Archive for the OS MAIAS IMAGENS Category

EÇA de QUEIRÓS Personagens ilustres

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 11 de Maio de 2008 by os.maias

Abordagem das personagens masculinas e femininas

Eça castigou mais os homens do que as mulheres…

As personagens masculinas, aparentemente fortes, opressoras, dominadoras e caprichosas, acabam por tornar-se mesquinhas e cobardes.

As personagens femininas dialogam muito mais com as emoções, criando um clima de empatia que nega o pseudo mau-trato da mulher na escrita queirosiana.

Américo Guerreiro de Sousa, em reflexão crítica sobre o adultério feminino, presente em algumas obras de Eça de Queirós, anotava: “O adultério resulta das carências seguintes:

* sentimentalidade

* educação errada

* excesso de leituras

* lirismo

* temperamento sobreexcitado pela ociosidade

* luxúria frustrada no casamento

* falta de exercício físico

* falta de disciplina moral.”

FRADIQUE MENDES

(A Correspondência de Fradique Mendes)

Figura literária criada, nos verdores da juventude, por Eça, por Antero e por Batalha Reis, o primeiro Fradique é bizarro e provocador. A poesia que dele se publica, nos remotos anos 60, e os gestos que lhe são atribuídos, n’“O Mistério da Estrada de Sintra”, fazem hesitar entre o riso e a estranheza.

O Fradique que Eça, anos depois e por sua conta e risco, recupera é mais contido sem ser, todavia, uma figura convencional. É um escritor para sempre adiado, um poeta afectado pela tentação do silêncio que muito bem convinha a um certo fim de século: se a forma perfeita não existe, para quê escrever? Desabafo de Fradique: “Eu não sei escrever! Ninguém sabe escrever!”.

Entre o esteticismo e o dandismo, entre a tentação do pitoresco e a ânsia das viagens, entre a dispersão risonha e o cepticismo elegante, Fradique resolve-se, por fim, em esterilidade e quase paródia de si mesmo.

JULIANA

(O Primo Basílio)

Mal aparece, n’“O Primo Basílio”, Juliana está marcada. Logo de início, a criada de Luísa mostra umas feições “miúdas, espremidas”; e a “amarelidão de tons baços das doenças de coração” parece anunciar uma vida de frustrações e de sofrimentos. Como se isso não bastasse, o penteado deforma-a até à caricatura: “Usava uma cuia de retrós imitando tranças que lhe fazia a cabeça enorme.”

De seu nome completo Juliana Couceiro Tavira, a criada disputa, no romance, protagonismo à patroa. E a chantagem que exerce sobre a adúltera Luísa chega a dividir o leitor, que oscila entre a repulsa e a tolerância. Porque, afinal a curiosidade doentia de Juliana, o seu azedume permanente não são fruto do acaso; eles decorrem de um ódio acumulado, resultado de uma vida oprimida, patroa atrás de patroa, alcunha atrás de alcunha: a isca seca, a fava torrada, o saca-rolhas.

Juliana transporta em si alguma coisa do Eça socialista e reformista, preocupado com injustiças que havia que denunciar; mas o tratamento que a criada sofre, no corpo do romance, acaba por fazer dela figura com sinal negativo. O que, sendo ideologicamente significativo, não impede que Juliana venha a ser uma das figuras mais fortes e impressivas de toda a ficção queirosiana. E para que não se diga que nela nada de feminino sobrevive, aí está o seu fascínio pelo feitio da botina e pela pequenez do pé: “O pé era o seu orgulho, a sua mania , a sua despesa”, diz-se dela; e é a própria Juliana quem o confirma, plena de erotismo recalcado, ávida de evidência social: “- Como poucos – dizia ela – não vai outro ao Passeio!”

O CONSELHEIRO ACÁCIO

(O Primo Basílio)

O Conselheiro Acácio é a caricatura do “formalismo oficial”, “nunca usava palavras triviais” e “sempre que dizia ‘El-Rei’ erguia-se um pouco na cadeira”. Porque o Conselheiro Acácio é também um patriota atento e venerador; por isso mesmo, “dizia sempre ‘o nosso Garrett, o nosso Herculano’”.

E contudo, este antigo director-geral do Ministério do Reino tem culpas mal escondidas no seu cartório privado; como se não bastasse que os seus sisudos livros ficassem por vender, Acácio cultivava singulares leituras de cabeceira : as poesias obscenas de Bocage, compartilhadas, no retiro austero da Rua do Ferregial, com a criada com quem vivia amancebado.

É alguma coisa disto que D. Felicidade, beata e pateta, vem a saber. O desgosto é grande, naturalmente porque D. Felicidade nutria pelo conselheiro uma antiga paixão e também uma fixação: “Havia sobretudo nele uma beleza, cuja contemplação demorada a estonteava como um vinho forte: era a calva.”

Para o imaginário queirosiano ele veio a transformar-se numa das personagens que de certa forma passaram para o mundo real. Pensando decerto neste burocrata para quem as “curiosidades” do Alentejo eram “de primeira ordem”, Eça de Queirós referiu-se várias vezes à mentalidade conselheiral, quando quis aludir à oca solenidade que lembrava esta sua personagem. Longe estava Eça de saber que a língua portuguesa havia de cunhar o adjectivo “acaciano”, precisamente derivado do nome da criatura que por ele nos foi legada.

JACINTO

(A Cidade e as Serras)

Zé Fernandes (“homem das serras”, que disso se orgulha) coloca, no centro da história que relata, Jacinto, uma figura em mudança. No início d’”A Cidade e as Serras”, encontramo-lo eufórico com a Civilização; anos depois, Zé Fernandes observa nele sinais de cansaço: “notei que corcovava”. Quando parte para as Serras, Jacinto vai desconfiado, mesmo temeroso; sobrevém, por fim a revitalização inesperada: a do corpo e a do espírito.

Em Paris, Jacinto é ele mesmo mais as geringonças inventadas por uma Civilização tentacular: aparelhos sofisticados (o fonógrafo, o telefone, o conferençofone,o teatrofone), modas bizarras, escovas e pentes de feitios engenhosos, uma enorme biblioteca e modos de vida supercivilizados deixam-no cada vez mais indiferente. Porque a Civilização tudo lhe dá, menos alegria de viver. Razão tinha o escudeiro Grilo, um “venerando preto” que um dia fixou, num diagnóstico insuperável, a doença de Jacinto:”- Sua Excelência sofre de fartura.”

A regeneração dá-se no reencontro com as Serras, experiência decisiva de regresso às origens, nisso a que hoje chamamos Portugal profundo; nele desdobra-se uma Natureza aparentemente pura, mas não isenta de sofrimento. E contudo, os costumes e as coisas singelas, tal como a simplicidade dos alimentos, reconduzem Jacinto à alegria de viver e mesmo ao riso. O que não implica a recusa radical da Civilização, mas antes a busca desse “equilíbrio de vida” e da efectiva Grã-Ventura que Zé Fernandes testemunha, por fim; o casamento e a paternidade acrescentam a tais qualidades uma outra: a fecundidade que na Cidade parecia cancelada.

Cabe ao Grilo resumir, outra vez com uma expressão lapidar, esse estádio final da mudança do amo: “- Sua Excelência brotou!” Jacinto já não é “Jacinto ponto final”.

CONDE D’ABRANHOS

(O Conde de Abranhos)

Alípio Severo Abranhos é conde e motivo de uma biografia caricata e caricatural.

Em si mesmo, Abranhos satiriza o político do constitucionalismo, a sua mediocridade e o postiço que o atormenta; doutro ponto de vista, ele é sobretudo a falsificação do talento e da habilidade política. Em síntese, a ironia de Eça no seu máximo fulgor.

Se há figura que, na galeria das personagens queirosianas, ilustra a ambição política que não olha a meios para atingir os fins, essa figura é o conde d’Abranhos.

Finalmente ministro da Marinha, o conde ocupava-se “sobretudo de ideias gerais”.

A questão – vexatória “só para os espíritos subalternos” – estava em que o ministro situava Moçambique na costa ocidental da África. Quando interpelado por uma oposição zelosa de minúcias, o conde dá uma resposta que o biógrafo classifica de “genial”: “- Que fique na costa ocidental ou na costa oriental, nada tira a que seja verdadeira a doutrina que estabeleço. Os regulamentos não mudam com as latitudes!”

TEODORICO RAPOSO

(A Relíquia)

Astuto e atrevido, o “Raposão” maduro que fala ao leitor, deixa para trás uma odisseia de aventuras amorosas e de vistosas devoções.

Teodorico é o herdeiro potencial da “horrenda senhora”, sua tia, D. Patrocínio das Neves que, com o seu “carão lívido”, o acolhe em sua casa, depois da morte do pai Raposo. Começa então a disputa pelos dinheiros e pelas propriedades da Titi, contra um rival de respeito: o próprio Jesus Cristo.

O estratagema que há-de desbancar o rival diz muito de uma mentalidade que o Eça anticlerical trata de caricaturar. Teodorico empreende uma viagem à Terra Santa; de lá virá a relíquia que deveria converter a tia às virtudes do sobrinho. Só que Deus não dorme e a coroa de espinhos que o sábio Topsius cauciona é misteriosamente trocada pela camisa da Mary, rescendendo ainda aos delírios amorosos do “portuguesinho valente”. Expulso do seio da Titi, Teodorico não perde tudo e herda um óculo: “- Para ver o resto de longe! – considerou filosoficamente Justino”.

Em constante equilíbrio entre beatice e devassidão, Teodorico vai mais longe do que parece. Perpassa, no seu atribulado trajecto de aventuras e desventuras, uma reflexão sobre a hipocrisia e a duplicidade humanas.

CONDESSA DE GOUVARINHO

(Os Maias)

Da primeira vez que Carlos da Maia ouve falar da senhora condessa de Gouvarinho, a descrição é insinuante: “uma senhora inglesa, de cabelo cor de cenoura, muito bem feita”.

Mergulhada no tédio de uma vida sem emoções, a Gouvarinho rapidamente faz justiça ao seu “arzinho de provocação e de ataque” e empolga Carlos. A ligação é breve, mas a senhora condessa não deixa, por isso, de ser amante nervosa e exigente; tão exigente que Carlos rapidamente se farta.

Na galeria queirosiana, a condessa é parte de uma vida colectiva, em que a mulher aristocrata – no caso, aristocrata por casamento – tinha a expressão pública que lhe era concedida pela

vontade masculina: o casamento, as obrigações sociais (receber, estar, conversar), uma ou outra leitura e, quando calhava, o adultério.

Massacrada pelas esquisitices e pelos remoques do conde, a senhora condessa não se ensaia e atira ao chão a loiça, num ataque de fúria; e, humilhada pela lembrança de que “fora ele que fizera dela uma condessa”, não esteve com meias medidas: “ali mesmo à mesa mandou o condado à tabua”.

DÂMASO SALCEDE

(Os Maias)

Repare-se no nome: Dâmaso Cândido de Salcede. E, logo de seguida, no cartão de visita: por baixo do nome, “as suas honras” – COMENDADOR DE CRISTO, ao fundo a sua “adresse”, corrigida para dar lugar a “esta outra mais aparatosa – GRAND HÔTEL, BOULEVARD DES CAPUCINES, CHAMBRE Nº 103″.

Depois de uma apresentação como esta, nada a fazer. Dâmaso Salcede está condenado a ser o que é; lisboeta novo-rico, janota e pedante, filho de agiota, o velho Silva, e sobrinho de “Mr. De Guimaran”, ele é, para mais, fisicamente caricato: um “moço gordo e bochechudo”, de face quase sempre corada e ostentando essa coxa roliça que a palavra perversa e arguta de Eça constantemente põe à vista do leitor.

Mas se Dâmaso é o que é, deve-o ao modelo a que se atrela; a figura de Carlos da Maia é, para ele, obsessiva. A religiosa adoração por Carlos, a quem imita e segue para todo o lado “como um rafeiro”, torna-o grotesco; e a imbecilidade das suas opiniões e “toilletes”, a inconveniência das suas maneiras e da sua linguagem, tudo acaba por fixar-se num tique expressivo que é, ao mesmo tempo, uma imagem de marca: “chique a valer”.

Com as mulheres, nem se fala. Capaz de provocar paixões avassaladoras – tenha-se em vista aquela actriz do Príncipe Real, “montanha de carne” que, em desespero e por causa dele, procura a morte, tragando uma caixa de fósforos -, este homem fatal tudo faz para merecer o cognome de que certamente se orgulha. Dâmaso é, em suma, “o D. João V dos prostíbulos”.

Por fim, Dâmaso Salcede acaba como convém: casado, traído, mas igualmente feliz e cheio de si. Ninguém como João da Ega para tudo sintetizar, em conversa com Carlos da Maia: “Coitado, coitadinho, coitadíssimo… Mas como vês, imensamente ditoso, até tem engordado com a perfídia!”

SINTRA

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS IMAGENS on 11 de Maio de 2008 by os.maias

Um dândi abandonado (Entrevista com Fábio Assunção)

Posted in FÁBIO ASSUNÇÃO, IMAGENS, OS MAIAS IMAGENS on 10 de Maio de 2008 by os.maias

por André Bernardo TV Press

O ator Fábio Assunção costuma dizer que a beleza representou uma ameaça no início da carreira.

Por causa dos belos olhos azuis, ele parecia condenado a fazer sempre o papel de mocinho. Mas não foi bem assim.

Hoje, aos 29 anos, ele se orgulha de ter feito os mais variados tipos, como um vampiro sedutor em “Vamp”, um mau-caráter em “Sonho Meu” e um mauricinho conservador em “Por Amor”. Agora, Fábio está prestes a assumir o que acredita ser um dos papéis mais difíceis da carreira: o de fidalgo português em “Os Maias”, a nova minissérie da Globo.

“Além de ser um personagem do Eça de Queirós, ele tem uma participação fundamental na história”, orgulha-se.

De fato, a história de Carlos de Maia faz parte da espinha dorsal do romance escrito em 1888. O rapaz é abandonado pela mãe, que foge com o amante, perde o pai, que se suicida e é criado pelo avô.

Quando cresce, vai estudar Medicina na Universidade de Coimbra e depois de formado, retorna a Lisboa e se apaixona por Maria Eduarda, papel de Ana Paula Arósio, sem saber que ela é sua irmã.

DE TUDO UM POUCO - Fábio, hoje com 29 anos, se orgulha de ter feito os mais variados tipos de papéisPara compor o personagem, Fábio leu alguns livros de Eça de Queirós, assistiu a palestras sobre o escritor e teve aulas de etiqueta social para aprender, entre outras coisas, como sentar-se à mesa e como cumprimentar uma dama.

O arremate final ficou por conta de um par de lentes de contato na cor castanha. “No livro, o Eça não se cansa de fazer referências aos olhos castanhos da família Maia”, justifica.

Além de satisfeito por estar fazendo um personagem de Eça de Queirós, Fábio não esconde a alegria por estar trabalhando com dois velhos amigos: o ator Selton Mello, com quem atuou em “Força de Um Desejo” ( QUE FARIA PAR COM ANA PAULA ARÓSIO , ESCOLHIDA PELO AUTOR,MAS JÁ ESTAVA COMPROMETIDA COM A NOVELA TERRA NOSTRA TB UM GRANDE SUCESSO ), e o diretor Luiz Fernando Carvalho, que o dirigiu em “O Rei do Gado”. Mas, se Fábio esbanja cumplicidade cênica com Selton e Luiz Fernando, o mesmo não se pode dizer de Ana Paula Arósio. “Eu e a Ana ainda estamos nos conhecendo”, observa.

Os dois ainda não fizeram uma cena juntos sequer e já foram convidados para repetir o par romântico em “Começar de Novo”( a novela ganhou o nome de O CLONE, ela seria Jade e ele faria os gemeos Lucas e Diogo e o clone Leo, e foi um enorme sucesso! ) , título provisório da próxima novela de Glória Perez.

P – Como você analisa o seu novo trabalho em “Os Maias”?
R – É óbvio que fazer um Eça de Queirós enriquece o currículo de qualquer ator. Mas sempre que começo um novo trabalho, me entrego a ele de corpo e alma. Honestamente, não saberia dizer qual dos trabalhos que eu fiz até hoje foi o mais importante. O resultado de uns pode não ter sido tão bom quando o de outros. Mas, no final das contas, sinto orgulho de tudo que fiz. Como me orgulho também por ter sido convidado para participar deste projeto. Mas sei que estou com uma “puta” responsabilidade nas mãos.

P – O que mais chamou a sua atenção no Carlos de Maia?
R – Foi o fato de ele não ter qualquer referência paterna ou materna na vida. O Carlos foi criado pelo avô. É um homem rico, que fala várias línguas e tem formação musical. Além disso, é um sujeito liberal, um autêntico dândi. Em Coimbra, ele faz amizade com um grupo de intelectuais que tece críticas à inércia de Portugal. A vida do Carlos só se transforma quando ele conhece e se apaixona por Maria Eduarda. Ela se transforma numa figura materna muito forte na vida do Carlos. Até o dia em que ele descobre que os dois são irmãos.

P – E o que acontece quando eles descobrem que são irmãos?

R - Eles têm mais uma noite de amor muito intensa. Mas não é uma noite de amor como outra qualquer. Eles transam quase que com raiva um do outro. A minissérie tem um apelo emocional muito forte. Mas ainda estou por gravar esta cena. Para falar a verdade, ainda não gravei uma cena sequer com a Ana Paula. Estamos nos conhecendo ainda. Daqui a uma ou duas semanas é que vamos pegar no pesado.

P – Você teve alguma preocupação especial na hora de compor o personagem?
R - Tive todas. O Carlos não é um personagem fácil de fazer. Costumo defini-lo como um dândi. Mas o que é um dândi? Para responder a essa pergunta, assisti a várias palestras para entender melhor o universo de Eça de Queirós. Essas palestras sempre funcionam como um ótimo suporte técnico para o ator. Mesmo assim, tomei cuidado para não cair em nenhum estereótipo. Não estou priorizando o exterior em função do interior. Apenas fiz o que o personagem pedia. Por isso mesmo, deixei a barba crescer. Naquela época, ter barba era sinal de status e poder. Não podia prescindir dela. Além disso, passei a usar lentes de contato…

P – O que você achou da mudança do visual?
R – Ficou bacana. Mas não recorri às lentes por vaidade ou coisa parecida. Não componho personagem por compor. Não vou colocar uma cicatriz no rosto só porque eu acho que fica bonito. Acontece que, no livro, o Eça menciona os olhos castanhos da família Maia a todo instante. Foi uma coincidência o Luiz ter convidado dois atores de olhos claros para interpretar o Carlos e a Maria Eduarda. Não foi uma jogada de marketing da parte dele. Em todo caso, foi bom porque o uso das lentes dá uma “fechada” na expressão facial. Tenho o rosto muito colorido. O olho é claro e a boca, vermelha. Com as lentes de contato, o meu rosto perde a cor. Até o olhar fica diferente…

P – O fato de ter gravado as primeiras cenas em Portugal, terra natal do Eça de Queirós, facilitou a composição?
R – Facilitou e muito. Eu já tinha ido uma vez a Portugal, mas só passei quatro dias. Desta vez, fiquei 30. Foi maravilhoso. Além do mais, “Os Maias” é leitura obrigatória em Portugal. Todo mundo conhece o livro de cor e salteado. Eu andava nas ruas e as pessoas vinham desejar boa sorte. Adorei ter gravado em Portugal porque você já começa o trabalho imbuído do personagem. Estivemos em lugares que foram mencionados por Eça no livro. Foi realmente inesquecível.

P – O seu último trabalho na Globo foi “Força de Um Desejo”, do Gilberto Braga. Em algum momento, você ficou receoso por emendar dois trabalhos de época?
R – Sim e não. Fiquei em dúvida quando me chamaram porque “Força de Um Desejo” é da mesma época que “Os Maias”. Mas resolvi fazer porque as histórias do Brasil e de Portugal são muito diferentes. O Brasil vivia a época da escravidão, a Guerra do Paraguai… Já Portugal era um mundo completamente diferente. Para mim, não faz muita diferença. Entre um trabalho e outro, fiz cinema, teatro, um monte de coisa. Pode fazer diferença é para o público que só assiste tevê.

P – Qual é a sensação de voltar a trabalhar com o Selton Mello, que interpretou o irmão do seu personagem em “Força de Um Desejo”?

R – A sensação é muito boa. O Selton é um ótimo ator. Na minissérie, interpretamos o melhor amigo um do outro. O Ega, por sinal, é uma espécie de alter ego do Eça de Queirós. Eu e o Selton nos damos muito bem. Dentro e fora da Globo. O Luiz Fernando Carvalho é outro cara com quem tenho bastante afinidade. Ele deixa o ator “pirar” em cima do personagem. Costumo dar as sugestões e ele só apara as arestas. É uma parceria bem proveitosa.

P – Você começou a carreira na tevê em “Meu Bem, Meu Mal”, de 90. Que balanço você faz de uma década de carreira?

R – O melhor possível. Foram 10 anos muito bem vividos. Em 89, cursava escola de teatro em São Paulo e, no ano seguinte, já estava no Rio fazendo novela. A tevê sempre abriu muitas portas para mim. Tive milhões de oportunidades de trabalho. Algumas boas, outras nem tanto. Mas adorei tudo o que fiz. Nem sempre, em termos de resultado. Às vezes, o resultado não corresponde às expectativas. Mas, de todos os trabalhos que fiz, não posso deixar de mencionar “O Rei do Gado” como o meu favorito. É daquelas novelas que você guarda no coração para a vida inteira. Gostei muito também de “Por Amor” e “Labirinto”

P – E do que você não gostou?
R – Para ser franco, nunca tive o azar de “entrar numa furada”. Sempre fui muito criterioso e pretendo continuar sendo. Por isso mesmo, nenhum trabalho me frustrou a ponto de eu reclamar: “Meu Deus, onde foi que eu errei?”. Às vezes, a linguagem não é tão boa quanto a história. Outras vezes, a história não é legal, mas o personagem que você interpreta é. Ou seja: todo e qualquer trabalho tem seus prós e contras.

P – Você chegou a sofrer preconceito no início de carreira?
R – Cheguei. As pessoas costumam achar que um ator tem de ser feio para ser talentoso. Você, então, começa a chamar a atenção pela beleza, não pelo trabalho. Mas existe preconceito também com o ator que é gay, com o filho do ator famoso e assim por diante. Quando comecei na Globo em “Meu Bem, Meu Mal”, já tinha cinco anos de teatro. Já tinha encenado Nelson Rodrigues e Plínio Marcos no teatro. Não quis fazer novela para abrir uma grife ou ficar rico. Quis fazer porque adoro a profissão.

P – Você se considera realizado profissionalmente?

R – Não sou rico. Vivo bem, com conforto. Não tenho qualquer investimento. Se parar de trabalhar, não tenho o que comer. Conquistei um nível de vida que todo mundo merece ter. Não acho que ganho mais do que mereço ou menos do que deveria. Para ser franco, se não pudesse atuar mais, ficaria extremamente infeliz.

Atividades paralelas

Há exatamente um ano, desde que “Força de Um Desejo” acabou, Fábio Assunção não aparece no vídeo.

Mesmo assim, ele não parou de trabalhar.

Em fevereiro, participou das filmagens de “Duas Vezes com Helena”, de Mauro Faria.

No filme, ele interpreta Polidoro, jovem estudante que é induzido pelo professor, vivido por Carlos Gregório, a trair a própria mulher, papel de Christine Fernandes.

Dois meses depois, dublou o simpático Aladar no filme “Dinossauros”, da Disney.

A atriz Malu Mader, que já trabalhou com Fábio em “Labirinto” e “Força de Um Desejo”, emprestou a voz a Neera. “Nem vi aquilo como trabalho. Vi como diversão mesmo!”, empolga-se.

Em junho, Fábio voltou a trabalhar com Malu em “Bellini e A Esfinge”, adaptação de Roberto Santucci para o livro de Toni Belloto, marido de Malu e guitarrista do Titãs.

No longa, o ator interpreta “um detetive com jeitinho brasileiro”. Paralelamente às filmagens, Fábio ensaiou também o espetáculo “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”, de Edward Albee. Apesar do corre-corre, ele adorou filmar nos lugares mais barra-pesada do Centro de São Paulo, como prostíbulos e delegacias.

Para o ator, o segredo da bem-sucedida parceria com Malu é o perfeccionismo. “Sempre trocamos informação e passamos os textos antes de gravar”, analisa.

Em 15 anos de carreira, Fábio já atuou nas mais diferentes áreas.

Embora tenha se tornado conhecido graças à imagem de galã da Globo, o ator declara verdadeira paixão pelo teatro. “No palco, não existe fórmula.

Você nunca sabe o que pode dar certo e o que pode dar errado”, reconhece.

Para ele, a tevê só não é perfeita porque o ritmo industrial não permite que o ator faça um trabalho minucioso gravando 20 cenas por dia.

Mesmo assim, ressalva que a capacidade de se comunicar com um público que não tem acesso ao cinema e ao teatro é a principal virtude da tevê. “Prefiro ter sucesso a ser famoso.

A fama tem um ‘quê’ de histeria. Já ter sucesso é ser reconhecido pelo talento”, diferencia.

Desprezo pela fama

Antes de se tornar ator, Fábio Assunção sonhou em fazer sucesso como “guitar hero” de uma banda de rock.

Aos 15 anos, já empunhava uma guitarra no grupo Delta T.

Só que os acordes estridentes produzidos pelo rapaz não eram encarados com bons olhos – e ouvidos – pela família. Encorajado pelos pais, trocou os ensaios de música pelas aulas de teatro.

Em pouco tempo, passou a cursar Artes Dramáticas na Faculdade de São Caetano do Sul, em São Paulo.

Não demorou para estrear como ator profissional na peça “Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, em 85. “O palco é onde me sinto mais à vontade.

Adoro conversar com a platéia antes de cada espetáculo”, conta.

Em 90, Fábio foi “descoberto” pela Globo e convidado para “Meu Bem, Meu Mal”, de Cassiano Gabus Mendes.

Apesar de pequeno, o papel de Marco Antônio levou o ator a encabeçar o musical “Blue Jeans”, de Wolf Maya.

Logo, Fábio passou a excursionar com o espetáculo pelo interior do país e a fazer bailes de debutantes em busca de uns trocados.

Por diversas vezes, Fábio Assunção teve de recorrer à escolta policial para fugir do assédio enlouquecido da multidão.

Com o tempo, o ator acabou percebendo que aquelas fãs não valorizavam o seu trabalho. Elas o viam apenas como um objeto em exposição. “Hoje, prefiro o assédio respeitoso àqueles puxões de cabelo”, raciocina.

Atualmente, Fábio leva uma vida quase monástica.

Avesso a badalações, detesta lugares públicos, com muita gente e confusão. Prefere ficar em casa, tocando o piano recém-comprado. “De vez em quando, também componho e escrevo algumas letras”, gaba-se.

Bem-humorado, Fábio não lembra da última vez que foi a um shopping.

O máximo que se permite é sair para jantar com a mulher, a modelo Priscila (hoje ex-mulher).

A mudança aparentemente radical aconteceu quando Fábio notou que tanta badalação só prejudicava o lado profissional. “Não estou condenando quem faz, mas chegou uma hora que decidi priorizar minha carreira de ator”, jura.

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

“ Os Maias”

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

Hotel Lawrence – entre finais do séc. XIX e princípios do séc. XX

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias
- A Lawrence onde é? Na serra? – perguntou ele com a ideia repentina de ficar ali um mês naquele paraíso. [...]
In Os Maias, 1888

Hotel Lawrence – Cintra
J. Barrera (fot.), Lisboa Artística e Industrial…, 1908, p. 48
BN E.A. 78 P.

HOTEL CENTRAL

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

Para os apreciadores de Eça de Queiroz, e em particular da sua sobejamente conhecida obra “Os Maias”, o jantar desta sessão de poesia revestiu-se de um sabor a fantasia, requinte e ficção.



O palco de toda a acção foi o Sintra Central Hotel (antigo Hotel Central), homónimo do Hotel Central (Cais do Sodré), elemento crucial na obra de Eça. De facto, em toda a narrativa de “Os Maias”, a refeição com maior relevo parece ser o jantar no Hotel Central, com a sua polivalência de fins, entre as quais, a de contribuir para o desenvolvimento da teia amorosa.

HOTEL CENTRAL

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

É no momento em que entram no Hotel que Carlos e Craft se deparam com a, então ainda desconhecida, Maria Eduarda, que passa por ambos antes destes jantarem. Mais tarde este “encontro” fugaz será sentido como um presságio vagueando pelas lembranças e fantasias de Carlos antes de adormecer nessa mesma noite.

“Uma mulher passava, com um casaco de veludo branco de Gênova, mais alta que uma criatura humana, caminhando sobre nuvens…”

Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queirós.

Posted in EÇA DE QUEIROZ, O RAMALHETE, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nota: Esta página é sobre a obra literária de título “Os Maias”. Se procura outros significados da mesma expressão, consulte Maias (desambiguação).
Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto.
Capa da primeira edição do volume I, em 1888

Capa da primeira edição do volume I, em 1888

Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queirós.

Índice

[esconder]

//

[editar] Resumo da obra

Info Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

Tudo começa no primeiro capítulo, quando se descreve a casa – “O ramalhete”- Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis, colocado onde deveria estar a pedra de armas.

“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na visinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janellas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar d’este fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma timida fila de janellinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de Residencia Ecclesiastica que competia a uma edificação do reinado da sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilhar-se-hia a um Collegio de Jesuitas. O nome de Ramalhete provinha de certo d’um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no logar heraldico do Escudo d’Armas, que nunca chegara a ser collocado, e representando um grande ramo de girasoes atado por uma fita onde se distinguiam letras e numeros d’uma data. Longos annos o Ramalhete permanecera deshabitado, com teias d’aranha pelas grades dos postigos terreos, e cobrindo-se de tons de ruina. Em 1858 Monsenhor Buccarini, Nuncio de S. Santidade, visitara-o com idéa d’installar lá a Nunciatura,(…)”

Os Maias (1888)

Afonso da Maia casou-se com Maria Eduarda Runa e do seu casamento resultou apenas um filho – Pedro da Maia. Pedro da Maia, que teve uma educação tipicamente romântica, era muito ligado à mãe e após a sua morte ficou inconsolável, tendo só recuperado quando conheceu uma mulher chamada Maria Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento resultaram dois filhos: Carlos Eduardo e Maria Eduarda. Algum tempo depois, Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (um italiano que Pedro fere acidentalmente e acolhe em sua casa) e foge com ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda. Quando sabe disto, Pedro, destroçado, vai com Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio. Carlos fica na casa do avô, onde é educado à inglesa (tal como Afonso gostaria que Pedro tivesse sido criado).

Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico – abre um consultório. Mais tarde conhece uma mulher no Hotel Central num jantar organizado por Ega (seu amigo dos tempos de Coimbra) em homenagem a Cohen. Essa mulher vem mais tarde saber chamar-se Maria Eduarda. Os dois apaixonam-se. Carlos crê que a sua irmã morreu. Maria Eduarda crê que apenas teve uma irmãzinha que morreu em Londres. Os dois namoram em segredo. Carlos acaba depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado – podiam ter-se zangado definitivamente. Guimarães vai falar com João de Ega, e dá-lhe uma caixa que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda. Aí Ega descobre tudo, conta a Vilaça (procurador da família Maia) e este acaba por contar a Carlos o incesto que anda a cometer. Afonso da Maia morre de desgosto. Há ainda a abordagem científica. O romance foi escrito numa altura em que as ciências floresciam. Eça joga nele com o peso da hereditariedade (Carlos teria herdado da avó paterna e do próprio pai o carácter fraco, e da mãe a tendência para o desequilíbrio amoroso), e da acção do meio envolvente sobre o indivíduo (Carlos fracassa, apesar de todas as condicionantes que tem a seu favor, porque o meio envolvente, a alta burguesia lisboeta, para tal o empurra). A psicologia dava os seus primeiros passos – é assim que Carlos, mesmo sabendo que a mulher que ama é sua irmã, não deixa de a desejar, uma vez que não basta que lhe digam que ela é sua irmã para que ele como tal a considere.

[editar] Lisboa do tempo dos Maias

Há em “Os Maias” um retrato da Lisboa da época. Quem conheça Lisboa pode espantar-se com o muito que as personagens andam a pé – Carlos, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha com frequência até ao Rossio (embora, por vezes, vá a cavalo ou de carruagem), coisa que, hoje, poucos lisboetas se disporão a fazer. Algumas das lojas citadas no livro ainda existem – a Casa Havaneza, no Chiado, por exemplo. É possível seguir os diferentes percursos de Carlos ou do Ega pelas ruas da Baixa lisboeta, ainda que algumas tenham mudado de nome. No final do livro, quando Carlos volta a Lisboa muitos anos depois, somos levados a ver as novidades – a Avenida da Liberdade, que substituiu o Passeio Público, e que é descrita como uma coisa nova, e feia pela sua novidade, exactamente como nos anos 70 se falava das casas de emigrante.

[editar] O Ramalhete

Habitado no Outono de 1875, o Ramalhete situava-se na Rua de São Francisco de Paula, Janelas Verdes, Lisboa. É portanto uma casa afastada do centro de Lisboa, na altura, num local elevado da cidade, no bairro onde hoje se situa o Museu Nacional de Arte Antiga.

O seu nome deriva do painel de azulejos com um ramo de girassóis pintados que se encontrava no lugar heráldio, ao invés do brasão de família. Estes girassóis não são desapropriados, pois simbolizam a ligação da família à terra, à agricultura.

Em Os Maias, o Ramalhete é visto em três perspectivas diferentes:

  • – Posto ao abandono
  • – Habitada por Carlos da Maia e o avô, depois de decorada por um inglês.
  • – Dez anos depois, posta novamente ao abandono, depois de ser habitada dois anos (2ª perspectiva)

Quatro elementos vão ser muito importantes na caracterização do edifício em cada uma das perspectivas. São eles um cipreste e um cedro, uma cascatazinha e uma estátua de Vénus Citereia.

[editar] Primeira perspectiva

Na primeira perspectiva o Ramalhete é descrito como um inútil pardieiro (palavras de Vilaça) e simples depósito das mobílias vindas dos palacetes de Benfica e Tojeira, vendidos recentemente (1870). Vilaça não concordava com a compra deste palacete, pois tinha sido em Benfica que Pedro da Maia se suicidara, para além de que aquela casa ser a ilustre morada da família.

Era um edifício de paredes severas. Tinha um terraço de tijolo e um pobre quintal inculto, onde envelheciam um cipreste e um cedro, permanecia uma cascatazinha seca e jazia a um canto uma estátua de Vénus Citereia. A descrição de cada um desses elementos, dá-nos a ideia de que este é um local votado ao abandono.

Um dos elementos principais na descrição do Ramalhete, é uma estátua de Vénus Citereia, identidade reconhecida por Monsenhor Buccarini, Núncio de Sua Santidade.

Um dos elementos principais na descrição do Ramalhete, é uma estátua de Vénus Citereia, identidade reconhecida por Monsenhor Buccarini, Núncio de Sua Santidade.

    • Vénus Citereia
“… enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens silvestres.”
Enegrecendo – O uso do gerúndio confere uma ideia de continuidade que já vem do passado.
Canto – Esta expressão reforça a ideia de abandono do local. Geralmente um canto é um local solitário e esquecido, ao passo que a estátua de Vénus acompanha o estado de abandono do edifício.
Lenta humidade – Esta expressão é uma marca do estilo pessoal do autor. O objectivo, ao trocar muito por lento, é realçar o passar dos anos, e não a quantidade de humidade.
    • Cascatazinha
“… uma cascatazinha seca
Cascatazinha seca – Este adjectivo simboliza a ausência de vida. O uso do diminutivo inclui na obra queiroziana, geralmente, uma caracterização depreciativa e irónica. No entanto, aqui o objectivo de Eça é dar a impressão de que é algo simples, singelo.
    • Cipreste e cedro
Simbolizam a morte, por associação do cipreste aos cemitérios, em Portugal.
Sem nenhuma descrição adicional.

[editar] Segunda perspectiva

Depois de decorado por um inglês o edifício tem agora um aspecto rejubilante, novo e limpo. Esta perspectiva simboliza o apogeu do Ramalhete. Entretanto, permanece ainda o estilo romântico, bucólico e um certo melancolismo dramático. Enquanto dois elementos nos levam para um ambiente próspero, outros dois, nomeadamente o cedro e o cipreste, continuam a ser um espectro da tragédia, pois são aqui descritos como dois amigos tristes.

A citação de Versalhes, de forma metafórica, descreve a resplandecência do edificio na segunda perspectiva, marca do apogeu da intriga principal.

A citação de Versalhes, de forma metafórica, descreve a resplandecência do edifício na segunda perspectiva, marca do apogeu da intriga principal.

    • Vénus Citereia
“… parecia ter chegado de Versalhes.”
Chegado de Versalhes – Esta metáfora simboliza o apogeu da estátua e, consequentemente das duas protagonistas das intrigas principal e secundária, Maria Eduarda e Maria Monforte, respectivamente. Só esta expressão bastaria para descrever o ambiente do Ramalhete durante a segunda perspectiva, pois dá conta da sua resplandecência.
    • Cascatazinha
“… uma delícia
Delícia – O que antes era uma cascatazinha seca, é descrita agora como uma delícia. Esta expressão simboliza a vida e alegria, assim como algo ternurento.
    • Cipreste e cedro
“… envelhecendo juntos como dois amigos tristes
Envelhecendo – Novamente o uso do gerúndio: acção contínua.
Amigos tristes – Esta comparação confere uma sensação de ambiguidade, dentro desta perspectiva, pois remete-nos para uma carga melancólica, ao passo que todos os outros elementos acompanham o aspecto novo e pleno de vida do edifício.

[editar] Terceira perspectiva

Na terceira perspectiva, a casa e o ambiente que a envolve que a caracteriza, torna a ser descrito de forma melodramática. Esta perspectiva é dada dez anos depois de Maria Eduarda e Carlos da Maia cometerem o incesto, período no qual ele torna a Lisboa, antes de partir para o Japão em viagem. Este último capítulo é aproveitado novamente para descrever Portugal, depois de dez anos, onde poucas mudanças se notavam. Com João da Ega, Carlos da Maia percorre os locais que havia frequentado, até chegar ao velho casarão de novo votado ao abandono, tal como o conheceram. Todos os elementos que habitualmente caracterizam o palacete nas outras duas perspectivas, vão voltar a transmitir o abandono e a melancolia daquele espaço.

    • Vénus Citereia
“… uma ferrugem verde, de humidade, cobria os grossos membros da Vénus Citereia.”
Grossos membros – Enquanto na primeira perspectiva, a que está mais próxima desta terceira, a estátua ainda parece conservar alguma da sua beleza, nesta descrição os seus membros são tratados como “grossos”, sinal da feiura a que o abandono a votou.
    • Cascatazinha
“… e mais lento corria o prantozinho da cascata.”
Prantozinho da cascata – Esta expressão significa que da cascata, que na segunda perspectiva, parecia uma delícia, escorriam agora lentas lágrimas.
    • Cipreste e Cedro
“… envelheciam juntos, como dois amigos num ermo.”
Como dois amigos num ermo – O uso da expressão ermo, invoca, mais que abandono, inexistência de vida, visto que, pelo significado, ermo é um campo deserto.

[editar] Resumo de Os Maias

A acção de “Os Maias” passa-se em Lisboa, na segunda metade do séc. XIX, e apresenta-nos a história de quatro gerações da família Maia. A acção inicia-se no Outono de 1875, quando Afonso da Maia, nobre e rico proprietário, se instala no Ramalhete com o neto recém formado em Medicina. Neste momento faz-se uma longa descrição da casa – “O Ramalhete”, cujo nome tem origem num painel de azulejos com um ramo de girassóis, e não em algo fresco ou campestre, tal como o nome nos remete a pensar. Afonso da Maia era o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais valorizou, pois não se lhe conhecem defeitos. É um homem de carácter, culto e requintado nos gostos. Em jovem aderiu aos ideais do Liberalismo e foi obrigado, por seu pai, a sair de casa e a instalar-se em Inglaterra. Após o pai falecer regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa, mas pouco tempo depois escolhe o exílio por razões de ordem política.

Fruto deste casamento resultou apenas um filho, Pedro da Maia, que apresentava um temperamento nervoso, fraco e de grande instabilidade emocional. Afonso desejaria educá-lo à inglesa, mas Maria Eduarda, católica fervorosa, cujo fanatismo mais se exacerba ao viver em Inglaterra, país protestante, não o consente e Pedro é educado por um padre mandado vir de Lisboa. Pedro cresce, muito ligado à mãe e após a sua morte, ficou inconsolável,tem crises de melancolia negra recuperando apenas quando conhece uma mulher, extraordinariamente bela e vistosa, chamada Maria Monforte. Enamora-se dela e, apesar do seu pai não concordar, casa com ela, o que o afasta do convívio do pai. O jovem casal parte para Itália e inicia uma vida faustosa. Nascem-lhes dois filhos: Maria Eduarda e Carlos Eduardo. Pouco depois do nascimento do segundo filho, Maria Monforte apaixona-se por um italino, visita da casa e, um dia, Pedro chega a casa e descobre que a mulher fugiu com o italiano, levando a filha. Desesperado, refugia-se em casa do pai, levando o filho, ainda bebé. Nessa mesma noite, depois de escrever ao pai uma longa carta, Pedro suicida-se com um tiro. Afonso da Maia dedica a sua vida ao neto a quem dá a educação inglesa, forte e austera, que em tempos sonhara para o filho.Num capítulo do livro essa educação, considerada a ideal, é contraposta à que umas vizinhas, as senhoras Silveiras dão ao filho e sobrinho Eusebiozinho. Passados alguns anos, Carlos contra a vontade de todos, excepto de seu avô, tornou-se médico (profissão que, ainda nos finais do século XIX, era considerada suja e indigna de um homem de bem) e acaba por montar um luxuoso consultório e até por mandar construir um laboratório, onde pretende dedicar-se à investigação). Após várias aventuras, um dia conhece uma mulher chamada Maria Eduarda e apaixona-se por ela, mas supõe-na casada com um cavalheiro brasileiro, Castro Gomes. Carlos e Maria tornam-se amantes. Carlos, com excepção da sua viagem no fim do curso, viveu sempre em Portugal, pensando que a sua irmã e a mãe morreram, e Maria Eduarda apenas se lembra de que teve uma irmãzinha, que morreu em Londres. Regressado a Lisboa e desagradado com os boatos de que a sua «mulher» seria amante de Carlos, Castro Gomes revela a esta que Maria não é a sua mulher mas apenas uma senhora a quem ele paga para viver consigo. É assim que Carlos descobre que Maria lhe mentiu sobre o seu passado. Ela conta-lhe o que sabe sobre a sua vida e ele perdoa-lhe. Resolvem fugir, mas vão adiando o projecto, pois Carlos receia magoar o avô. Este, já velho passa o tempo em conversas com os amigos, lendo, com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade de renovação do país. Afonso é generoso para com os amigos e os necessitados, ama a natureza e o que é pobre e fraco. Tem altos e firmes princípios morais. A verdade precipita-se quando um tio de um amigo de Carlos, absolutamente por acaso, revela a Ega, o grande amigo de Carlos, que Maria é irmã deste. Embora Ega seja cauteloso ao dar a notícia a Carlos, este tem um grande choque. No entanto, não consegue pensar em Maria como irmã e continua a ser seu amante. Ao descobrir a verdade, Afonso morre de uma apoplexia. Carlos e Maria separam-se. Carlos vai viver para Paris.

O romance termina quando Carlos, anos passados, regressa a Lisboa de visita. O final é ambíguo, como o foi a acção de Carlos e João da Ega ao longo da narrativa: embora ambos afirmem que “não vale a pena correr para nada” e que tudo na vida é ilusão e sofrimento, acabam por correr desesperadamente para apanhar um transporte público que os leve a um jantar para o qual estão atrasados.

[editar] Dados Técnicos

Os Maias foi publicada no Porto em 1888, em 2 volumes (um de 458 e outro de 532 páginas), pela Livraria Internacional de Ernesto Chardron. É considerada por muitos a melhor obra de sempre de Eça de Queirós.

[editar] A crítica social ou dos costumes

O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma «choldra ignóbil». Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as «civilizações superiores» – da França e Inglaterra, principalmente.

Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógradas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega…: lembre-se o que se passou no Sarau do Teatro da Trindade); os jornalistas boémios e venais (Palma…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia, são feias.

Para cúmulo de tudo isto, os protagonistas acabam «vencidos da vida». Apesar de ser isto referido no fim do livro, pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um “prato de paio com ervilhas”, ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano (eléctrico).

Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.

Quando o autor escreve mais tarde A Cidade e as Serras, expõe uma atitude muito mais construtiva: o protagonista regenera-se pela descoberta das raízes rurais ancestrais não atingidas pela degradação da civilização, num movimento inverso ao que predomina n’Os Maias.

[editar] O papel das mulheres na obra

Não só nos Maias mas também noutros livros de Eça de Queiroz, como o Primo Basílio e o Crime do Padre Amaro, as personagens femininas representam o pecado da luxúria, da perdição. Os historiadores tentam explicar este facto com base na rejeição materna que Eça sofreu.

Eça nasceu filho de uma relação não-marital. Embora os seus pais tivessem casado e tido mais filhos posteriormente, nunca o reconheceram como filho. Eça foi criado com a avó, depois com uma ama e, mais tarde num colégio. Os historiadores tentam estabelecer um paralelo entre o que a mãe de Eça representou para ele e a caracterização das mulheres na obra de Eça.

Em Os Maias, várias mulheres têm relações amorosas fora do casamento. A primeira é Maria Monforte, a Negreira, que foge com o napolitano Tancredo, levando consigo a filha e originando a intriga principal. Raquel Cohen não resiste aos encantos de Ega, e amantiza-se com ele, mesmo sendo casada. O mesmo acontece entre Carlos da Maia e condessa de Gouvarinho. Maria Eduarda não era casada, mas apresenta-se em Lisboa com o apelido do acompanhante, ao passo que toda a sociedade lisboeta pensasse que este fosse seu marido. Ainda assim (e, aos olhos de Carlos, casada) envolve-se num romance com Carlos, que os leva a cometer o incesto.

Todas são caracterizadas como seres fúteis e envoltas num ambiente de insatisfação [Maria Monforte (enquanto casada com Pedro da Maia), a Gouvarinho e Raquel Cohen] e mesmo de degradação (imagem que é dada de Maria Monforte no seu apartamento de Paris).

Ao passo que Maria Monforte e Maria Eduarda se inserem das tramas secundária e principal, respectivamente, as duas outras personagens são personagens-tipo, que caracterizam a sociedade e os costumes da época.

[editar] Personagens de Os Maias

Árvore genealógica da familia Maia.

Árvore genealógica da família Maia.

[editar] Intriga principal

[editar] Intriga secundária

[editar] Personagens secundárias

  • Afonso da Maia
  • Maria Eduarda Runa
  • Tomás de Alencar Tomás de Alencar não está directamente envolvido na intriga secundária (entre Pedro da Maia e Maria Monforte), mas a sua influência naquela família é grande, visto que é o melhor amigo de Pedro. Na obra, a família é sempre descrita como uma família que sabe receber bem, e Alencar teve sempre “o seu talher na mesa dos Maias”, o que faz com que seja quase considerado familiar.
  • João da Ega Ega equivale a Alencar, mas, desta feita, envolvido na intriga principal (entre Carlos e Maria Eduarda), gozando de semelhantes regalias em casa dos Maias, assim como da amabilidade de Afonso.

[editar] Personagens-tipo

[editar] Outros

Director do jornal “Corneta do Diabo”, o jornalismo corrupto. Surge sarcasticamente focado por Carlos e Ega e, em Sintra, faz-se acompanhar de Eusebiozinho e duas espanholas.

[editar] Lugares de Os Maias

[editar] Bibliografia académica sobre Os Maias

  • Resumo d’Os Maias
  • http://lithis.net/p.php?id=36 Resumo d´”Os Maias” e breve análise.
  • Alfredo Campos Matos,”Dicionário de Eça de Queiroz”, Caminho, 1988 dep. legal 24464/88.
  • Roger Bismut, “Os Maias: imitação flaubertiana, ou recriação?”, Colóquio/Letras, 69, 1982, pp. 20-28.
  • Maria Leonor Carvalhão Buescu, “O regresso ao ‘Ramalhete’” in Ensaios de literatura portuguesa, Lisboa, Editorial Presença, 1985, pp. 104-119.
  • Jacinto do Prado Coelho, “Para a compreensão d’Os Maias como um todo orgânico” in Ao contrário de Penélope, Lisboa, Bertrand, 1976, pp. 167-188.
  • Suely Fadul Flory, “O Ramalhete e o código mítico: uma leitura do espaço em Os Maias de Eça de Queirós” in Elza Miné e , Ed. Caminho, 1984, pp. 69-114.
  • António Coimbra Martins “O incesto d’Os Maias” in Ensaios queirosianos, Lisboa, Europa-América, 1967, pp. 269-287.
  • João Medina, “O ‘niilismo’ de Eça de Queiroz n’Os Maias”; “Ascenção e queda de Carlos da Maia” in Eça de Queiroz e a Geração de 70, Lisboa, Moraes Editores, 1980, pp. 73-81 e 83-86, respectivamente.
  • Jorge Vieira Pimentel, ” As metamorfoses do herói e as andanças do trágico em Os Maias de Eça”, Arquipélago, 1, Ponta Delgada, 1979, pp. 91-106.
  • Carlos Reis, Introdução à leitura d’”Os Maias”, 4ª ed., Coimbra, Almedina, 1982.
  • Carlos Reis, “Pluridiscursividade e representação ideológica n’Os Maias” in Leituras d’”Os Maias”, Coimbra, Liv. Minerva, 1990, pp. 71-89.
  • Carlos Reis, (coord.) Leituras d’”Os Maias”, Coimbra, Liv. Minerva, 1990.
  • Alberto Machado da Rosa, “Nova interpretação de Os Maias” in Eça, discípulo de Machado?, 2ª ed., Lisboa, Ed. Presença, 1979.
Wikisource
O Wikisource possui esta obra: Os Maias


Description

Árvore genealógica da família Maia de Os Maias de Eça de Queiroz.

Source

self-made

Date

13 de Abril de 2008

Author

Tiago Vasconcelos

Os Maias [Sintra]

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

Desta vez propomos-lhe uma viagem no tempo e na literatura portuguesa, com um interessante passeio por Sintra, com base na grande obra “Os Maias”, de Eça de Queirós. Para quem não sabe, a referida obra foi publicada em 1888 e uma pequena parte da acção passa-se em Sintra.

Em pleno séc. XIX, esta vila era, entre muitas coisas, ponto de encontro para os casais apaixonados, sobretudo aqueles que, segundo a mesma sociedade, não o deveriam ser. Falamos, claro, dos amores proibidos. Esta escolha por parte das pessoas, ficava a dever-se ao facto de Sintra ser, ao mesmo tempo, afastada e próxima de Lisboa. Ou seja, era suficientemente longe dos olhares críticos e,como a viagem não era muito longa, ficava perto da capital.

Propomos-lhe, então, que se ponha a caminho desta bela vila. Não o fará, certamente, de coche, como em pleno séc. XIX, mas tem de começar, exactamente, no local onde se inicia a passagem por Sintra, na obra “Os Maias”. Para começar, damos-lhe a coordenada do primeiro ponto. A partir daí, fica por sua conta. Ou seja, o melhor é levar um papel e uma caneta, pois vai precisar de fazer algumas contas. Para encontrar a coordenada do segundo ponto, tem de fazer contas com base nas coordenadas do primeiro ponto. Para encontrar as coordenadas do terceiro ponto, tem que fazer contas com base nas coordenadas achadas do segundo ponto e assim sucessivamente, até chegar à cache que está no último ponto.


1º PONTO

Para cá chegar ainda vai precisar de um meio de transporte.

N38º 47.339 W009º 22.488

«E, a passo, o breque foi penetrando sob as árvores do ????. Com a paz das grandes sombras, envolvia-os pouco a pouco uma lenta e embalada susurração de ramagens (…).» “Os Maias”

Repare no curioso monumento funerário que a voz popular designa como Túmulo dos Dois Irmãos. Segundo a lenda, estão aí sepultados dois irmãos, tendo um deles, sem o saber e movido por ciúmes, assassinado o outro, suicidando-se a seguir, depois de conhecer a identidade da vítima. Mas a realidade parece ser bem diferente: a abertura do túmulo, em 1830, a mando de D.Manuel revelou a existência de apenas um corpo que, segundo as teses mais plausíveis, embora ainda incomprovadas, trata-se de D. Luís Coutinho, bispo de Viseu, mais tarde de Lisboa, que teria falecido em Sintra, vítima de lepra, em meados do séc. XV.

É de referir, ainda, que o túmulo se encontrava, inicialmente, no cemitério, local que hoje é ocupado pelo campo de futebol. Optamos por este monumento por mero interesse, pois o mesmo não é referido na obra.

Para chegar ao ponto seguinte, precisa de fazer algumas contas:

Coordenada N – Divida por quatro a data em que o monumento foi restaurado. Ao total some 22. Some o resultado obtido à cordenada N do primeiro ponto.

Coordenada W – Pegue no último algarismo da data e divida-o pelo nº de irmãos. Some 1000. Pegue no total e some à coordenada W do primeiro ponto.

Se chegou até à vila de carro, recomendamos que o estacione, e que faça o percurso a pé.


2º PONTO

Se fez bem as contas, chegou a um hotel que nem sempre teve o nome que tem hoje. Até 1977, aqui funcionava o Hotel Nunes, um dos três hoteis onde os apaixonados se hospedavam. Um era o Hotel Victor, que já não existe, e o outro, que ainda existe, não lhe podemos dizer já o nome, pois vai até lá no 5º ponto

«- Nós não vamos para (…) – disse Carlos, saindo bruscamente do seu silêncio e espertando os cavalos.

- Vamos para o Nunes, estamos lá melhor!» “Os Maias”

Quer continuar? Se respondeu afirmativamente, mais contas terá de fazer. De frente para a porta principal:

Coordenada N – Retire à coordenada N do primeiro ponto, metade das estrelas.

Coordenada W – Multiplique por dois o nº de varandas, ao qual deve somar o nº de lâmpadas que estão por baixo do telheiro e, de seguida, retirar o nº de hastes das bandeiras. Pegue no total e diminua à coordenada W do primeiro ponto.


3º PONTO

Depois de ler o excerto que se segue, certamente, irá perceber se acertou nas contas, pois é fácil perceber a que monumento é que Cruges de refere.

«E foi o que mais lhe (Cruges) agradou – este maciço e silencioso ???, sem florões e sem torres, patriarcalmente assentado entre o casario da vila, com as suas belas janelas manuelinas que lhe fazem um nobre semblante real (…).» “Os Maias”

Se estiver de frente para uma fonte, é bom sinal, pois está no bom caminho.

Coordenada N – Multiplique por sete o nº de saídas de água da fonte e retire o valor que obteu, à coordenada N do terceiro ponto.

Coordenada W – Multiplique o nº de arcos pelo nº de candeeiros que estão pendurados no tecto para lá dos arcos. Multiplique o total por dois e some o resultado à coordenada W do terceiro ponto.


4º PONTO

«Na praça, por defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol. Através das grades da cadeia, os presos pediam esmolas (…).» “Os Maias”

Não vai acreditar, mas se fez bem as contas, está de frente para a antiga Cadeia da Comarca. O edifício foi erguido no séc. XIX, para instalar os condenados da região saloia. No entanto, o facto dos presos incomodarem os transeuntes com palavras e gestos desagradáveis, fez com que a população da vila se manifestasse contra a sua localização e pedissem a sua transferência para uma zona mais isolada. E assim aconteceu. Em 1911 inicia-se a adaptação do edifício para o que hoje aí funciona. Não quer desistir, pois não? Então siga as nossas indicações.

De frente para as portas:

Coordenada N – Multiplique por dois o nº da porta impar, ao valor obtido some o nº de arcos mais o nº de círculos em pedra. Retire o valor obtido à cordenada N do quarto ponto.

Coordenada W – Some as duas portas pares e multiplique por dois. Pegue no total e some duas vezes o nº de quadrados em pedra. Some o total à coordenada W do quarto ponto.


5º PONTO

>

«- ??? onde é? Na serra? – perguntou ele, (Cruges) com a ideia repentina de ficar ali um mês naquele paraíso.» “Os Maias”

Se tudo estiver a correr bem, está perante o hotel mais antigo da Península Ibérica. Nascido em 1764 com o actual nome, transformou-se em Hospedaria Inglesa em 1850. Foi depois vendido ao Srº Miguel Gallway que aumentou o edifício para, em 1900, alugar uma parte para ser usada como pastelaria, onde se fabricaram os primeiros pastéis de feijão. Em 1935 foi comprado por uma senhora checoslovaca que abriu o hotel em 1949 como Estalagem dos Cavaleiros, que viria a encerrar em 1961. Em 1989 é adquirido pela família holandesa Bos e reerguido até à presente data para mais uma vez se chamar ????.

Para avançar, mais contas tem de fazer:

Coordenada N – O que é que costuma haver em cima dos telhados? Chaminés! Procure uma, com uma data. Pegue no terceiro algarismo e multiplique-o pelo último algarismo. Ao total obtido tire o número formado pelos dois primeiros algarismos. Pegue no total obtido e some à coordenada N do quinto ponto.

Coordenada W – Os três últimos algarismos da data formam um número. Divida-o por três. Ao total, some 58. Ao valor obtido some a coordenada W do quinto ponto.

CURIOSIDADE: Antes de avançar, dê uma vista de olhos para o pequeno quintal que está do outro lado da estrada e que tem o nº 23. Se olhar bem, ainda consegue ver algumas argolas, em ferro, numa das paredes interiores. Era neste espaço que ficavam os burros que antigamente transportavam os turistas até ao castelo.


6º PONTO

«Eram duas horas quando os dois amigos saíam enfim do hotel, a fazer esse passeio a ???? – que desde Lisboa tentava tanto o maestro.» “Os Maias”

Não desista…Está quase a chegar ao fim. Agora, deve estar perante um majestoso edifício, construído no último quartel do séc. XVIII por Daniel Gildemeester, então consul da Holanda em Portugal. Nos finais desse século, foi vendido ao Marquês de Marialva, D. Diogo Vito, que acrescentou, à primitiva construção, o corpo do lado nascente e o majestoso arco triunfal, encimado pelo brasão real e um medalhão que contém as efiges de D. João VI e D. Carlota Joaquina.

Pois é, que pena…estas são as últimas contas que precisa de fazer para chegar à cache:

Coordenada N – Multiplique o nº de estrelas pelo nº de candeeiros que vê na fachada principal. Pegue no total e multiplique-o pelo nº de efíges que estão no medalhão do arco. Ao total obtido some 11. Pegue no valor obtido e diminua da coordenada N do sexto ponto.

Coordenada W – Multiplique o nº de estrelas pelo nº de candeeiros que vê na fachada principal. Pegue no total e some o nº que associamos ao azar. Pegue no total e diminua da coordenada W do sexto ponto.


ÚLTIMO PONTO – CACHE

Agora é só procurar. Damos-lhe uma pista: quando o muro do lado norte deixa de ser liso.

Conseguiu? Parabéns! Esperemos que tenha gostado deste passeio. Agora, recomendamos que regresse à vila e restabeleça a energia perdida, saboreando os deliciosos travesseiros de Sintra.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.