FAB monta operação de guerra; 100 mil tiveram contato com água contaminada

Trata-se da maior ação da Defesa Civil na história do Brasil; há 21 pessoas com suspeita de leptospirose

Rodrigo Brancatelli e Júlio Castro


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A maior operação aérea da Defesa Civil na história do Brasil se tornou uma operação de guerra, que tem como QG uma das salas do Aeroporto Internacional de Navegantes, onde há mapas afixados com cartas aeronáuticas, quadros com missões a serem cumpridas por pilotos e tripulantes de 12 instituições estaduais e federais, incluindo Exército e Aeronáutica. Entre domingo (23) e sábado (29), foram cumpridas 459 missões, em um total de 375 horas de vôo. Agora denominada Operação Santa Catarina, a estratégia de resgate às vítimas dos soterramentos e das enchentes no Vale de Itajaí também é, segundo o Comando Aeronáutica, a maior operação aérea deflagrada no País em todos os tempos. Na América Latina, só perde para a Guerra das Malvinas, em 1982, entre Argentina e Reino Unido.

Mais de uma semana depois do início das chuvas, a FAB acredita que terá de enfrentar uma situação de “calamidade na saúde pública”, uma vez que mais de 100 mil pessoas, segundo a Superintendência de Hospitais Públicos de Santa Catarina, tiveram contato com água contaminada. “Dá um frio na espinha não saber o que vamos encontrar aqui a partir de agora”, diz o capitão farmacêutico Cidcley Samia, que ajudava ontem a montar um dos módulos do Hospital de Campanha (Hcamp), que será aberto hoje às 8 horas. “Ninguém sabe quando essa tragédia vai acabar.”

Outro problema é o ainda difícil processo de resgate, por causa das chuvas e dos deslizamentos. Ontem, mais duas pessoas morreram soterradas no Morro do Baú, num deslizamento que levou outras nove pessoas. Os técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo sobrevoaram pela manhã o Vale do Itajaí e pediram para que a Defesa Civil e o Exército evacuassem e lacrassem imediatamente uma área de 20 quilômetros quadrados do Morro, uma localidade encravada entre dois vales que ainda sofre com quedas de barreira diárias. E ainda há vítimas que – ao ouvirem os helicópteros e sentirem a possibilidade de serem retiradas de perto de suas propriedades – fogem das equipes de socorro.

Oficialmente, a Defesa Civil registrava ontem 114 mortos, 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados, além de 19 desaparecidos. E a chegada de uma frente fria nesta madrugada deve trazer mais chuva. Em novembro, foram registrados 919,5 milímetros de chuva, quando o normal para todo o mês é 110,4 ml. A Defesa Civil agora pede que as doações sejam feitas em dinheiro, pela falta de espaço para armazenar produtos.

AUXÍLIO

Daniela Cela, dentista catarinense de 37 anos que exibia uma camiseta que ela mesma fez com a frase “você é uma vida valiosa, insubstituível”, oferece ajuda aos médicos da Força Aérea Brasileira (FAB) para o que for preciso. “Se vocês precisarem de alguém para fazer atendimento, para fazer curativo, para limpar banheiro, para fazer café, eu vou”, dizia para quem trabalhava ontem na montagem do Hcamp, estrutura de guerra para ajudar no atendimento das vítimas. “Não consigo ficar em casa sem fazer nada, só olhando essa tragédia.”

Erguido no entroncamento entre as cidades de Itajaí e Ilhota, à beira da Rodovia BR-101, o Hcamp atenderá até 500 pessoas por dia nas áreas de clínica médica, ortopedia, pediatria, ginecologia e odontologia, com a mesma estrutura usada nos terremotos do México, em 1982, e de El Salvador, em 1986. Serão 35 médicos da FAB de prontidão, de vários Estados diferentes, que vão até dormir no local – há também os mais diversos voluntários, que não pararam de aparecer no dia de ontem.

“O apoio do hospital da FAB ajudará nessa fase onde podem aparecer doenças como leptospirose e hepatite (mais informações nesta página)”, diz Roberto Hess de Souza, superintendente de Hospitais Públicos de Santa Catarina. Ainda não há nenhum caso oficialmente confirmado de leptospirose, mas o Estado apurou que nos ambulatórios e hospitais da região há pelo menos 21 suspeitas até agora da doença.

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