Morte de líder hindu provoca onda de suicídios

04 de setembro de 2009 • 02h03 • atualizado às 02h47

Pelo menos 67 pessoas morreram no sudeste da Índia por suicídios ou ataques do coração após saberem da morte do chefe do governo regional de Andhra, segundo informaram nesta sexta diferentes meios de comunicação indianos.

As vítimas morreram depois de ouvir a notícia da morte de E.S. Rajasekhara Reddy e outras quatro pessoas, que faleceram na quarta-feira passada na queda de um helicóptero, desaparecido até quinta-feira. Entre as vítimas de ataques cardíacos há seguidores de Reddy – membro do Partido do Congresso – e também beneficiados pelos programas de bem-estar social fomentados pelo falecido nos últimos cinco anos.

“YSR (como era conhecido popularmente) dedicou sua vida ao povo e eu lhe dedico minha vida a ele”, escreveu um jovem em uma nota antes de suicidar-se consumindo pesticidas, segundo a agência indiana Ians.

Dois incapacitados físicos que recebiam uma pensão mensal como ajuda regional também tentaram suicidar-se atirando-se ao rio Godavari, mas foram resgatados por um grupo de pescadores. “Ninguém deve suicidar-se”, disse à imprensa o filho do político falecido, E.S. Jagan Mohan Reddy, que os analistas colocam como possível sucessor de seu pai no cargo.

A prática do suicídio como forma de chorar a perda de um líder político não é desconhecida no sul da Índia: no ano 1987, cerca de 100 pessoas tentaram suicidar-se após a morte do chefe do Governo de Tamil Nadu, o ator M.G. Ramachandran. O corpo de E.S.R. Reddy foi encontrado nesta quinta-feira entre os escombros do helicóptero e junto aos cadáveres de dois pilotos, seu secretário e um alto funcionário regional de segurança, em uma zona de floresta muito fechada.

O helicóptero tinha desaparecido na quarta-feira de manhã após partir da capital de Andhra, Hyderabad, quando foi iniciada intensa busca, agravada pela incerteza e insegurança, porque aeronave iria atravessar áreas com presença de insurgentes maoístas. Reddy tinha sido reeleito como chefe do Governo de Andhra nas eleições de maio e era um dos barões regionais com mais poder no Partido do Congresso.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e o líder do Partido, Sonia Gandhi, e seu filho Rahul, foram para Hyderabad para participar do funeral de Reddy, que acontecerá no estádio da cidade.

Milhares de pessoas se reuniram nas ruas da cidade para participar da comitiva fúnebre e dar seu último adeus a Reddy, o último de uma longa lista de políticos falecidos na Índia por acidentes de aviação.

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