Bastidores , Os Maias

Além do romance original de Eça de Queiróz que dá o nome à minissérie, a adaptadora Maria Adelaide Amaral usou tramas e personagens de duas outras obras do autor português: A Relíquia, com o núcleo de Teodorico Raposo e Titi; e A Capital, com o núcleo de Artur Corvelo.

A minissérie Os Maias (co-produção com a emissora portuguesa SIC – Sociedade Independente de Comunicação) tinha tudo para dar certo. O elenco era de primeira linha. A Rede Globo investiu alto na produção: cada capítulo teve um custo de R$ 200 mil. E ainda levou parte do elenco para gravar durante cinco semanas em Portugal. Mas todo o aparato montado para a produção acabou não despertando o interesse do público. Ao longo de sua trajetória, a minissérie obteve uma média de 15 pontos no Ibope. Chegou ainda a dar 9, muito abaixo dos 35 esperados pela alta cúpula da Globo.

O diretor Luiz Fernando Carvalho talvez tenha pecado pelo ritmo lento que aplicou à produção – ele utilizou praticamente duas semanas para a apresentação dos atores da primeira fase. Maria Adelaide Amaral seguiu fielmente o linguajar original utilizado pelo autor Eça de Queiróz no livro: o texto ficou excessivamente erudito.

Outro detalhe que também comprometeu o andamento da minissérie foi o horário exibido, principalmente nas quarta-feiras, quando a Globo exibia futebol: Os Maias chegou a ir ao ar depois da meia-noite. Mas, ao contrário de outras minisséries bem sucedidas na emissora, esta produção não conseguiu manter a fidelidade do público até altas horas.

Por outro lado, o diretor Luiz Fernando Carvalho, mais uma vez, abusou da arte cênica para incrementar a produção: fotografia, cenários, figurinos, direção de arte impecáveis.

A atuação de alguns atores foi um dos destaques da minissérie: Walmor Chagas, perfeito como o aristocrata Dom Afonso da Maia; Matheus Nachtergaele, como o dúbio Teodorico Raposo; e Fábio Assunção, que defendeu muito bem, passou segurança e não comprometeu seu personagem, Carlos da Maia. Raul Cortez teve uma participação especial, narrando a história em off, como se fosse o próprio autor Eça de Queiróz.

Três atores estrangeiros participaram da história: os ingleses Philip Croskin (Mr. Brown) e Ruth Brennan (Miss Sarah) e o italiano Fabio Fulco (Tancredo). Além disso, a minissérie lançou a atriz curitibana Simone Spoladore (Maria Monforte), que foi protagonista do filme Lavoura Arcaica – dirigido por Luiz Fernando Carvalho.

Alguns meses antes do início das gravações, o elenco e a equipe participaram de palestras feitas por especialistas na obra de Eça de Queiróz, realizadas no Projac.

Publicado em 1888, o livro Os Maias é um retrato da decadência da aristocracia portuguesa na segunda metade do século XIX. O romance é apresentado em três fases, indo de 1850 a 1875, e chegando ao ano de 1888. Um dos destaques desta produção foi a tentativa de dar um tom realista a trama, o que levou a minissérie a ser gravada durante cinco semanas em várias regiões de Portugal, sendo a primeira produção a passar tanto tempo fora do Brasil.

Uma pequena intervenção de Maria Adelaide Amaral na obra causou a revolta dos aficcionados por Eça de Queiróz. É que, no livro, quem dá a trágica notícia a Carlos Eduardo da Maia de que ele é irmão de sua amada Maria Eduarda é Joaquim Castro Gomes (Paulo Betti), então marido dela. Mas Maria Adelaide resolveu trazer de volta Maria Monforte, a mãe, para dar ela mesma a notícia. Marília Pêra foi chamada para fazer a interpretação. A cena, uma das mais belas, é quase um trecho de ópera. Não só pela intrerpretação dos atores, como pela imagem conseguida por Luiz Fernando Carvalho.

As cenas de interior foram gravadas no estúdio Renato Aragão, situado em Vargem Grande (zona oeste do Rio), e alguns locais do Rio de Janeiro foram usados para a realização de cenas externas, como o Teatro Municipal; o Palácio do Catete; a antiga Casa da Moeda, no centro da cidade (locação do fictício cortiço da trama); o Museu do Açude; a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói; e o Museu da Cidade, no Parque da Cidade. Uma estação de trem na cidade mineira de São João Del Rey também serviu de cenário para a trama.

Os locais de Portugal usados como locações para a minissérie foram o Vale do Douro, ao norte do país, onde foram gravadas as seqüências das colheitas de milho e vinho. Na estação de trem de Vargelas foi gravado o embarque de Carlos da Maia para Coimbra. Ainda ao norte, quase na fronteira com a Espanha, está a vila de Monção, onde está situado o Palácio da Brejoeira, que na ficção serve como a Quinta de Santa Olávia. Lá foi realizado o enterro de Pedro da Maia e é onde Afonso cria Carlos. Sintra, distrito situado a meia hora de Lisboa, serviu de cenário para o passeio de Pedro, Maria e Manuel ao Castelo dos Mouros. Também em Sintra foram gravadas as fachadas da Quinta da Regaleira e da Quinta da Riba Fria; esta, cenário da casa de Maria Monforte.

Já a praça do Palácio Real foi adaptada ao século XIX. Em Óbidos, distrito de Leiria, com características de vila medieval, foi realizada uma procissão da qual participam cerca de 250 figurantes, recrutados em Lisboa e em Óbidos. Já em Lisboa, diversos locais serviram de cenário para a minissérie. A tradicional casa dos Maias, conhecida como o Ramalhete, teve como fachada um antigo casarão abandonado de 1788. Também foram gravadas cenas nas ruelas estreitas e sinuosas de Alfama, que ainda conserva o aspecto castiço – neste cenário Maria Monforte encontra-se às escondidas com Tancredo. No Palácio Nacional de Queluz, foi realizado o suntuoso baile de um príncipe com o qual Maria Monforte dança a primeira valsa. Já no Museu do Traje, foi simulado um espaço público.

A fachada do Teatro São Carlos foi acoplada às cenas de interior gravadas no Teatro Municipal do Rio. E a praça de touros Campo Pequeno, em Lisboa, abrigou uma grande figuração para as cenas em que Pedro conhece Maria, durante uma tourada. Por fim, em Coimbra foram feitas as cenas da vida acadêmica de Carlos da Maia. Como cenários, a Universidade Velha de Coimbra; a biblioteca da Universidade; o Jardim Botânico; e o Largo da Sé Velha.

A trilha sonora, com produção de André Sperling, contou com a gravação especial de uma peça sinfônica inédita, feita pelo maestro John Neschling, que regeu uma orquestra de 90 integrantes.

Em 2004 a minissérie foi lançada em DVD

FONTE:

teledramaturgia.com.br

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