“A Festa da Menina Morta” ganha a platéia por antecipação no penúltimo dia do Festival de Gramado

16/0817:07Fabio Prikladnicki

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GRAMADO – O filme nem havia começado, e Matheus Nachtergaele estava sendo calorosamente aplaudido pelo público presente na sala de exibição do Palácio dos Festivais. Bastou os apresentadores Renata Boldrini e Paulo Betti mencionarem seu nome para a platéia entusiasmar-se. “A Festa da Menina Morta”, que marca sua estréia como diretor, encerrou, nesta sexta-feira (15/08), a mostra competitiva do 36° Festival de Cinema de Gramado. A cerimônia de premiação acontece na noite do sábado.

O filme confirmou as expectativas de ser um dos concorrentes mais fortes deste ano. Confirmou, também, o rumo que o festival vem retomando nos últimos três anos, quando a curadoria passou para as mãos da dupla José Carlos Avellar e Sérgio Sanz: valorizar o “cinema de autor”. Gramado quer recuperar seu prestígio crítico, depois de ter passado algum tempo com o foco voltado para o culto excessivo às celebridades.

“A Festa da Menina Morta” estreou no Festival de Cannes, como provou a cópia exibida em Gramado, com legendas em francês. Conta a história de um rapaz (Daniel de Oliveira) que é considerado um santo em uma comunidade ribeirinha no Amazonas depois de ter encontrado os trapos de uma menina morta – que vira objeto de culto.

O rapaz também tem uma relação mal resolvida com a memória da mãe morta (Cássia Kiss) e tem uma relação incestuosa com o pai (Jackson Antunes). A cena de sexo entre os dois, por sinal, revoltou parte da platéia em Cannes (mas não em Gramado), ocasião em que algumas pessoas deixaram a sala de exibição. É um filme pesado e, ao mesmo tempo, belo – ponto para a direção de fotografia de Lula Carvalho.

A fotografia é também um dos destaques do filme que abriu a noite, “O Mistéério da Estrada de Sintra”, de Jorge Paixão da Costa, uma co-produção Brasil-Portugal (a fotografia é de Luiz Branquinho). Na apresentação, o diretor questionou o fato de estar concorrendo na categoria de filme estrangeiro.

O filme, no entanto, é falado em português de Portugal, com o sotaque, a dicçãão e as expressões idiomáticas características do paíís. Em entrevista poucas horas antes, a produtora executiva Pandora Cunha Telles havia mencionado uma experiência que teve com outro filme português exibido para o público brasileiro, quando constatou que as pessoas tendiam a entender melhor as piadas nas cópias exibidas com legendas em português do Brasil, por absurda que a opção possa parecer.

Detalhes à parte, “O Mistério” é inventivo e bem realizado, caso típico em que o diretor parece saber, da idéia ao corte final, exatamente aonde queria chegar. Não era uma tarefa fácil: adaptação do livro homônimo de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão (originalmente publicado em folhetim), o filme se vale de uma interposição de narrativas em que a trama de como a dupla de escritores criam a história se cruza com a própria históória – e os autores, literalmente, contracenam com seus personagens.

A última noite da mostra competitiva antes da premiação prestou homenagem ao diretor cubano Julio García Espinosa, que cancelou a ida a Gramado de última hora “por motivos de saúde”, conforme divulgado à imprensa. O prêmio foi um “kikito de cristal” pelo conjunto de sua obra.

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