA on 23 de Setembro de 2008 by os.maias

O juiz Maurício Fossen, do Tribunal do Júri de São Paulo, concluiu a fase de oitiva de testemunhas de defesa e acusação ao casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte da menina Isabella Nardoni, 5, assassinada em março deste ano. No entanto, o magistrado abriu a possibilidade de o casal ser interrogado novamente.

De acordo com o despacho do juiz, os advogados de defesa do casal Nardoni tem três dias, a partir da publicação do despacho no “Diário Oficial” do Estado, para manifestar o interesse de o casal ser ouvido novamente.

“…com toda certeza, iria implicar em mais alguma demora na conclusão desta fase de instrução, ainda mais porque os réus já tiveram oportunidade de descrever, de forma bastante extensa e detalhada, suas versões a respeito dos fatos, quando de seus interrogatórios já realizados nestes autos”, afirmou o juiz no despacho.

Caso a defesa não se manifeste no prazo, Fossen dará por concluída a fase e dará seguimento no processo.

A possibilidade de o casal ser ouvido novamente acontece devido a mudança da lei 11.689 de 2008, que deu nova redação ao artigo 411 do Código de Processo Penal.

“…o fato é que têm surgido interpretações a respeito do tema que entendem que a realização dos interrogatórios dos réus ao final da instrução constituiria um direito material assegurado as estes pelo novo ordenamento jurídico em vigor lei e não apenas uma norma de natureza estritamente processual e como ainda é muito cedo para se saber em relação a qual destas posições a jurisprudência irá se firmar no futuro, entende por bem este magistrado –a fim de evitar alegações futuras de nulidade que implicariam e tornar prejudicado todo o trabalho porventura já realizado– reconhecer tal direito aos réus”, disse o magistrado.

Crime

Isabella foi morta no dia 29 de março ao ser agredida e depois lançada do 6º andar do edifício London. Ela estava no carro com o pai, a madrasta e os dois filhos do casal Nardoni.

Perita do caso Isabella usou anestésico cirúrgico antes de depor, diz promotor

Posted in ISABELLA on 18 de Setembro de 2008 by os.maias

Publicada em 17/09/2008 às 19h11m

Fabiana Parajara, O Globo Online

promotor diz que ela tomou anestésico antes de depor - Arquivo - Diário de S. Paulo

SÃO PAULO – A perita Delma Gama, contratada pela defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, tomou um anestésico cirúrgico antes de depor sobre a morte da menina Isabella Nardoni. Depois de faltar a duas audiências e ser detida por desobedecer a uma ordem judicial, Delma compareceu ao Fórum de Salvador, na Bahia, na sexta-feira passada, dia 12 de setembro, mas desmaiou antes de começar a depor. Ela foi socorrida no posto médico da casa e o juiz Cássio Miranda determinou que fosse feito um exame toxicológico na perita para saber se ela se dopou de forma premeditada para evitar o depoimento. A perita chegou a ser detida.

– O laudo do exame ficou pronto e confirmou que ela não havia usado um medicamento específico para algum problema de saúde. Conversamos com um médico perito e ele confirmou que a substância usada por ela é um anestésico muito usado em centros cirúrgicos – afirmou o promotor Jânio Braga, que não soube dizer o nome correto da substância.

Por causa do laudo positivo, o Ministério Público deve determinar nos próximos dias a abertura de um inquérito para investigar se Delma Gama tentou atrapalhar o andamento da Justiça, protelando seu depoimento.

– Vamos investigar os atestados médicos apresentados por ela para não comparecer a duas audiências e todo o comportamento da perita. Há testemunhas dizendo inclusive que ela simulou o desmaio, já que usou a mão para reduzir o impacto com o chão, protegendo o rosto – afirmou Braga.

Testemunha polêmica

De acordo com ele, o comportamento de Delma aponta para uma “manobra no sentido de enganar a Justiça”. Delma foi contratada pela defesa do casal Nardoni para contestar o laudo oficial do Instituto de Criminalística de São Paulo. Os dois são acusados pelo crime.

A perita Delma Gama deveria ter prestado depoimento no dia 8 de setembro e não compareceu. Em seguida, uma perícia médica determinada pela Justiça a procurou. De acordo com os policiais, quando o médico escrevia o laudo, dizendo que ela tinha condições de prestar depoimento e não foi, a perita fugiu de carro com o filho ao volante. Ainda de acordo com a polícia, os dois teriam agredido verbalmente os policiais e jogado o carro contra eles.

Delma foi encontrada em uma clínica no bairro da Graça sob efeito de sedativos. Segundo a polícia, ela teria se internado alegando dores no corpo, tomou remédios sedativos receitados pelo médico Carlos Lima e dormiu. Policiais ficaram de plantão no local até que ela tivesse alta e a conduziram até a delegacia na terça, onde prestou depoimento por desobediência, já que era a segunda audiência a que faltava. Nas duas ocasiões, a perita alegou motivos de saúde e apresentou atestados médicos, que serão investigados durante o inquérito que deve ser aberto.

– Pela quantidade de atestados, nem sei como ela está viva – ironizou o promotor, na época da detenção da perita.

Na última sexta-feira, antes de Delma desmaiar, o juiz interrogou o perito médico Eduardo Lopes, enviado para examiná-la. O médico revelou que Delma tinha condições de prestar depoimento nas vezes em que foi intimada.

O promotor responsável pelo caso Isabella, que saiu de São Paulo para acompanhar o interrogatório da perita, protestou. Ele alega que o tempo gasto para ouvir Delma Gama foi maior do que o empregado para ouvir as outras 48 testemunhas. Segundo o promotor, os advogados de Alexandre e Anna Carolina podem estar obstruindo o processo para conseguir a liberdade dos clientes.

Depois do depoimento, que durou uma hora e quinze minutos, o advogado que acompanhava Delma, Rogério Neres – que também faz parte da defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá – condenou o tratamento dado à perita.

– No nosso humilde entender, está havendo um tratamento desnecessário e desumano para com a doutora Delma – disse Rogério Neres, já que ela havia se queixado de dores durante o depoimento. Ela chegou a ser repreendida pelo juiz, que chamou de “simulação” as reclamações da perita e mostrou impaciência com ela.

Perita do caso Isabella desmaia e depoimento é suspenso

Publicada em 12/09/2008 às 15h24m

iBahia, Fabiana Parajara, O Globo Online

DISP

SÃO PAULO – A perita Delma Gama desmaiou durante o depoimento que deveria ter prestado nesta manhã sobre a morte da menina Isabella Nardoni. O juiz Cássio Miranda determinou a suspensão da audiência, que será retomada nesta tarde. De acordo com a 1ª Vara do Júri, a perita foi levada para o posto médico do fórum, onde permanece sob observação. O depoimento será retomado a partir das 15h. Um exame toxicológico da perita foi determinado pelo juiz.

Delma foi contratada pela defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá para contestar o laudo oficial do Instituto de Criminalística de São Paulo. Os dois são acusados pelo crime. A perita Delma Gama, que foi detida na terça-feira por desobedecer a uma ordem judicial para depor sobre o caso da menina, já faltou a dois depoimentos. Ela alegou motivos de saúde.

O juiz Cássio Miranda determinou que a perita seja submetida, ainda hoje, a um exame toxicológico no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. O objetivo dele é saber se a testemunha compareceu dopada ao salão do júri.

Ainda nesta manhã, o juiz interrogou o perito médico Eduardo Lopes, enviado para examinar a perita baiana Delma Gama, que alegou problemas de saúde para não comparecer às duas primeiras convocações feitas pela justiça. O médico revelou que Delma tinha condições de prestar depoimento nas vezes em que foi intimada.

– Parece que estão tentando protelar, mais uma vez, a audiência. Só que eu vou cumprir o meu dever – disse o juiz Cássio Miranda.

O promotor responsável pelo caso, que veio de São Paulo para acompanhar o interrogatório da perita, também protestou.

– O tempo que demoramos para ouvir 48 testemunhas foi inferior ao tempo que estamos levando para ouvir esta testemunha. Então, este processo já deveria estar na fase final objetivando apresentar uma resposta rápida à sociedade brasileira – disse .

Detenção

Delma deveria ter prestado depoimento na segunda-feira e não compareceu. Em seguida, a perícia médica foi determinada pela Justiça e procurou Delma. De acordo com os policiais, quando o médico escrevia o laudo, dizendo que ela tinha condições de prestar depoimento e não foi, a perita fugiu de carro com o filho ao volante. Ainda de acordo com a polícia, os dois teriam agredido verbalmente os policiais e jogado o carro contra eles. Delma foi encontrada na noite de segunda em uma clínica no bairro da Graça sob efeito de sedativos. Segundo a polícia, ela teria se internado alegando dores no corpo, tomou remédios sedativos receitados pelo médico Carlos Lima e dormiu. Policiais ficaram de plantão no local até que ela tivesse alta e a conduziram até a delegacia na terça, onde prestou depoimento por desobediência.