Arquivo de Abril, 2008

Os Maias, pdf

Posted in Download, EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, PDF on 28 de Abril de 2008 by os.maias

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As obras estão em vários idiomas e se encontram para download em formato pdf

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Relação de obras literárias

  1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
  2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare
  3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
  4. Dom Casmurro -Machado de Assis
  5. Cancioneiro -Fernando Pessoa
  6. Romeu e Julieta -William Shakespeare
  7. A Cartomante -Machado de Assis
  8. Mensagem -Fernando Pessoa
  9. A Carteira -Machado de Assis
  10. A Megera Domada -William Shakespeare
  11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
  12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
  13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
  14. Dom Casmurro -Machado de Assis
  15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
  16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
  17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
  18. A Carta -Pero Vaz de Caminha
  19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
  20. Macbeth -William Shakespeare
  21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
  22. A Tempestade -William Shakespeare
  23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa
  24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
  25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
  26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
  27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
  28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare
  29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
  30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
  31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  32. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  33. Arte Poética -Aristóteles
  34. Conto de Inverno -William Shakespeare
  35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
  36. Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
  37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
  38. A Metamorfose -Franz Kafka
  39. A Cartomante -Machado de Assis
  40. Rei Lear -William Shakespeare
  41. A Causa Secreta -Machado de Assis
  42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
  43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
  44. Júlio César -William Shakespeare
  45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
  46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  47. Cancioneiro -Fernando Pessoa
  48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
  49. A Ela -Machado de Assis
  50. O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
  51. Dom Casmurro -Machado de Assis
  52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
  53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  54. Adão e Eva -Machado de Assis
  55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
  56. A Chinela Turca -Machado de Assis
  57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
  58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca
  59. As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
  60. Iracema -José de Alencar
  61. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  62. Ricardo III -William Shakespeare
  63. O Alienista -Machado de Assis
  64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
  65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
  66. A Carteira -Machado de Assis
  67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
  68. Senhora -José de Alencar
  69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
  70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
  72. Sonetos -Luís Vaz de Camões
  73. Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
  74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
  75. Iracema -José de Alencar
  76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
  77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
  78. O Guarani -José de Alencar
  79. A Mulher de Preto -Machado de Assis
  80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
  81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
  82. A Pianista -Machado de Assis
  83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
  84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
  85. A Herança -Machado de Assis
  86. A chave -Machado de Assis
  87. Eu -Augusto dos Anjos
  88. As Primaveras -Casimiro de Abreu
  89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
  90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
  91. Quincas Borba -Machado de Assis
  92. A Segunda Vida -Machado de Assis
  93. Os Sertões -Euclides da Cunha
  94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
  95. O Alienista -Machado de Assis
  96. Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
  97. Medida Por Medida -William Shakespeare
  98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
  99. A Alma do Lázaro -José de Alencar
  100. A Vida Eterna -Machado de Assis
  101. A Causa Secreta -Machado de Assis
  102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
  103. Divina Comedia -Dante Alighieri
  104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
  105. Coriolano -William Shakespeare
  106. Astúcias de Marido -Machado de Assis
  107. Senhora -José de Alencar
  108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
  109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
  111. A “Não-me-toques”! -Artur Azevedo
  112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
  113. Obras Seletas -Rui Barbosa
  114. A Mão e a Luva -Machado de Assis
  115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
  116. Aurora sem Dia -Machado de Assis
  117. Édipo-Rei -Sófocles
  118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
  119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis
  120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
  121. Tito Andrônico -William Shakespeare
  122. Adão e Eva -Machado de Assis
  123. Os Sertões -Euclides da Cunha
  124. Esaú e Jacó -Machado de Assis
  125. Don Quixote -Miguel de Cervantes
  126. Camões -Joaquim Nabuco
  127. Antes que Cases -Machado de Assis
  128. A melhor das noivas -Machado de Assis
  129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca
  130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
  131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
  132. Helena -Machado de Assis
  133. Contos -José Maria Eça de Queirós
  134. A Sereníssima República -Machado de Assis
  135. Iliada -Homero
  136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
  137. A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
  138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
  139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
  140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
  141. Anedota Pecuniária -Machado de Assis
  142. A Carne -Júlio Ribeiro
  143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  144. Don Quijote -Miguel de Cervantes
  145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
  146. A Semana -Machado de Assis
  147. A viúva Sobral -Machado de Assis
  148. A Princesa de Babilônia -Voltaire
  149. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
  150. Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
  151. Papéis Avulsos -Machado de Assis
  152. Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
  153. Cartas DAmor -José Maria Eça de Queirós
  154. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
  155. Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
  156. Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
  157. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
  158. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
  159. Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
  160. Almas Agradecidas -Machado de Assis
  161. Cartas DAmor – O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
  162. Contos Fluminenses -Machado de Assis
  163. Odisséia -Homero
  164. Quincas Borba -Machado de Assis
  165. A Mulher de Preto -Machado de Assis
  166. Balas de Estalo -Machado de Assis
  167. A Senhora do Galvão -Machado de Assis
  168. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  169. A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
  170. Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
  171. CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
  172. Cinco Minutos -José de Alencar
  173. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  174. Lucíola -José de Alencar
  175. A Parasita Azul -Machado de Assis
  176. A Viuvinha -José de Alencar
  177. Utopia -Thomas Morus
  178. Missa do Galo -Machado de Assis
  179. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
  180. História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
  181. Hamlet -William Shakespeare
  182. A Ama-Seca -Artur Azevedo
  183. O Espelho -Machado de Assis
  184. Helena -Machado de Assis
  185. As Academias de Sião -Machado de Assis
  186. A Carne -Júlio Ribeiro
  187. A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
  188. Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
  189. Antes da Missa -Machado de Assis
  190. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
  191. A Carta -Pero Vaz de Caminha
  192. LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
  193. A mulher Pálida -Machado de Assis
  194. Americanas -Machado de Assis
  195. Cândido -Voltaire
  196. Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
  197. El Arte de la Guerra -Sun Tzu
  198. Conto de Escola -Machado de Assis
  199. Redondilhas -Luís Vaz de Camões
  200. Iluminuras -Arthur Rimbaud
  201. Schopenhauer -Thomas Mann
  202. Carolina -Casimiro de Abreu
  203. A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
  204. Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
  205. Memorial de Aires -Machado de Assis
  206. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
  207. A última receita -Machado de Assis
  208. 7 Canções -Salomão Rovedo
  209. Antologia -Antero de Quental
  210. O Alienista -Machado de Assis
  211. Outras Poesias -Augusto dos Anjos
  212. Alma Inquieta -Olavo Bilac
  213. A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
  214. A Semana -Machado de Assis
  215. Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
  216. A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
  217. Esaú e Jacó -Machado de Assis
  218. Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
  219. História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
  220. A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
  221. Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
  222. Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
  223. Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
  224. A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
  225. Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
  226. As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
  227. O LIVRO DELE -Florbela Espanca
  228. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
  229. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
  230. Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  231. A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
  232. Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
  233. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
  234. A Bela Madame Vargas -João do Rio
  235. Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
  236. Cinco Mulheres -Machado de Assis
  237. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
  238. O Cortiço -Aluísio Azevedo
  239. RELIQUIAE -Florbela Espanca
  240. Minha formação -Joaquim Nabuco
  241. A Conselho do Marido -Artur Azevedo
  242. Auto da Alma -Gil Vicente
  243. 345 -Artur Azevedo
  244. O Dicionário -Machado de Assis
  245. Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
  246. A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
  247. AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
  248. Cinco minutos -José de Alencar
  249. Lucíola -José de Alencar
  250. Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
  251. A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
  252. A Alegria da Revolução -Ken Knab
  253. O Ateneu -Raul Pompéia
  254. O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
  255. Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
  256. A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
  257. Noite de Almirante -Machado de Assis
  258. O Sertanejo -José de Alencar
  259. A Conquista -Coelho Neto
  260. Casa Velha -Machado de Assis
  261. O Enfermeiro -Machado de Assis
  262. O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
  263. Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
  264. A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
  265. Poemas -Safo
  266. A Viuvinha -José de Alencar
  267. Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
  268. Contos para Velhos -Olavo Bilac
  269. Ulysses -James Joyce
  270. 13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
  271. Cícero -Plutarco
  272. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
  273. Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
  274. As Religiões no Rio -João do Rio
  275. Várias Histórias -Machado de Assis
  276. A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
  277. Bons Dias -Machado de Assis
  278. O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
  279. A Capital Federal -Artur Azevedo
  280. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
  281. As Forças Caudinas -Machado de Assis
  282. Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
  283. Balas de Estalo -Machado de Assis
  284. AS VIAGENS -Olavo Bilac
  285. Antigonas -Sofócles
  286. A Dívida -Artur Azevedo
  287. Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
  288. Uns Braços -Machado de Assis
  289. Ubirajara -José de Alencar
  290. Poética -Aristóteles
  291. Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
  292. A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
  293. Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
  294. Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  295. Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
  296. Via-Láctea -Olavo Bilac
  297. O Mulato -Aluísio de Azevedo
  298. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
  299. Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
  300. A Pata da Gazela -José de Alencar
  301. BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
  302. Vozes dÁfrica -Antônio Frederico de Castro Alves
  303. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  304. O que é o Casamento? -José de Alencar
  305. A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht
  306. A Casa Fechada -Roberto Gomes Ribeiro
  307. As Asas de um Anjo (Comédia) -José de Alencar
  308. Béatrix -Honoré de Balzac
  309. Diva -José de Alencar
  310. A Melhor Amiga -Artur Azevedo
  311. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
  312. CONTOS AVULSOS -Alcântara Machado
  313. Poemas Humorísticos e Irônicos -João da Cruz e Sousa
  314. Cantiga de Esponsais -Machado de Assis
  315. Quincas Borba -Machado de Assis
  316. Brincar com fogo -Machado de Assis
  317. Helena -Machado de Assis
  318. Dentro da noite -João do Rio
  319. O Livro da Lei -Aleister Crowley
  320. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia -José de Santa Rita Durão
  321. Conto de Escola -Machado de Assis
  322. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
  323. Poemas Malditos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  324. Ao Entardecer (contos vários) -Visconde de Taunay
  325. Felicidade pelo Casamento -Machado de Assis
  326. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
  327. Cartas Chilenas -Tomáz Antônio Gonzaga
  328. O Mulato -Aluísio de Azevedo
  329. Farsa do Velho da Horta -Gil Vicente
  330. Amor com Amor se Paga -Joaquim José da França Júnior

Carmina Burana – CdRip by LMD

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1. O Fortuna
2. Fortune plango vulnera(Fortuna imperatrix mundi)
3. Veris leta facies(I Primo Vere)
4. Omnia sol temperat(I Primo Vere)
5. Ecca gratum(I Primo Vere)
6. Tanz(Uf dem anger)
7. Floret Silva Nobilis(Uf dem anger)
8. Chramer,gip die varwe mir(Uf dem anger)
9. Reie(Uf dem anger)/ Swaz hie gat umbe(Uf dem anger)/ Chume,chum geselle min(Uf dem anger)
10. Were diu werlt alle min(Uf dem anger)
11. Estuans interius(II In taberna)
12. Olim lacus colueram(II In taberna)
13. Ego sum abbas(II In taberna)
14. In taberna quando sumus(II In taberna)
15. Amor volat undique(III Cours damours)
16. Dies,nox et omnia(III Cours damours)
17. Stetis puella(III Cours damours)
18. Circa mea pectora(III Cours damours)
19. Si puer cum puellula(III Cours damours)
20. Veni,veni,venias(III Cours damours)
21. In trutina(III Cours damours)
22. Tempus est iocunduni(III Cours damours)
23. Dulcissime(III Cours damours)
24. Ave formosissima(Blanziflor et helena)
25. O Fortuna(Fortuna imperatrix mundi)

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TRILHA SONORA DE : Esperança – 2003 – CdRip by LMD

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1. Esperança (4 Idiomas) – Laura Pausini / Alejandro Sanz / Gilbert / Fama Coral
2. Eu e o Sabiá – Chitãozinho & Xororó
3. Vem Sonhar – Leonardo
4. Onde Está Meu Amor? – RPM
5. Milagreiro – Djavan
6. Muito Amor – Fagner
7. Viola Quebrada – Pena Branca & Xavantinho
8. Novamente – Clara Becker
9. Notícias – Marina
10. Templo – Chico César
11. Onde Ir – Vanessa da Mata
12. O Cio da Terra – Milton Nascimento / Chico Buarque
13. Bicho do Mato – Arleno Farias
14. O Que Foi Feito Deverá – Elis Regina
15. Esperança – Fama Coral

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Pais de Madeline acreditam que a filha está viva

Posted in NOTICIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias

LONDRES – Gerry McCann, pai da menina Madeleine McCann, desaparecida há quase um ano em Portugal, acredita que a filha está viva, segundo afirma em documentário feito depois de visitar um centro nos EUA especializado em casos de menores perdidos. No programa, que será exibido no próximo dia 30 na rede britânica ITV, o pai da menina admite que crê que ela está viva em algum lugar.

– Realmente creio nisso – afirma.

O filme mostra os pais de Madeleine – Gerry e Kate McCann – nos EUA, onde se interessaram pelo sistema de “Alerta âmbar”, posto em funcionamento quando desaparece um menor. Dos seqüestros de crianças nos EUA, 40% a 50% terminam com a morte do menor, e que quanto mais novo é menor a possibilidade dele ser maltratado, explicou McCann.

– E estas pessoas são experientes em investigações – disse Gerry sobra as informações recebidas nos EUA.

Durante a viagem ao país, os pais de Madeleine se reuniram com Ed Smart, cuja filha Elizabeth, de 15 anos, ficou desaparecida por nove meses antes de ser encontrada sã e salva. Smart apoiou uma campanha nos meios de comunicação para alertar sobre o caso de sua filha até que ela foi reconhecida por uma pessoa na rua enquanto estava com seu seqüestrador. O pai de Elizabeth Smart está em contato com os McCann há mais de dez meses, mas eles só se viram pela primeira vez durante esta visita dos pais de Madeleine aos Estados Unidos.

Os McCann visitaram o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, que lhes informou que 80% dos menores desaparecidos são encontrados 72 horas depois de ativado o sistema de “Alerta âmbar”. O mecanismo consiste em denunciar rapidamente o desaparecimento de um menor para que os meios de comunicação e a polícia alertem e trabalhem sobre o caso.

No documentário, cujo conteúdo foi adiantado neste domingo pelos meios britânicos, a mãe de Madeleine disse que ainda tem esperanças de encontrar sua filha e confia que na Europa se pode aplicar um sistema similar ao utilizado nos EUA. Os pais da menina britânica visitaram recentemente o Parlamento Europeu para dar seu apoio a um mecanismo rápido de alerta que permita localizar menores desaparecidos.

Madeleine desapareceu no dia 3 de maio de 2007 do quarto em que dormia com seus irmãos em um hotel de Praia da Luz, no Algarve (sul portugués), enquanto seus pais jantavam em um restaurante próximo. Desde então, os McCann empreendem uma intensa campanha para pedir à população que lhes ajude a localizar a filha.

EFE

Mar agitado no Rio registra ondas de até 2,5 metros no domingo

Posted in NOTICIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias

Para meteorologistas, mar agitado foi conseqüência de um ciclone extratropical em alto mar na Argentina

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo


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RIO – O mar voltou a ficar agitado com grandes ondas no Rio de Janeiro neste domingo, 27. O dia de sol levou milhares de pessoas às praias. Na de Itaipu, em Niterói (Grande Rio), as ondas chegaram a 2,5 metros e deixaram o Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros em estado de alerta. Na concorrida orla da zona sul do Rio, as ondas também alcançaram 2 metros de altura.

Fábio Motta/AE

A praia, uma enseada de águas normalmente tranqüilas, teve neste domingo dois casos de salvamento nos quais foi usado um helicóptero para resgatar as vítimas. Um banhista que andava de jet-ski ficou à deriva e também foi resgatado. Na orla da Zona Sul do Rio, poucos banhistas se arriscaram a entrar no mar. Na Praia do Leblon, as ondas, que chegavam a 2 metros, quebravam com força nas pedras, num espetáculo que reuniu curiosos no mirante.

De acordo com meteorologistas, o mar agitado foi conseqüência de um ciclone extratropical em alto mar na Argentina. “Os ventos fortes provocaram ondas que avançaram sobre o oceano e chegaram ao litoral sudeste. A tendência amanhã é de redução”, disse André Madeira, meteorologista do Climatempo.Segundo ele, a partir de quarta-feira, na véspera do feriado prolongado de 1º de Maio, o mar voltará a subir a por causa de uma frente fria, que também provocará chuvas.

Ele explica que a agitação do mar no Rio é normal entre maio e setembro, mas a antecipação do fenômeno não chega a causar espanto. Na semana passada, a agitação do mar causou ressaca na orla do Rio e invadiu a Baía de Guanabara, entre o Rio e Niterói.

O mar revolto causou a interrupção do tráfego de catamarãs entre Charitas (Niterói) e a Praça XV (Rio) depois que um acidente deixou pelo menos 17 feridos. A embarcação, com 237 passageiros a bordo, teve uma porta da proa arrancada pela rebentação transversal, que atingiu pessoas que estavam nas primeiras fileiras.

As vítimas, entre elas duas mulheres grávidas tiveram ferimentos leves e foram atendidas em ambulâncias. A Capitania dos Portos suspendeu a travessia na quinta-feira, dia do acidente e também no dia seguinte, quando as condições do mar permaneciam ruins.

Caso Isabella, um interesse Público ou do público?

Posted in NOTICIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias
Imagem da capa da revista VEJA (somente para ilustração)
(Capa que , apesar do tema , achei lindissima, merecedora de premiação)

O caso Isabella Nardoni tomou conta do noticiário e da programação da televisão brasileira desde o acontecido do dia 29 de março, é inegável o espaço excessivo que a mídia vem dando para este caso, explorando de forma sensacionalista essa tragédia.

A mídia, obrigatoriamente, deve agir com responsabilidade e principalmente com ética na cobertura do fato que atinge emocionalmente todos os brasileiros.

Explorar com sensacionalismo para conseguir pontos extras nos índices de audiência não pode ser um escopo dos líderes de comunicação, pois o papel essencial da imprensa é o de fornecer para a sociedade o material jornalístico que contribua efetivamente para elevar o nível de informação, de consciência e de compreensão da nossa realidade, embasado sempre na verdade real.

Independentemente de culpa comprovada ou não dos suspeitos, a verdade é que os dois investigados pela morte da menina estão sendo execrados pelo público, na medida em que não estão sendo observados os princípios que norteiam a sociedade e o Direito.

Devem ser cautelosamente observadas as prerrogativas que a Constituição e o Código Penal garantem, bem como o princípio da intimidade, o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da presunção de inocência.

As pessoas têm o pleno direito de expor suas opiniões sobre o fato, mas o que a mídia e a população vêm fazendo é uma afronta a estes princípios. O espetáculo que é apresentado diariamente na televisão gera milhares de discussões. Será que a competência para julgar e/ou punir os responsáveis pelo crime é de interesse público ou do público?

O que deveria ser de competência do Estado em resolver e oportunamente punir os responsáveis por este crime bárbaro, virou uma espécie de “espetáculo”, uma novela com capítulos diários preenchidos de detalhes irrelevantes e paralelos, mas dotados de suspense suficiente para manter o telespectador aprisionado no enredo da história, não se preocupando com o direito das pessoas envolvidas, como vizinhos, parentes etc.

O que a população e a mídia devem entender é que este caso não é um plebiscito e que não incumbe à opinião pública nenhum julgamento prévio. Devemos deixar para que a justiça seja feita por aqueles que têm conhecimento técnico, jurídico e obrigação para tanto.

Patrícia Ramachoti

OS MAIAS, EÇA DE QUEIROZ ,Boal Biblioteca On-lineÁudio de Literatura

Posted in AUDIO, EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias
Autor: Eça Queirós
Ano nascimento: 1845
Ano óbido: 1900
Época: Realismo e correntes finisseculares
Obras: · Os Maias
· Civilização
· O Primo Basílio
· Frei Genebro
· Uma Campanha Alegre
· Correspondência de Fradique Mendes
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Gilberto Freyre: a leitura sociológica da obra de Eça de Queirós

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias

Gilberto Freyre escreveu em suas autobiografias que, aos dezesseis anos, já tinha lido quase toda a obra de Eça de Queirós. Essa admiração pelo autor de Os Maias pode ser constatada nas inúmeras referências a Eça e a seus personagens, encontradas na vasta obra de Freyre e que apontam para as qualidades da análise sociológica de Eça, para o seu apego às tradições portuguesas ou para o seu hipotético regionalismo telúrico.

Segundo Sebastião Vila Nova:

Difícil não cogitar tenha Eça causado impressão indelével e influência marcante em quem o tenha lido tão jovem. Como um realista, embora não ortodoxo, Eça foi inevitavelmente um cronista de costumes, um ficcionista etnográfico e sociologista, ao modo de Balzac e, principalmente, Flaubert e Zola. Cabe, a esta altura, especular: em que medida o etnografismo ostensivo e o inevitável sociologismo, tão afiados em Eça, não terão despertado a inteligência e a sensibilidade do adolescente que viria a torna-se uma das mais penetrantes e refinadas expressões nos estudos sociais no Brasil? (2000,p.198)

Tomando como referência esse questionamento, tentaremos registrar pontos similares entre as obras de Eça de Queirós e de Gilberto Freyre, a partir da reconstituição da leitura que o escritor brasileiro fez dos textos do literato português. Uma primeira interpretação da obra dos dois escritores permite-nos estabelecer que Gilberto Freyre, um precursor no estudo do hibridismo cultural brasileiro, e Eça de Queirós tinham em comum uma visão que poderia ser designada por parte da crítica pós-colonialista como “transcultural”: ambos escreveram obras que valorizam a tradição cultural de seus respectivos países, após terem tido contato com a de outros, considerados mais desenvolvidos.

É evidente que o adjetivo “transcultural” não pode ser, a rigor, empregado em relação a Eça de Queirós, já que o termo foi cunhado tempos depois de seus escritos, não havendo também entre Portugal e os centros de poder da Europa uma distância cultural tão grande quanto aquela presente nos meios coloniais que inspiraram a formulação do termo por Angel Rama. Mas acreditamos que sua aplicação no caso de Eça, ainda que um tanto impropriamente, e tendo isso em vista, pode gerar interessantes reflexões.

Tanto Gilberto quanto Eça afastaram-se de sua terra natal e a visão distanciada, a formação universal, permitiu um olhar sobre o regional a partir do “iodo da oceanidade”, do “sal da universalidade” e de “valores transnacionais” (Freyre,1978, p.17). Ambos são simultaneamente cosmopolitas e regionalistas, modernos e tradicionais, conscientes dos valores universais, mas valorizando os locais. Enquanto o diplomata Eça se caracteriza ironicamente como apenas um “pobre homem de Póvoa de Varzim”, Freyre, em entrevista à TV Cultura, de São Paulo, na década de 1970, afirmou: “Sou um brasileiro de Pernambuco. Gosto muito de minha província. Sou sedentário e ao mesmo tempo nômade. Gosto da rotina e gosto da aventura. Gosto dos meus chinelos e gosto de viajar.”(Maciel, 2000, p.330).

Essa primeira hipótese sobre a semelhança do caráter sociológico de algumas obras dos dois autores, arquitetadas e escritas quando ambos estavam longe de sua terra natal, pode ser reforçada pela visão de Edward Said a propósito desse assunto, no ensaio “Reflexões sobre o exílio”.

Embora talvez pareça estranho falar dos prazeres do exílio, há certas coisas positivas para se dizer sobre algumas de suas condições. Ver ‘o mundo inteiro como uma terra estrangeira’ possibilita a originalidade da visão. A maioria das pessoas tem consciência de uma cultura, um cenário, um país; os exilados têm consciência de pelo menos dois desses aspectos, e essa pluralidade de visão dá origem a uma consciência de dimensões simultâneas, uma consciência que – para tomar emprestada uma palavra da música – é contrapontística.

Para o exilado, os hábitos de vida, expressão ou atividade no novo ambiente ocorrem inevitavelmente contra o pano de fundo da memória dessas coisas em outro ambiente. Assim, ambos os ambientes são vívidos, reais, ocorrem juntos como no contraponto. (Said, 2003, p.46)

Partindo da leitura desse excerto, pode-se pensar que a mudança gradual da visão de Eça de Queirós em relação a Portugal poderia ser, em parte, atribuída a seu “exílio” na França. Sua longa ausência da pátria, interrompida por breves retornos, começa aos 27 anos, em 1872, quando assume cargos diplomáticos em diversas partes do mundo, conhecendo, inclusive, a trabalho ou simplesmente a passeio, regiões então colonizadas.

Ainda segundo Said (2003, p.54), nesse mesmo ensaio, a palavra “exílio” não seria a melhor a ser empregada no caso de Eça, e sim, mais apropriadamente, “emigrado” ou “expatriado”, visto que se retirou para Paris, de certa forma voluntariamente, podendo, se assim o quisesse, desistir de suas funções diplomáticas a qualquer momento e retornar a sua pátria. Mas, se a definição da palavra não se ajusta rigorosamente à situação do escritor, com certeza, “o sentimento do exílio”, sim. Sabemos que esse sentimento cria, no exilado, uma visão mítica, memorialista, essencialista de sua terra. Esse mesmo sentimento poderia ter sido a motivação que levou Gilberto Freyre a escrever, em 1922, na Universidade de Columbia, Nova York, sua dissertação para obter o grau de Mestre sobre a Vida social no Brasil nos meados do século XIX, texto embrionário daquela que viria a ser a sua principal obra: Casa Grande & Senzala.

A publicação de Os Maias, em 1888, foi considerada por Antonio Candido como o grande marco da mudança ideológica de Eça:

… Eça já não era mais o romancista urbanófilo das primeiras obras, como também já não era mais o socialista dos primeiros tempos: havia abandonado a linha da oposição e do sarcasmo integral. O colaborador d’As Farpas ¾ para quem a salvação do país estava na introdução do progresso técnico e científico, na liquidação do paternalismo agrário ¾ começara a se deixar invadir pela sedução do velho Portugal. Os seus romances irão revelar, pouco a pouco, um abandono do ponto de vista urbanista em proveito do sentimento rural; em proveito daquele mesmo passado que ele a princípio renegou integralmente.

Os Maias exprimem com nitidez este recuo ideológico. (1978, p.41)

… Nessa passagem da cidade para o campo Os Maias ocupam posição-chave, porque significam a liquidação definitiva da sociedade lisboeta, e porque na sua trama ressalta a quinta Santa Olávia como contrapeso e fonte de energia moral. O campo abastece a cidade de material humano. (1978, p.43)

Ainda que haja, a partir de Os Maias, uma postura mais complacente de Eça de Queirós com o povo português e seus hábitos, tão duramente por ele criticados em seus textos anteriores, ficcionais e jornalísticos, devido à sua estagnação cultural, política e econômica, frente ao progresso de outros países europeus, parece-nos que isso só acontece porque a cidade, e o referencial civilizacional, que representa começa a perder força dentro da obra de Eça. É menos complacência com o campo e com a cultura tradicional portuguesa, do que detração da cidade e decepção com a que seria a alta cultura européia.

Diríamos que a possibilidade de analisar seu país à distância, “a consciência contrapontística”, pode ter provocado em Eça (e por que não também influenciado Gilberto Freyre?) uma reavaliação de seu julgamento em relação à tradição cultural, à história, e ao passado do povo português, considerando-o mais positivo em vista da negatividade que passou a encontrar no até então imaculado ideal europeu (ou melhor, francês e inglês) de civilização.

Escreve Said no mesmo ensaio: “Chegamos ao nacionalismo e sua associação essencial ao exílio. O nacionalismo é uma declaração de pertencer a um lugar, a um povo, a uma herança cultural.” (2003, p.49)

Podemos também perceber que o escritor português, à medida que se afasta de sua terra, vai aguçar sua crítica à história da cultura de seu país, marcada desde o século XVIII por uma postura quase servil ou subalterna em relação a tudo que vinha dos países europeus situados além da Península Ibérica. Seu texto O francesismo (Queirós, 1947, v.XI, p.333-357), escrito entre 1887 e 1888, é capital para se entender essa sua nova fase: marcada por um forte aspecto sociológico, faz severas críticas sobre a mentalidade e as atitudes portuguesas afrancesadas, desde a culinária até o âmbito das idéias.

A partir da leitura do texto O conceito de transculturação na obra de Angel Rama, de Flávio W. Aguiar e de Sandra Guardini T. de Vasconcelos, notamos várias semelhanças entre a descrição da formação intelectual de Guimarães Rosa, Gilberto Freyre e, para nós, também de Eça de Queirós. Essa formação intelectual teria feito de Guimarães Rosa um “transculturador”, segundo alguns teóricos dos estudos culturais. O referido modernista brasileiro foi descrito como “um escritor cuja formação foi profundamente marcada por essa experiência de mediação entre dois mundos, ou entre dois modos de vida, um rural e tradicional e outro urbano e moderno” (Aguiar & Guardini, 2003, p.4), que se formou lentamente nas artes da narração, leitor de assuntos como religião, literatura, filosofia, que correu o mundo como diplomata e “cuja mistura programática desses saberes” faz de sua obra “um espaço entre a modernidade urbana e a cultura tradicional-oral das comunidades rurais”. (Aguiar & Guardini, 2003, p.5)

Levando-se em conta que Gilberto Freyre só não foi diplomata, a descrição acima poderia ser atribuída tanto a Freyre quanto ao escritor português. Não queremos aqui ousar empregar a mesma classificação de transculturador para Eça, já que essa denominação é normalmente empregada para artistas e intelectuais oriundos de países submetidos à colonização; mas, não deixa de ser instigante essa comparação entre Guimarães Rosa e Eça de Queirós, se pensarmos em Portugal como um país periférico, uma verdadeira colônia da Europa, cuja cultura “macaqueava”:

… Bem mais justo era o horror que lhe inspirava, na vida social de Lisboa, a inábil, descomedida e palpava imitação de Paris. Essa “saloia macaqueação”, superiormente denunciada por ele numa carta que me escreveu em 1885, e onde assenta, num luminoso resumo, que “Lisboa é uma cidade traduzida do francês em calão¾ tornava-se para Fradique, apenas transpunha Santa Apolônia, um tormento sincero. E a sua ansiedade perpétua era então descobrir, através da frandulagem do francesismo, algum resto genuíno de Portugal. (Queiroz, 1947, v.VI, p.388)

Eça acreditava que sua terra natal teria passado à condição de “colônia” econômica da Inglaterra, depois do Ultimato, em 1890. Será que o isolamento do escritor em seus últimos anos em Paris, tendo poucas amizades, quase restritas à de brasileiros lá residentes, como Eduardo e Paulo Prado, não viria a confirmar o “sentimento de exílio” a que se refere Said? Estaria na raiz da sua empatia com pessoas provenientes de um país colonizado, a consciência de que a sua condição de cidadão português não era muito diferente da deles?

Gilberto Freyre, no parágrafo inicial do prefácio à 1ª edição de Casa-Grande & Senzala, escreve sobre a gênese da obra, onde inclui a importância do exílio na sua elaboração: “Em outubro de 1930 ocorreu-me a aventura do exílio. Levou-me primeiro à Bahia; depois a Portugal, com escala pela África. O tipo de viagem ideal para os estudos e as preocupações que este ensaio reflete.” (1975, p.lv). Mais adiante, comenta que, tendo sido convidado, em 1931, para ministrar alguns cursos na Universidade de Stanford, regressou da Califórnia a Nova Iorque através do Novo México, do Arizona e do Texas. Sobre essa experiência, escreve:

A todo estudioso da formação patriarcal e da economia escravocrata do Brasil impõe-se o conhecimento do chamado ‘deep South’. As mesmas influências de técnica de produção e trabalho – a monocultura e a escravidão – uniram-se naquela parte inglesa da América como nas Antilhas e em Jamaica, para produzir resultados sociais semelhantes aos que se verificaram entre nós. Às vezes tão semelhante que só varia o acessório: as diferenças de língua, de raça e de forma de religião. (1975, p.lvi – lvii)

Concluindo essa linha de pensamento, lembremos também Abdala, ao escrever sobre o “(…) sentimento de exílio, de que se imbuía a intelectualidade brasileira: ao ir à Europa, Nabuco sente a ausência da pátria; se está no país, sente a ausência do mundo” (Abdala, 2002, p.46). Podemos, similarmente, empregar as mesmas palavras em relação a Eça e a Gilberto Freyre, confirmando neles a visão transculturadora:

… essa perspectiva de fronteiras múltiplas do homem dividido ou integralizado em pelo menos duas fronteiras, onde ele se desenraíza de sua terra de origem sem se enraizar na terra de origem dos outros, coexistindo com grupos sociais migrantes de outras culturas, pode favorecer a criação de hábitos críticos, em razão dessa contraposição de perspectivas. Através desses contatos e ausências, próprios de uma população nômade, em constante circulação e deslocamento, a identidade afirma-se ainda mais como vir-a-ser, sem um porto de chegada, permitindo o afastamento de mitologias essencialistas. (Abdala, 2002, p.46-47).

Eça de Queirós na formação intelectual de Gilberto Freyre

Segundo a reportagem de Cristiana Tejo “Centenário reacende ecite em Pernambuco”, Paulo Cavalcanti, um dos maiores estudiosos do escritor português, considera Recife a cidade mais eciana do País. Nela se formou a Sociedade Eça de Queiroz, que desde 1948 promove reuniões para conversar e discutir a obra do prosador português, nos jantares Ecianos do Recife. Citando ainda o artigo:

Até a década de 50, eram os brasileiros os maiores apaixonados e estudiosos do escritor, febre chamada por muitos como ecite e que atingira não apenas grande parte da população mas também autores que se declararam influenciados por ele, como Martins Pena, Martins Fontes, Olavo Bilac, Domício da Gama, Eduardo e Paulo Prado e outros notáveis admiradores como Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, José Lins do Rego. (Tejo, 2000)

Gilberto Freyre, freqüentador assíduo das rodas intelectuais pernambucanas, parece ter se contaminado pela ecite já em sua casa, pois o ensaísta comenta a presença de Eça em sua formação intelectual, desde a infância: o autor de Os Maias figurava entre os preferidos do Professor Alfredo Freyre, pai de Gilberto, como este evoca:

Seus clássicos prediletos eram Camões, Frei Luís de Souza, Castilho e Herculano. Dentre os brasileiros, Vieira. Mas sem deixar de saborear o seu Oliveira Martins, o seu Ramalho Ortigão e o seu Eça, a quem perdoava os galicismos por amor ao que, no autor de Os Maias, era graça literária, ironia viva, coragem de crítica social. (Freyre, 1964, p.27)

No livro memorialista Tempo morto e outros tempos, em confissão registrada em 1916, revela o escritor brasileiro: “Mário Severo me aconselha Flaubert, que ainda não li. Eça já li quase todo; é o autor mais lido pelos estudantes da ‘república’ de Mário que me emprestou um livro de Eça que eu não conhecia: Prosas Bárbaras. Meu entusiasmo é pelo Os Maias.” (Freyre, 1975, p.9)

Essa admiração se encontra em alguns de seus ensaios, como, por exemplo, quando Gilberto Freyre, expressando sua opinião sobre o assunto em pauta, busca legitimar seus argumentos em Eça, através da voz de Carlos da Maia:

Neste ponto me parece ter acertado com a verdade o Eça de Queiroz através do Carlos da Maia: o Carlos da Maia tão conhecido de tantos de nós, devotos daquele ouro Santo Antônio de Lisboa que se tornou para os brasileiros dos princípios deste século de pouca fé e de muita literatura, o “pobre homem de Póvoa de Varzim”. (Freyre, 1965, p.88)

Esse entusiasmo com Os Maias e com a produção de Eça posterior a ela, incluindo-se a jornalística, é extremamente precoce, uma vez que toda a crítica portuguesa da época, como se pode verificar em Antonio José Saraiva, considerava os textos da segunda fase de Eça uma obra menor, um regresso ao nacionalismo romântico de Júlio Dinis. Provavelmente, as características sociológicas que o escritor português imprimiu em suas obras, já chamavam a atenção do jovem ensaísta.

Essa atenção pode ser percebida nas inúmeras referências ao autor português feitas por Gilberto Freyre, em seus mais diversos textos, principalmente em conferências e artigos publicados na imprensa. Observe-se, no excerto baixo, a admiração pela análise sociológica de Eça:

(…) desde os meados do século XIX a África negra tomaria também cores messiânicas aos olhos de portugueses com a velha fibra pioneira e o antigo gosto por aventuras nos trópicos -inclusive a aventura da evasão, da fuga, naquela época de afrancesamento e de anglicização das elites portuguesas – em revolta contra a proximidade, em que se passou a viver na metrópole, aos excessos mecânicos e aos requintes ao mesmo tempo técnicos, cientificistas e “decadentistas” em arte e literatura, da Europa. Excessos, estes, que seriam duramente ridicularizados por um escritor português de gênio, cuja figura avulta do Portugal da segunda metade do mesmo século XIX com um extraordinário relevo: Eça de Queiroz. E’ que Queiroz, sob a aparência de simples diletante em torno de assuntos sociológicos e históricos relacionados com Portugal – os da especialidade do seu amigo e sob alguns aspectos, mestre, Oliveira Martins- fez às vezes, neste particular, obra de analista social arguto, e parece ter sido dos que começaram a compreender, no fim da vida, depois de ele próprio ter sofrido do mal do “francesismo” e um tanto de “anglicismo”, haver no passado da sua gente constantes capazes de concorrerem, bem reorientadas e rearticuladas, para um rejuvenescimento português, que se processasse sob um novo sistema de relações dos portugueses modernos com aquele seu passado -com as sugestões mais fortes vindas daquele passado dinâmico: sugestões para contactos viris, másculos, renovadores, de portugueses com os trópicos agrestes: como os africanos e os sertanejos do Brasil, antes capazes de avigorar energias européias que de enfraquecê-las… (Freyre, 1957, p.2 )

Em 1942, Gilberto Freyre escreveu o prefácio à seleção que organizou de As Farpas, com o título “Eça, Ramalho como renovadores da literatura em língua portuguesa”, fazendo uma leitura sócio-antropológica da obra. Esse prefácio foi revisto e publicado, em 1978, em Alhos & Bugalhos, com a seguinte proposta:

A revisão de seu valor literário e a revisão de seu valor social, os dois [Eça e Ramalho] tendo atuado como revolucionários, ou, antes, como renovadores não só das convenções estéticas da língua e da literatura como das convenções sociais do povo e da nação que criticaram duramente para afinal terminarem cheios de ternura patriótica e até mística pela tradição portuguesa. Um [Eça] revoltado contra o “francesismo” ou o “cosmopolitismo” que o afastara dos clássicos, da cozinha dos antigos, da vida e do ar das serras… (Freyre, 1978, p.15)

A partir da leitura integral desse texto, percebemos que Freyre lê no “sociólogo” Eça, algumas de suas próprias características como escritor, talvez até para legitimar seus textos como literários e não apenas como científicos, como foram classificados por parte da crítica. Sabemos que o ensaísta pernambucano não aceitou essa avaliação, escrevendo inúmeros artigos para defender o aspecto literário e humanístico de suas obras.

Podemos perceber que o autor, no referido prefácio de As Farpas (1978), pode estar se identificando com Eça nos seguintes aspectos:

1. A visão sociológica nas obras de Eça estaria evidente na

… Empatia que leva à identificação do autor com o conjunto de seres, coisas, valores arrancados de um pedaço não só de natureza bruta mas da cidade, do passado ainda quente ¾ passado já presente e um pouco futuro ¾ ou do remoto; e conservados vivos com a sua cor, sua seiva, seu nervo, no ensaio, no romance ou no poema. (Freyre, 1978, p.19)

Essa visão sociológica, sabemos, predomina na diversificada obra de Gilberto Freyre, inclusive em suas incursões literárias, como na poesia “Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados”.(Freyre, 1962)

2. Ambos “arrivistas” ou “parvenus”, expressões de Freyre no texto, quando distantes do país, conseguem enxergar o telúrico da terra e perceber melhor a importância das próprias tradições: “O regionalismo de telúricos acabou se sobrepondo ao universalismo de europeus e ultramarinos.” (Freyre, 1978, p.18)

3. Haveria uma vigorosa identificação dos escritores, Eça e Gilberto, com o meio: “o solo, o clima, os aspectos da paisagem, o sexo, a idade, o temperamento, a idiossincrasia, a hereditariedade; influências sociais: as instituições, os costumes, a família, a educação, a profissão.” (Freyre, 1978, p.19)

4. A importância da habitação como índice sociológico nas suas obras (Casa Grande & Senzala, Sobrados e Mucambos) aparece também, segundo o ensaísta, na de Eça:

(…) o sentido ecológico da vida: a casa ¾ ecos quer dizer casa ¾ em relação com o ambiente, com o meio, com a região, com o passado, com a existência inteira do homem. (…) De Eça não nos esqueçamos que o melhor e maior de seus romances é a história de uma casa de portugueses afidalgados: o Ramalhete. A casa é o personagem principal de seu romance (Os Maias). (…) Como n’A Ilustre Casa de Ramires (…). N’A Cidade e as Serras também (…). Aquelas casas, instituições, monumentos, colégios, solares, palácios, destampados pela sua bisbilhotice de dilettanti, meio-historiadores, meio-críticos, pela sua arte de romancistas e de ensaístas, casas de cujo interior se levantavam às vezes tão fortes maus cheiros de decadência e de corrupção (…). (Freyre, 1978, p.20-21)

Em diversos escritos, Gilberto Freyre defendeu a identificação das casas como fonte de investigação sociológica, como em Retratos de jornais velhos: “Os homens e os livros muitas vezes mentem. A arquitetura quase sempre diz a verdade através de seus sinais de dedos de pedra.” (Freyre, 1964, p.19)

5. A ambigüidade de Eça em relação ao cosmopolitismo simultâneo ao apego à terra natal, apontada por Freyre em todo o prefácio, também é uma característica que se pode atribuir ao escritor brasileiro.

6. O ensaísta também nutria uma indisfarçável admiração por Oliveira Martins, historiador, sociólogo e economista do grupo realista português de 65, com quem Eça manteve forte correspondência durante toda vida:

Foi Oliveira Martins quem concorreu como ninguém para estabelecer ou pelo menos avivar entre Portugal e os dois escritores portugueses seus amigos [Ramalho Ortigão e Eça de Queirós], ansiosos de europeização, de universalização, de cientifização ¾ ânsia de que o próprio Oliveira Martins participava ¾, o contacto histórico, histórico-filosófico, histórico-sociológico.(…) Desses revolucionários, Martins foi, depois de Antero, a expressão filosófica mais nítida; e o mestre mais alto da aplicação da psicologia aos estudos portugueses de história e de crítica social. (Freyre, 1978, p.29)

7. Quando Gilberto Freyre defende o dilettantismo de que é acusada a obra As Farpas, não estaria ele também defendendo a sociologia funcionalista, que ele, Freyre, aprendeu com Franz Boas (pesquisa feita através da recolha de material não-canônico: conversações, estudos de casos particulares, relatos de histórias de vida etc)? Não seria também Eça de Queirós um incipiente nessa técnica, que depois seria amplamente empregada pelo por Gilberto Freyre? Escreve ele no prefácio de As Farpas:

A verdade é que nem só de especialistas e de acadêmicos vive a cultura de um povo, nem só por eles se enriquece; vive também dos dilettanti; se enriquece também com a atividade, as próprias audácias, os mesmos personalismos dos puros dilettanti e dos nada acadêmicos; ou dos indivíduos que reúnem à especialização científica e literária aquele humanismo ¾ a que tantas vezes é igual o melhor dilettantismo ¾ que permite ao especialista exceder-se à especialização. Aventura perigosa; mas cheia de possibilidades magníficas sempre que a anima um talento acima do comum, uma sensibilidade, uma visão, uma perspectiva, um sentido de totalidade capazes de extrair significados sociais e filosóficos da “cantiga de rua”, da “página de romance”, do bibelot, ao mesmo tempo que dos valores mais evidentes e mais nobres.

Foi o que fizeram Ramalho e Eça com a atualidade e um pouco com o passado de Portugal; foi o que fez Oliveira Martins com o passado e um pouco com a atualidade de seu país. (Freyre, 1978, p.29-30)

Considerações Finais

Procuramos resumidamente demonstrar que alguns pontos similares nas obras de Gilberto Freyre e Eça de Queirós não são frutos apenas da admiração do ensaísta brasileiro pelo literato português, mas o resultado de uma espécie de “metodologia do olhar”, que aproxima os dois intelectuais na abordagem e representação que fazem da realidade, o que lhes propiciou um papel de transcodificadores de realidades culturais.

Esperamos ter ressaltado a relevância desse aspecto tão pouco explorado na produção cultural de Freyre, ao identificarmos características de um incipiente sociólogo funcionalista no escritor português, através da leitura que o sociólogo brasileiro faz da obra de Eça. Podemos dizer que esta é a maneira que Gilberto Freyre, desde muito jovem, encontrou para consagrar Eça de Queirós não apenas como literato, mas como um grande mestre: um respeitado ensaísta, um analista crítico da sociedade de sua época e um entendedor a cultura de seu país e da cultura global em que esta se insere.

Bibliografia

ABDALA JUNIOR, Benjamin. Fronteiras múltiplas, identidades plurais: um ensaio sobre mestiçagem e hibridismo cultural..São Paulo, Editora SENAC. São Paulo, 2002.

AGUIAR, Flávio W., VASCONCELOS, Sandra Guardini T. O conceito de transculturação na obra de Angel Rama. 2003, USP. (Artigo inédito em cópia gentilmente cedida pelos autores para o curso Clássicos das Literaturas e das Culturas dos países de Língua Portuguesa, ministrado pelo Prof. Dr. Benjamin Abdala Junior da USP)

CANDIDO, Antonio. Tese e Antítese – Ensaios. 3ª ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1978.

FREYRE, Gilberto. A experiência portuguesa no trópico americano. México: Editorial Cultura, 1957.

___________. Alhos e bugalhos: ensaios sobre temas contraditórios, de Joyce a cachaça; de José Lins do Rego ao cartão postal. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.

___________. Tempo morto e outros tempos: trechos de um diário de adolescência e primeira mocidade, 1915-1930. Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1975.

___________. Talvez poesia. Editora José Olympio,1962.

___________. Retratos de jornais velhos . Rio de Janeiro, Editora José Olympio, 1964.

MACIEL, Marco. O Século de Gilberto Freyre. In.: SEMINÁRIO INTERNACIONAL NOVO MUNDO NOS TRÓPICOS. Recife, 21 a 24 mar. 2000.

QUEIROZ, Eça de. A correspondência de Fradique Mendes. In: Obras de Eça de Queiroz, Porto, Lello & Irmão, 1947, v.VI.

QUEIROZ, Eça de. O Francesismo. In: Últimas Páginas (manuscritos inéditos). Porto, Lello & Irmão, 1947, v.XI.

SAID, Edward. Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. Trad. Pedro Maia Soares.São Paulo, Companhia das Letras, 2003.

SARAIVA, António José. As idéias de Eça de Queiroz. Lisboa, Centro Bibliográfico, 1946.

TEJO, Cristina. “Centenário reacende ecite em Pernambuco”. Diário de Pernambuco,16.8. 2000. Texto disponível na Internet: http://www.institutocamões.pt/escritores/eca/reacendecite.htm [28/04/2003]

VILA NOVA, Sebastião. Eça de Queiroz e Gilberto Freyre: algumas aproximações. In.: SEMINÁRIO INTERNACIONAL NOVO MUNDO NOS TRÓPICOS. Recife, 2000.

Resumo

Alguns pontos similares nas obras de Gilberto Freyre e Eça de Queirós não são frutos apenas da admiração do ensaísta brasileiro pelo literato português, mas o resultado de uma espécie de “metodologia do olhar”, que aproxima os dois intelectuais na abordagem e representação que fazem da sociedade, propiciando-lhes um papel de transcodificadores de realidades culturais. Inúmeras citações de Freyre apontam para as qualidades da análise sociológica de Eça, em quem via, desde muito jovem, não apenas o literato, mas um grande mestre: um respeitado ensaísta, um analista crítico da sociedade de sua época e um entendedor da cultura de seu país e da cultura global em que esta se insere.

Palavras-chave: Gilberto Freyre, Eça de Queirós, transculturação, análise sociológica.

Abstract

Some of the points of similarity in the works of Gilberto Freyre and Eça de Queirós go beyond the deep admiration of the Brazilian essayist for the Portuguese writer, being the result of both men having the same perceptions in the analysis and representation of the society, in their role of translators of different cultural realities. Several citations through Freyre’s works point to Eça de Queirós acumen in sociological analysis. Gilberto Freyre, since an early age, saw him, not only as the writer but as a true master: a respect essayist, a critical analyst of his times, his country’s culture and of the global culture of which it was part.

KEY WORDS: Gilberto Freyre, Eça de Queirós, transculturation, sociological analysis.

Autora:

Vania Regina Gomes, aluna de mestrado na área de Estudos Comparados de Literatura e Língua Portuguesa, sob orientação do Prof. Dr. Helder Garmes e professora de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Médio na rede particular de ensino.

Queirós, José Maria Eça de

Posted in EÇA DE QUEIROZ, IMAGENS, OS MAIAS on 28 de Abril de 2008 by os.maias

O escritor Eça de Queirós, uma das figuras da chamada Geração de 70 e do grupo dos «Vencidos da Vida». Inaugurador do realismo literário português, foi alvo de críticas e ataques acesos por parte de alguns dos seus contemporâneos. Algumas das suas personagens tornaram-se tipos caricaturais da cultura portuguesa.

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Ramalho Ortigão e Eça de Queirós. Os dois foram autores da publicação As Farpas.

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Retrato do escritor e pensador português Antero de Quental. Foi o grande mentor intelectual da Geração de 70, dando início à Questão Coimbrã ao lançar a polémica do «Bom-Senso e Bom Gosto», atacando o grupo literário de António de Castilho. Apelidado pelo seu amigo Eça de Queirós de «Santo Antero», a sua obra revela uma inquietação humana e mística profunda. Deu um impulso significativo à implantação do socialismo em Portugal.

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O Casino Lisbonense, em Lisboa. Nele tiveram lugar, em 1871, as Conferências do Casino, organizadas pelo grupo da Geração de 70.

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Os «Vencidos da Vida». O grupo, formado por personalidades de relevo na vida portuguesa das últimas décadas do século XIX, era constituído por Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, António Cândido, Guerra Junqueiro, Eça de Queirós, Luís de Soveral, o conde de Ficalho, Carlos Mayer, Carlos Lobo d’Ávila e o conde de Sabugosa.

Escritor português, natural da Póvoa de Varzim. Oriundo de uma família burguesa e culta, dada a sua condição de filho ilegítimo passou grande parte da sua infância em Verde Milho, na casa dos avós paternos. Mesmo após o casamento dos pais, quatro anos depois do seu nascimento, aí continuou até 1855, ano em que se matriculou no colégio da Lapa, no Porto. Aqui conheceu Ramalho Ortigão, de quem se tornou amigo, embora aquele, filho do director do colégio e aí exercendo funções docentes, fosse nove anos mais velho que ele. Em 1861, entrou na Faculdade de Direito de Coimbra, concluindo a sua formação em 1866.

Em Coimbra, entrou em contacto com o movimento intelectual que então se iniciava, entre a juventude académica. Conviveu com personalidades como Teófilo Braga e Antero de Quental, mentor da célebre Geração de 70, de que também fez parte, assistindo ao desenrolar da Questão Coimbrã e lendo os autores e pensadores em voga, quanto às novas teorias sociais da Europa. Em 1866, já formado, instalou-se em casa dos pais, em Lisboa, no Rossio, e inscreveu-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça. A sua carreira de folhetinista e crítico teve início neste período, com os artigos publicados, entre 1866 e 1867, na Gazeta de Portugal, (onde conheceu Jaime Batalha Reis) e mais tarde reunidos sob o título Prosas Bárbaras (1903). Nestes artigos denota-se uma série de influências, manifestando-se, sobretudo, um temperamento ainda romântico e a originalidade estilística que viria a ser característica deste autor.

No final de 1866, partiu para Évora, onde, mantendo a sua colaboração na Gazeta de Portugal, dirigiu o jornal de oposição política O Distrito de Évora. Em Julho de 1867, regressou a Lisboa, onde exerceu advocacia. No final do ano formou-se o «Grupo do Cenáculo», de que Eça foi um dos primeiros membros e do qual resultará a realização, em 1871, das Conferências do Casino. Em 1869, são publicados os primeiros versos do «poeta satânico» Fradique Mendes (de certa forma uma antecipação ao processo de criação heterónima de Fernando Pessoa), na Revolução de Setembro. No mesmo ano, efectuou uma viagem pelo Egipto e pelo canal de Suez, em companhia do conde de Resende, da qual, no ano seguinte e já em Lisboa, publicaria o relato no Diário de Notícias, com o título De Port-Said a Suez. No mesmo ano escreveu, com Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra, publicado igualmente no Diário de Notícias (que gerou enorme expectativa junto dos leitores, visto se apresentar como uma intriga policial verdadeira). Entretanto, foi nomeado administrador do concelho de Leiria e, posteriormente, após ter prestado provas que lhe permitiram obter o primeiro lugar, enveredou pela carreira diplomática.Em 1872, foi nomeado cônsul em Cuba, seguindo para Inglaterra, em 1874, e para Paris, em 1888.

Entretanto, em 1871, participou nas Conferências do Casino (cujo programa foi interrompido devido a proibição governamental) com uma intervenção intitulada O Realismo como Nova Expressão da Arte,na qual condenava a teoria da arte pela arte e se integrava num programa de realismo literário reformador da literatura e da vida portuguesas. As Farpas (1871), publicação mensal escrita de novo em parceria com Ramalho Ortigão, ilustra o desejo de levar a cabo uma análise crítica da sociedade portuguesa. Mas é sobretudo a partir das referidas conferências que se articula o projecto de uma colecção de novelas que, sob o título genérico de Cenas Portuguesas, analisasse os vários aspectos da sociedade da época, já segundo os preceitos da arte realista (análise minuciosa, física e psicológica, de pessoas e ambientes). Este projecto concretizou-se, mesmo se não de forma ortodoxa (no que ao realismo literário diz respeito), nos romances O Crime do Padre Amaro (romance inaugurador da nova escola cuja primeira versão foi publicada em 1875, nele se fazendo a análise da vida do clero e da pequena burguesia de província), O Primo Basílio (1878, análise da vida familiar da pequena burguesia lisboeta) e Os Maias (1888, retrato crítico da alta burguesia e da aristocracia de Lisboa). Na mesma linha se integram as obras, publicadas postumamente em 1925, A Capital (escrito em 1878, análise da classe literata), O Conde de Abranhos (escrito em 1878) e Alves & C.ª (escrito, provavelmente, em 1883).

No entanto, Eça de Queirós nunca subjugou a sua personalidade artística à ortodoxia do realismo e do naturalismo. Em obras como O Mandarim (1880) e A Relíquia (1887), colocou ao serviço da sua imaginação e do seu gosto pelo fantástico certos métodos de escrita adquiridos naquela escola. Igualmente, as suas obras mais tardias como A Ilustre Casa de Ramires (1900), A Cidade e as Serras (1901) e Contos (reunidos em 1902), mais do que exemplos do realismo literário, são o reflexo da experiência do desencanto finissecular perante a tecnologia e a civilização urbana, encontrando o escritor a solução, aparentemente, no regresso ao campo, à vida dos simples. As hagiografias (descrições bigráficas de santos) incluídas no volume Últimas Páginas (1912), são sobretudo a encarnação desse desejo de regresso a uma pureza primitiva.

De forma geral, e na sua fase mais realista, Eça dedicou-se sobretudo à análise social (mais que psicológica) de tipos humanos, representantes de certos grupos, vistos com uma ironia mordaz e maliciosa que se constituiu como arma de combate. Ausentes estão os tipos genuinamente populares. Na educação, e na adequação desta ao meio português, são analisadas muitas das causas dos problemas que afectam a mentalidade nacional. A sua forma de tratar estas questões gerou, na altura, grande controvérsia, sendo o escritor alvo de ataques públicos. Igualmente criticado foi o seu estilo, considerado afrancesado, que revolucionou a língua literária portuguesa. De facto, libertando-a de purismos e da oratória, aproveitando com naturalidade a linguagem comum e conseguindo associações inesperadas entre realidades aparentemente desconexas, Eça de Queirós imprimiu um cunho impressionista, condensado e rigoroso, de grande intensidade expressiva, que lhe permitiu, de forma económica, traçar os quadros e tipos observados sem os destituir de uma forte carga poética e sensível.

Tal como a sua actividade de romancista, o papel de Eça de Queirós na análise do mundo seu contemporâneo em folhetins e textos jornalísticos foi fundamental. Foi fundador e director da Revista de Portugal (1889-1892) e colaborador de jornais nacionais e brasileiros. A sua experiência do exílio, o seu espírito crítico, céptico e desencantado perante a época (que se manifestou na sua participação, conjuntamente com outras dez personalidades da época — Carlos Mayer, Guerra Junqueiro, António Cândido, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Carlos Lobo d’Ávila, conde de Sabugosa, conde de Arnoso, marquês de Soveral e conde de Ficalho — nos Vencidos da Vida, «grupo jantante», segundo a própria designação de Eça, entre 1887 e 1893) permitiram-lhe encetar uma análise mordaz da vida portuguesa (mas também europeia), que, apesar de muitas vezes violenta, era o reverso de um amor intenso ao seu país. Fradique Mendes, alter-ego do escritor (Correspondência de Fradique Mendes, 1900), ou o Ega de Os Maias, reflectem muito da sua personalidade e dos seus sentimentos face ao país.

Para além das obras já referidas, Eça de Queirós é ainda o autor de Uma Campanha Alegre (1890-1891), Cartas de Inglaterra (1905), Ecos de Paris (1905), Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (1907), Notas Contemporâneas (1909) e O Egipto (1926).

Conhecido, dentro e fora de Portugal, pela sua ironia, fina ou sarcástica, pelo seu comprazimento no retrato caricatural ou grotesto, pela mestria da sua arte narrativa, é tido por muitos como um dos maiores prosadores da literatura portuguesa.

Carlos da Maia

Queirós, José Maria Eça de (Os Maias)

Carlos da Maia é a personagem central do romance Os Maias, de Eça de Queirós. É um aristocrata belo, culto, rico, ocioso e diletante, na sua dispersão de ocupações e de gostos. Filho de Maria Monforte e de Pedro da Maia, é educado pelo avô, Afonso, após a fuga da mãe com um italiano e o suicídio do pai. Passa a infância na Quinta de Santa Olávia, no Douro, com o avô, que lhe dá como preceptor o inglês Brown. Este é partidário de uma educação que dá primazia ao desenvolvimento e equilíbrio físicos e à aprendizagem de línguas vivas em substuição do latim. Esta educação difere profundamente da educação tradicional portuguesa, que utilizava como método a memorização e aprendizagem da cartilha.

Carlos vai estudar para Coimbra, onde se forma em Medicina e conhece o seu amigo e confidente João da Ega. Já formado, faz uma viagem pela Europa, percurso natural de um jovem rico. Uma vez em Lisboa, esforça-se para fazer do Ramalhete uma residência de luxo. É um homem dominado pelo dandismo e os seus projectos de trabalho nunca se concretizam, deixando-se envolver pela inactividade e pela ociosidade. Sonha ser um cientista e, ao mesmo tempo, um homem de classe e de gosto.

As duas circunstâncias marcantes na vida de Carlos são a sua vida ociosa em Lisboa e a sua inserção no estrato social mais destacado do Portugal da Regeneração, vivendo em contacto com políticos, financeiros, diplomatas e aristocratas. O seu amigo João da Ega apresenta-o aos Gouvarinhos, e não tarda que Carlos tenha uma aventura de curta duração com a condessa de Gouvarinho. As desilusões de amor levam-no a considerar-se «um ressequido, um impotente de sentimento como Satanás… pedante… um D. Juan… um devasso… com uma pontinha de romantismo» e a afirmar que «Passo a vida a ver as paixões falharem-me».

O encontro fortuito com Maria Eduarda no peristilo do Hotel Central marca profundamente a sua vida. Carlos apaixona-se por esta, conhecida por Madame Castro Gomes, que um brasileiro trouxera de Paris até Lisboa. A sua relação estreita-se de tal forma que Carlos lhe compra uma casa, a Toca, onde se encontram assiduamente. A sua paixão leva-os a projectar o casamento. Mais tarde, Carlos vem a descobrir que Maria Eduarda é sua irmã. A prática do incesto, consciente por parte de Carlos, leva à morte do seu avô, Afonso da Maia.

Apesar da educação «à inglesa» que recebeu, a vida pessoal e profissional de Carlos constitui um falhanço. Falha, em parte, devido ao meio em que se instalou, sociedade ociosa e fútil, e, em parte, devido a aspectos hereditários — a fraqueza do pai, a futilidade da mãe. No final do romance afirma-se partidário do «fatalismo muçulmano», ou seja, de «nada desejar e nada recear… Não se abandonar a uma esperança, nem a um desapontamento».

João da Ega

Queirós, José Maria Eça de (Os Maias)

João da Ega é uma personagem do romance Os Maias, de Eça de Queirós, amigo e confidente de Carlos da Maia. Era filho de uma viúva rica e beata, de Celorico de Basto, e o seu espírito sacrílego escandalizava e chocava esse pequeno meio. Era conhecido em Celorico e em Coimbra, onde levava uma vida de boémia estudantil, «como o maior ateu, o maior demagogo que jamais aparecera nas sociedades humanas». Impressionava tudo e todos com as suas atitudes e concepções, arrojadas e revolucionárias, comprazendo-se nos efeitos que a sua retórica provoca. As suas opiniões apresentavam-se de uma forma irreverente e contestária, por vezes incoerentemente e com a intenção de escandalizar a burguesia lisboeta dos círculos que frequentava. Constantemente, proferia blagues que nem os outros, nem ele mesmo tomavam a sério. Assim, afirmava-se partidário da escravatura e adversário de uma intervenção da mulher na área intelectual.

Considerava que, para salvar Portugal, restava apenas a via revolucionária, ou, caso esta falhasse, a redução do país a uma província espanhola. Numa visão iconoclasta, afirmava que a salvação nacional passaria por uma invasão espanhola que acabasse com as classes dominantes e possibilitasse o recomeço do zero com novas energias. Viveu uma grande paixão por Raquel Cohen, mulher do director do Banco Nacional. Na soirée dos Cohen, Ega apareceu disfarçado de Mefistófeles, acabando por ser expulso pelo marido de Raquel. Desiludido, retirou-se para Celorico, com a intenção de escrever O Lodaçal, para se vingar de Cohen.

Ega é um literato falhado. Apesar dos vários projectos que se propõe levar a cabo, nunca chega, de facto, a concretizar nenhum. Tenciona escrever as Memórias de Um Átomo, história das grandes fases da Humanidade e do Universo, que nunca realiza. Nas últimas páginas do romance ainda refere um novo livro, as Jornadas da Ásia, acabando, mais uma vez, por nada produzir. É um literato ousado, fantasioso e com verve, nunca chegando a concretizar os seus planos de autor. Partidário do naturalismo e do realismo, envolve-se numa discussão com Alencar, protótipo do poeta do ultra-romantismo, no jantar do Hotel Central, mas no final do romance acaba por «apreciá-lo imensamente» e por o considerar um português genuíno.

Ega desempenha um papel importante na intriga, pois é a ele que Guimarães entrega o cofre que revela o parentesco entre Carlos e Maria Eduarda. Terminada esta relação incestuosa, Ega e Carlos planeiam uma longa viagem, que os levaria aos grandes centros das civilizações antigas e modernas, acabando por visitar a América do Norte e o Japão. Passado ano e meio, Ega reaparece no Chiado.

Ega é uma personagem ricamente caracterizada, em todas as suas contradições. É herético e revolucionário, mas também um dândi e um cínico. É considerado por vezes, em muitos aspectos, como um retrato irónico do próprio Eça. Personifica, ao longo do romance, uma certa postura revolucionária da época, manifestada de forma mais consistente na Geração de 70. Apesar de todos os seus grandes planos de transformação social, numa retórica de tom profético e inflamado, apesar de defensor das correntes artísticas e científicas mais modernas, como o realismo e o positivismo, acaba por não levar a cabo qualquer projecto verdadeiramente significativo, perdendo-se nas suas aventuras românticas, numa vida diletante e ociosa.

Ramalho Ortigão e Eça de Queirós. Os dois foram autores da publicação As Farpas.

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O Casino Lisbonense, em Lisboa. Nele tiveram lugar, em 1871, as Conferências do Casino, organizadas pelo grupo da Geração de 70.

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Caricatura de Eça de Queirós feita por Bordalo Pinheiro.