A veterana chef de 20 anos

Domingo, 30 de Agosto de 2009 | Versão Impressa

Renata Vanzetto começou a cozinhar aos 9, aos 17 abriu restaurante na praia e há 2 meses trouxe filial para SP

Valéria França

Renata Vanzetto tem 20 anos. Começou a cozinhar aos 9, aos 15 dava conta do cardápio de grandes eventos e, aos 17, abriu o seu primeiro restaurante, o Marakuthai, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O ponto escolhido foi o antigo bar de uma marina, com pé na areia e uma decoração descolada à luz de velas, que deu ares mágicos ao lugar. A modernidade ficou por conta do cardápio contemporâneo com inspiração tailandesa. A casa pegou e sua fama subiu a serra, a ponto de lhe render o prêmio de chef revelação de um conceituado guia gastronômico paulistano e dois convites, um para estagiar na cozinha de Alex Atala, dono do D.O.M., e outro para posar nua numa revista -sim, além de jovem, ela é o tipo de morena que arranca suspiros dos homens na rua.

Renata recebeu o prêmio com glórias, recusou as fotos e, segundo ela, “infelizmente”, teve de postergar o estágio. “Não daria tempo.” Há dois meses, abriu uma filial do Marakuthai na capital paulista, nos Jardins. E se transformou numa espécie de ídolo de jovens candidatos a chef. “Já passaram mais de 30 estagiários na minha cozinha”, conta. “As pessoas chegam aqui animadas, dizendo que se eu consegui, mesmo sem fazer faculdade, elas também podem. Não é bem assim. Não estudei porque ainda não deu tempo.”

Ela fica mais de 14 horas por dia em pé, cozinhando e organizando o ritmo dos pedidos. “Quando chega um grupo de oito, os pedidos precisam sair juntos. É uma correria.” E, por conta disso, já tem indicação médica para operar as varizes. “A moçada pensa que ser chef é chique. Tive estagiárias que não queriam cortar cebola para não ficar com cheiro nas mãos. Outras que queriam luvas para mexer na comida. Teve um garoto que não queria cortar o frango. Eu digo que não tem jeito. Tem de colocar a mão em tudo.”

Tirando o dom para as panelas, Renata teve a sorte de contar com uma família que sempre lhe deu suporte emocional e financeiro. “Eles acreditaram nela, desde o começo”, diz Rosa Moraes, diretora da Faculdade Anhembi Morumbi, responsável pela implantação do curso de Gastronomia há dez anos, que acompanhou de perto a carreira da chef. “Nunca acharam que era uma empolgação. Apostaram em seu talento desde o início.” E, para que o restaurante saísse, houve uma espécie de mutirão na família. A tia deu o micro-ondas, a mãe, a geladeira e a decoração, o pai, o ponto. O movimento não foi muito diferente para a abertura da segunda casa. Hoje, enquanto a tia, Regiane Camargo, toca a sede, Renata fica na filial, onde conta com a ajuda da mãe, que cuida da administração, da irmã, Luiza, de 17 anos, que fica no caixa, e de várias amigas, que se dividem em outras funções.

ILHABELA

O pai, René Vanzetto, de 57 anos, era uma empresário do ramo de confecção quando, há 20 anos, resolveu mudar de vida. Vendeu o negócio que tinha em sociedade com um irmão e se mudou para Ilhabela. Investiu o dinheiro na marina onde hoje funciona o Marakuthai. Renata e Luiza nasceram e cresceram na ilha. “Às vezes, me perguntam qual é a fórmula de minhas filhas serem assim trabalhadoras”, diz a mãe, Silvia Camargo, paisagista e decoradora, de 49 anos. “Respondo que elas tiveram uma infância simples, longe do consumo exagerado, e sabem que nada vem de graça. Dão valor ao trabalho.”

Um ano antes de abrir o restaurante e pouco depois de ganhar um concurso gastronômico na ilha, Renata resolveu viajar para a Europa. Para conseguir mais dinheiro, fez um bazar de roupas usadas. A mãe pagou a passagem e ela embarcou com uma amiga para Barcelona. “Minha mãe dizia que eu ia morrer atropelada porque nunca tinha saído da ilha.” Mesmo sendo menor de idade, ela conseguiu trabalho num bufê na Espanha e depois num restaurante na França. “Aprendi com os franceses. Eles trabalham com um cardápio enxuto, deixam muitas coisas semiprontas e tudo sai rápido.”

O cardápio do Marakuthai tem dez pratos principais. E os pedidos saem mais rápido do que um fast-food. “Quer ver a Renata brava, basta deixar o prato esfriando na cozinha”, diz Carolina Klein, de 24 anos, gerente de Atendimento e amiga. O prato sai até rápido demais, antes mesmo que o cliente consiga, por exemplo, dar o segundo gole no dry martini que pediu de aperitivo.

Mas e quanto à comida? “A ideia de praticar uma cozinha contemporânea dialogando com elementos tailandeses tem agradado principalmente aos jovens e resulta em uma proposta bem-humorada, ainda que com alguns deslizes técnicos”, diz Luiz Américo Camargo, crítico do caderno Paladar, do Estado. “Mas com tão pouca idade, ela tem tempo de sobra para investir no aprimoramento. Ao que parece, o Marakuthai vai se firmando mais como uma boa balada – ambiente aconchegante, decoração descolada, clima de esquenta para a noite.”

Gripe A H1N1

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