Gripe suína matou uma grávida a cada 2 dias no Brasil

Plantão | Publicada em 27/08/2009 às 18h21m

Fabiana Parajara, O Globo

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SÃO PAULO – Uma grávida morreu a cada dois dias no Brasil, vítima do vírus influenza A H1N1, desde o início da pandemia, em maio. Nesta quinta, uma gestante de 19 anos foi submetida a cesariana no Hospital das Clínicas de Marília, em SP. Moradora de Ipaussu, ela está em estado grave, com complicações pulmonares, decorrentes de sintomas de gripe, mas ainda não ficou pronto o exame que pode atestar ou não a nova gripe. A criança, que nasceu com 36 semanas de gestação, está na UTI neonatal e passa bem.

As gestantes representam 10,4% dos 557 mortos no Brasil, em decorrência da gripe suína, até o dia 22 de agosto. A cada 10 mulheres que contraíram a doença no país, 3 estavam grávidas. Pelos números divulgados pelo Ministério da Saúde, dos 5.206 casos confirmados de gripe suína, 57,6%, são mulheres, sendo que 69% em idade fértil – 29,7% eram gestantes. Entre as grávidas que tiveram a infecção pelo vírus H1N1 comprovada em laboratório, 12% morreram.

Na última terça, também em São Paulo, morreu uma adolescente de 15 anos morreu no mesmo hospital. Vítima da gripe suína, ela estava grávida de 8 meses e os médicos induziram o parto para salvar o bebê, que sobreviveu. A garota morreu logo após a cirurgia.

De acordo com o médico Juvêncio Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, ainda não há estudos científicos que comprovem claramente como o vírus A H1N1 age no organismo das gestantes.

– Mas já sabemos que grávida tem uma resposta imunológica diferente. Por causa da gravidez, o sistema imunológico apresenta uma resposta diferente, menor. Também percebemos que a maior parte dos casos graves em gestantes é em final de gestação. Quando o volume abdominal comprime a expansão do pulmão, levando ao acúmulo de secreção e, consequentemente, a complicações – explica o médico.

Em Belo Horizonte, a família de uma jovem de 26 anos, que estava grávida de 8 meses, acusa o hospital de negligência e diz que ela foi atendida três vezes com sintomas de gripe e foi medicada apenas com antitérmico. O hospital diz que não houve erro, mas abriu sindicância interna para apurar a morte. Segundo Furtado, apesar da Organização Mundial de Saúde recomendar fortemente o antiviral Tamiflu para as grávidas, há casos em que os médicos devem avaliar se ele é realmente fundamental para o tratamento.

– Pelo exame clínico, não é possível diferenciar a gripe A da gripe comum, mas é possível diferenciar de um resfriado ou de outro problema. Em um caso de resfriado, por exemplo, o antiviral talvez não deva ser aplicado, já que, apesar de ser um medicamento aprovado, ainda não termos plena certeza de que não causa efeitos colaterais – diz Furtado, ressaltando ser a favor de que todos tenham acesso ao medicamento se necessário.

– É uma decisão que tem de ser tomada em segundos: dar ou não o medicamento. Esse é um momento muito difícil para a medicina e, infelizmente, às vezes, a gente erra – afirma o infectologista.

A Vigilância Epidemiológica de São Paulo lançou um documento específico para orientar o atendimento a mulheres grávidas no último dia 11 de agosto. A recomendação é que elas sejam medicadas com Tamiflu nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. É esta a orientação da Organização Mundial de Saúde: todas as mulheres grávidas devem receber o antiviral Tamiflu assim que apresentem sintomas gripal, assim como outros pacientes de grupo de risco, como crianças menores de 5 anos e cardiopatas.

Furtado diz que informação é essencial para as grávidas, mas ele não recomenda isolamento total.

– Ninguém precisa ficar isolado em casa. Se não há risco de contaminação no trabalho, como as gestantes que trabalham com saúde, não tem nem razão ter uma licença forçada – diz o médico.

Em São Paulo, a Vigilância Epidemiológica recomenda que as gestantes tenham atendimento prioritário nos hospitais e postos de atendimento médico e que sejam separadas de pessoas com sintomas de gripe. Orienta ainda que as mulheres grávidas evitem uso de transporte público, aglomerações e viagens. Para os serviços de pré-natal e para as maternidades, a orientação é organizar o trabalho para minimizar o risco de transmissão da doença.

Segundo o médico, apesar do Ministério da Saúde anunciar uma redução no número de casos da doença, não é momento para relaxar nos cuidados.

– Ainda é cedo demais para acreditar que a pandemia está no fim. Ainda há o risco de uma mutação, de uma segunda onda da doença mais grave, especialmente durante o inverno no hemisfério norte. Por isso, é muito importante o desenvolvimento da vacina para o H1N1. Obviamente, não haverá vacina para todos, mas os grupos de risco terão de recebê-la, como as grávidas e os profissionais de saúde – diz médico.

Para o infectologista Mauro Salles, da Santa Casa de São Paulo, que também acredita sem muito cedo para decretar o fim da pandemia, a redução dos casos também pode ter sido causada pelo maior acesso ao remédio.

– O número de casos começou a cair a duas semanas. Pouco antes, os especialistas pressionaram e conseguiram que o Ministério da Saúde liberasse a prescrição do remédio. Logo, qualquer médico podia receitá-lo, garantindo maior acesso ao remédio. Isso pode ter se refletido numa redução dos casos graves. Obviamente, pode ter havido também uma redução da pandemia. Ou as duas coisas juntas. É muito cedo para qualquer conclusão – afirma.

Os dois especialistas recomendam apenas que a população não descuide das medidas de higiene, como não compartilhar objetos pessoais e, especialmente, lavar as mãos com frequência.

Gripe A H1N1

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