A jogada de Tarso

Ameaçado pela anarquia na Polícia Federal e pelo assédio do PMDB, o ministro da Justiça aposta em uma nova investigação contra o banqueiro Daniel Dantas para ficar no cargo
Andrei Meireles e Rodrigo Rangel, com reportagem de Wálter Nunes

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 17/novembro/2008.


Anderson Schneider

ESPÍRITO LIVRE
Jerson Kelman, da Aneel. Como não foi indicado por nenhum partido, ele reclama abertamente dos cortes no orçamento

No alto escalão da Esplanada dos Ministérios, o ministro da Justiça, Tarso Genro, é certamente quem está mais preocupado com seu futuro no governo. Recentemente, Tarso abriu várias frentes de combate que o desgastaram. A mais delicada está na Polícia Federal. Desde que assumiu a pasta e trocou o comando da corporação, viu a polícia ser dominada pela anarquia, concretizada numa disputa fratricida em torno da investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas. O desgaste se estendeu recentemente para a frente política. Fortalecidos pela recente vitória eleitoral, dirigentes do PMDB passaram a disseminar a teoria de que a PF persegue o partido com investigações sobre seus principais líderes. Por isso, eles gostariam de remover Tarso e até de receber o comando da Justiça em troca da fidelidade ao governo Lula. Curiosamente, justamente a PF e seu trabalho sobre Dantas são hoje o principal trunfo de Tarso para tentar romper o cerco e sobreviver no governo.

Nas últimas duas semanas, Tarso tem falado com empolgação a interlocutores sobre o que seria uma nova fase da investigação sobre Dantas. Depois do barulhento afastamento do delegado Protógenes Queiroz, que comandou a investigação por quatro anos e deflagrou a Operação Satiagraha, a PF começou, na semana passada, a enviar à Justiça novos relatórios sobre suas apurações. Nos bastidores, ninguém nega que se trata de um esforço do ministro e da PF para mostrar serviço e tentar apagar a impressão de que o governo teria investido contra Protógenes para proteger Dantas. “Vamos provar o contrário. Como peça judicial, o novo trabalho é muito mais contundente e efetivo”, afirma um diretor da PF.

O novo relatório foi feito por uma equipe de 25 policiais especialistas em crimes financeiros, que trabalharam com o delegado federal Ricardo Saadi para concluir a investigação de Protógenes. Essa força-tarefa se beneficiou de providências tomadas pelo próprio Protógenes – o material coletado nas operações de apreensão da Satiagraha e as informações recebidas de bancos, da Receita Federal e de instituições financeiras no exterior que só chegaram à PF depois da Satiagraha. Um primeiro relatório da PF sobre lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta foi enviado ao juiz federal Fausto de Sanctis. “É um trabalho exemplar, baseado em provas novas e consistentes”, afirma Tarso.

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