Sobre o Seqüestro da Adolescente Eloá


Mais um caso policial vive seu momento de glória.

Penso que estamos em um tempo em que todo fato está sendo transformado em um grandioso show. São tantos os meios de comunicação, (mídias, para melhor entendimento), são tantos os canais de TV, estações de rádio, tantos jornais, revistas, sites, blogs, canais interativos… que é preciso fazer notícia; é necessário criar MUITA NOTÍCIA. Natural, sinal da contemporaneidade quando os avanços tecnológicos acontecem cada vez mais rapidamente.

A grande questão porém é essa interatividade. Essa possibilidade de se dar opinião oferecida por esse avanço tecnológico, que acaba fazendo de todos especialistas em tudo. Além de juiz de futebol (que sempre fomos) agora somos médicos, advogados, promotores, psicólogos, jornalistas etc. No caso do recente seqüestro, com triste desfecho, apontam-se culpados como se fosse fácil indicar os culpados por um caso como esses e com tanta rapidez. Traçam-se perfis psicológicos e classificam os envolvidos em patologias como se isso fosse possível de ser feito sem os procedimentos técnicos mínimos.

Eu fico aqui refletindo e me perguntando. Será que o comportamento daquele seqüestrador não teria sido outro, se não houvesse tanto “aparato midiático” em torno dele? “Panela em que muitos mexem ou sai insosso ou sai salgado”. E em casos como esse, são muitos os que mexem mesmo. Cada comentário, cada opinião que vem da mídia, verdadeiramente influencia a ação dos envolvidos.

Não teria o seqüestrador, com menos pressão e uma menor exposição, tido reação diferente? A amiga da menina seqüestrada teria voltado para as mãos do seqüestrador, não fossem os holofotes voltados para ela? Será que a negociação apenas entre “polícia e bandido” não teria dado um melhor desfecho?

E não falo da resposta comportamental apenas dos diretamente envolvidos no seqüestro. Fico imaginando como se sente uma equipe policial diante desse “aparato midiático”. Sim, eles se sentem pressionados. Tudo bem, é o trabalho deles e eles têm que estar preparados pra isso, mas a pressão tem sido excessiva gente

Mas tudo na sociedade atual é descartável. Daqui a um tempo (curtíssimo) esse caso vai cair no esquecimento mesmo. Foi assim com os recentes casos da menina Isabela, do menino João Pedro, da Gabriela… e de tantos outros.

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