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Hotel Lawrence – entre finais do séc. XIX e princípios do séc. XX

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- A Lawrence onde é? Na serra? – perguntou ele com a ideia repentina de ficar ali um mês naquele paraíso. [...]
In Os Maias, 1888

Hotel Lawrence – Cintra
J. Barrera (fot.), Lisboa Artística e Industrial…, 1908, p. 48
BN E.A. 78 P.

HOTEL CENTRAL

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Para os apreciadores de Eça de Queiroz, e em particular da sua sobejamente conhecida obra “Os Maias”, o jantar desta sessão de poesia revestiu-se de um sabor a fantasia, requinte e ficção.



O palco de toda a acção foi o Sintra Central Hotel (antigo Hotel Central), homónimo do Hotel Central (Cais do Sodré), elemento crucial na obra de Eça. De facto, em toda a narrativa de “Os Maias”, a refeição com maior relevo parece ser o jantar no Hotel Central, com a sua polivalência de fins, entre as quais, a de contribuir para o desenvolvimento da teia amorosa.

HOTEL CENTRAL

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É no momento em que entram no Hotel que Carlos e Craft se deparam com a, então ainda desconhecida, Maria Eduarda, que passa por ambos antes destes jantarem. Mais tarde este “encontro” fugaz será sentido como um presságio vagueando pelas lembranças e fantasias de Carlos antes de adormecer nessa mesma noite.

“Uma mulher passava, com um casaco de veludo branco de Gênova, mais alta que uma criatura humana, caminhando sobre nuvens…”

Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queirós.

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Capa da primeira edição do volume I, em 1888

Capa da primeira edição do volume I, em 1888

Os Maias é uma das obras mais conhecidas do escritor português Eça de Queirós.

Índice

[esconder]

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[editar] Resumo da obra

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Tudo começa no primeiro capítulo, quando se descreve a casa – “O ramalhete”- Lisboa, mas que nada tem de fresco ou de campestre. O nome vem-lhe de um painel de azulejos com um ramo de girassóis, colocado onde deveria estar a pedra de armas.

“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na visinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janellas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar d’este fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma timida fila de janellinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de Residencia Ecclesiastica que competia a uma edificação do reinado da sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilhar-se-hia a um Collegio de Jesuitas. O nome de Ramalhete provinha de certo d’um revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no logar heraldico do Escudo d’Armas, que nunca chegara a ser collocado, e representando um grande ramo de girasoes atado por uma fita onde se distinguiam letras e numeros d’uma data. Longos annos o Ramalhete permanecera deshabitado, com teias d’aranha pelas grades dos postigos terreos, e cobrindo-se de tons de ruina. Em 1858 Monsenhor Buccarini, Nuncio de S. Santidade, visitara-o com idéa d’installar lá a Nunciatura,(…)”

Os Maias (1888)

Afonso da Maia casou-se com Maria Eduarda Runa e do seu casamento resultou apenas um filho – Pedro da Maia. Pedro da Maia, que teve uma educação tipicamente romântica, era muito ligado à mãe e após a sua morte ficou inconsolável, tendo só recuperado quando conheceu uma mulher chamada Maria Monforte, com quem casou, apesar de Afonso não concordar. Deste casamento resultaram dois filhos: Carlos Eduardo e Maria Eduarda. Algum tempo depois, Maria Monforte apaixona-se por Tancredo (um italiano que Pedro fere acidentalmente e acolhe em sua casa) e foge com ele para Itália, levando consigo a filha, Maria Eduarda. Quando sabe disto, Pedro, destroçado, vai com Carlos para casa de Afonso, onde comete suicídio. Carlos fica na casa do avô, onde é educado à inglesa (tal como Afonso gostaria que Pedro tivesse sido criado).

Passam-se alguns anos e Carlos torna-se médico – abre um consultório. Mais tarde conhece uma mulher no Hotel Central num jantar organizado por Ega (seu amigo dos tempos de Coimbra) em homenagem a Cohen. Essa mulher vem mais tarde saber chamar-se Maria Eduarda. Os dois apaixonam-se. Carlos crê que a sua irmã morreu. Maria Eduarda crê que apenas teve uma irmãzinha que morreu em Londres. Os dois namoram em segredo. Carlos acaba depois por descobrir que Maria lhe mentiu sobre o seu passado – podiam ter-se zangado definitivamente. Guimarães vai falar com João de Ega, e dá-lhe uma caixa que diz ser para Carlos ou para a sua irmã Maria Eduarda. Aí Ega descobre tudo, conta a Vilaça (procurador da família Maia) e este acaba por contar a Carlos o incesto que anda a cometer. Afonso da Maia morre de desgosto. Há ainda a abordagem científica. O romance foi escrito numa altura em que as ciências floresciam. Eça joga nele com o peso da hereditariedade (Carlos teria herdado da avó paterna e do próprio pai o carácter fraco, e da mãe a tendência para o desequilíbrio amoroso), e da acção do meio envolvente sobre o indivíduo (Carlos fracassa, apesar de todas as condicionantes que tem a seu favor, porque o meio envolvente, a alta burguesia lisboeta, para tal o empurra). A psicologia dava os seus primeiros passos – é assim que Carlos, mesmo sabendo que a mulher que ama é sua irmã, não deixa de a desejar, uma vez que não basta que lhe digam que ela é sua irmã para que ele como tal a considere.

[editar] Lisboa do tempo dos Maias

Há em “Os Maias” um retrato da Lisboa da época. Quem conheça Lisboa pode espantar-se com o muito que as personagens andam a pé – Carlos, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha com frequência até ao Rossio (embora, por vezes, vá a cavalo ou de carruagem), coisa que, hoje, poucos lisboetas se disporão a fazer. Algumas das lojas citadas no livro ainda existem – a Casa Havaneza, no Chiado, por exemplo. É possível seguir os diferentes percursos de Carlos ou do Ega pelas ruas da Baixa lisboeta, ainda que algumas tenham mudado de nome. No final do livro, quando Carlos volta a Lisboa muitos anos depois, somos levados a ver as novidades – a Avenida da Liberdade, que substituiu o Passeio Público, e que é descrita como uma coisa nova, e feia pela sua novidade, exactamente como nos anos 70 se falava das casas de emigrante.

[editar] O Ramalhete

Habitado no Outono de 1875, o Ramalhete situava-se na Rua de São Francisco de Paula, Janelas Verdes, Lisboa. É portanto uma casa afastada do centro de Lisboa, na altura, num local elevado da cidade, no bairro onde hoje se situa o Museu Nacional de Arte Antiga.

O seu nome deriva do painel de azulejos com um ramo de girassóis pintados que se encontrava no lugar heráldio, ao invés do brasão de família. Estes girassóis não são desapropriados, pois simbolizam a ligação da família à terra, à agricultura.

Em Os Maias, o Ramalhete é visto em três perspectivas diferentes:

  • – Posto ao abandono
  • – Habitada por Carlos da Maia e o avô, depois de decorada por um inglês.
  • – Dez anos depois, posta novamente ao abandono, depois de ser habitada dois anos (2ª perspectiva)

Quatro elementos vão ser muito importantes na caracterização do edifício em cada uma das perspectivas. São eles um cipreste e um cedro, uma cascatazinha e uma estátua de Vénus Citereia.

[editar] Primeira perspectiva

Na primeira perspectiva o Ramalhete é descrito como um inútil pardieiro (palavras de Vilaça) e simples depósito das mobílias vindas dos palacetes de Benfica e Tojeira, vendidos recentemente (1870). Vilaça não concordava com a compra deste palacete, pois tinha sido em Benfica que Pedro da Maia se suicidara, para além de que aquela casa ser a ilustre morada da família.

Era um edifício de paredes severas. Tinha um terraço de tijolo e um pobre quintal inculto, onde envelheciam um cipreste e um cedro, permanecia uma cascatazinha seca e jazia a um canto uma estátua de Vénus Citereia. A descrição de cada um desses elementos, dá-nos a ideia de que este é um local votado ao abandono.

Um dos elementos principais na descrição do Ramalhete, é uma estátua de Vénus Citereia, identidade reconhecida por Monsenhor Buccarini, Núncio de Sua Santidade.

Um dos elementos principais na descrição do Ramalhete, é uma estátua de Vénus Citereia, identidade reconhecida por Monsenhor Buccarini, Núncio de Sua Santidade.

    • Vénus Citereia
“… enegrecendo a um canto na lenta humidade das ramagens silvestres.”
Enegrecendo – O uso do gerúndio confere uma ideia de continuidade que já vem do passado.
Canto – Esta expressão reforça a ideia de abandono do local. Geralmente um canto é um local solitário e esquecido, ao passo que a estátua de Vénus acompanha o estado de abandono do edifício.
Lenta humidade – Esta expressão é uma marca do estilo pessoal do autor. O objectivo, ao trocar muito por lento, é realçar o passar dos anos, e não a quantidade de humidade.
    • Cascatazinha
“… uma cascatazinha seca
Cascatazinha seca – Este adjectivo simboliza a ausência de vida. O uso do diminutivo inclui na obra queiroziana, geralmente, uma caracterização depreciativa e irónica. No entanto, aqui o objectivo de Eça é dar a impressão de que é algo simples, singelo.
    • Cipreste e cedro
Simbolizam a morte, por associação do cipreste aos cemitérios, em Portugal.
Sem nenhuma descrição adicional.

[editar] Segunda perspectiva

Depois de decorado por um inglês o edifício tem agora um aspecto rejubilante, novo e limpo. Esta perspectiva simboliza o apogeu do Ramalhete. Entretanto, permanece ainda o estilo romântico, bucólico e um certo melancolismo dramático. Enquanto dois elementos nos levam para um ambiente próspero, outros dois, nomeadamente o cedro e o cipreste, continuam a ser um espectro da tragédia, pois são aqui descritos como dois amigos tristes.

A citação de Versalhes, de forma metafórica, descreve a resplandecência do edificio na segunda perspectiva, marca do apogeu da intriga principal.

A citação de Versalhes, de forma metafórica, descreve a resplandecência do edifício na segunda perspectiva, marca do apogeu da intriga principal.

    • Vénus Citereia
“… parecia ter chegado de Versalhes.”
Chegado de Versalhes – Esta metáfora simboliza o apogeu da estátua e, consequentemente das duas protagonistas das intrigas principal e secundária, Maria Eduarda e Maria Monforte, respectivamente. Só esta expressão bastaria para descrever o ambiente do Ramalhete durante a segunda perspectiva, pois dá conta da sua resplandecência.
    • Cascatazinha
“… uma delícia
Delícia – O que antes era uma cascatazinha seca, é descrita agora como uma delícia. Esta expressão simboliza a vida e alegria, assim como algo ternurento.
    • Cipreste e cedro
“… envelhecendo juntos como dois amigos tristes
Envelhecendo – Novamente o uso do gerúndio: acção contínua.
Amigos tristes – Esta comparação confere uma sensação de ambiguidade, dentro desta perspectiva, pois remete-nos para uma carga melancólica, ao passo que todos os outros elementos acompanham o aspecto novo e pleno de vida do edifício.

[editar] Terceira perspectiva

Na terceira perspectiva, a casa e o ambiente que a envolve que a caracteriza, torna a ser descrito de forma melodramática. Esta perspectiva é dada dez anos depois de Maria Eduarda e Carlos da Maia cometerem o incesto, período no qual ele torna a Lisboa, antes de partir para o Japão em viagem. Este último capítulo é aproveitado novamente para descrever Portugal, depois de dez anos, onde poucas mudanças se notavam. Com João da Ega, Carlos da Maia percorre os locais que havia frequentado, até chegar ao velho casarão de novo votado ao abandono, tal como o conheceram. Todos os elementos que habitualmente caracterizam o palacete nas outras duas perspectivas, vão voltar a transmitir o abandono e a melancolia daquele espaço.

    • Vénus Citereia
“… uma ferrugem verde, de humidade, cobria os grossos membros da Vénus Citereia.”
Grossos membros – Enquanto na primeira perspectiva, a que está mais próxima desta terceira, a estátua ainda parece conservar alguma da sua beleza, nesta descrição os seus membros são tratados como “grossos”, sinal da feiura a que o abandono a votou.
    • Cascatazinha
“… e mais lento corria o prantozinho da cascata.”
Prantozinho da cascata – Esta expressão significa que da cascata, que na segunda perspectiva, parecia uma delícia, escorriam agora lentas lágrimas.
    • Cipreste e Cedro
“… envelheciam juntos, como dois amigos num ermo.”
Como dois amigos num ermo – O uso da expressão ermo, invoca, mais que abandono, inexistência de vida, visto que, pelo significado, ermo é um campo deserto.

[editar] Resumo de Os Maias

A acção de “Os Maias” passa-se em Lisboa, na segunda metade do séc. XIX, e apresenta-nos a história de quatro gerações da família Maia. A acção inicia-se no Outono de 1875, quando Afonso da Maia, nobre e rico proprietário, se instala no Ramalhete com o neto recém formado em Medicina. Neste momento faz-se uma longa descrição da casa – “O Ramalhete”, cujo nome tem origem num painel de azulejos com um ramo de girassóis, e não em algo fresco ou campestre, tal como o nome nos remete a pensar. Afonso da Maia era o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais valorizou, pois não se lhe conhecem defeitos. É um homem de carácter, culto e requintado nos gostos. Em jovem aderiu aos ideais do Liberalismo e foi obrigado, por seu pai, a sair de casa e a instalar-se em Inglaterra. Após o pai falecer regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa, mas pouco tempo depois escolhe o exílio por razões de ordem política.

Fruto deste casamento resultou apenas um filho, Pedro da Maia, que apresentava um temperamento nervoso, fraco e de grande instabilidade emocional. Afonso desejaria educá-lo à inglesa, mas Maria Eduarda, católica fervorosa, cujo fanatismo mais se exacerba ao viver em Inglaterra, país protestante, não o consente e Pedro é educado por um padre mandado vir de Lisboa. Pedro cresce, muito ligado à mãe e após a sua morte, ficou inconsolável,tem crises de melancolia negra recuperando apenas quando conhece uma mulher, extraordinariamente bela e vistosa, chamada Maria Monforte. Enamora-se dela e, apesar do seu pai não concordar, casa com ela, o que o afasta do convívio do pai. O jovem casal parte para Itália e inicia uma vida faustosa. Nascem-lhes dois filhos: Maria Eduarda e Carlos Eduardo. Pouco depois do nascimento do segundo filho, Maria Monforte apaixona-se por um italino, visita da casa e, um dia, Pedro chega a casa e descobre que a mulher fugiu com o italiano, levando a filha. Desesperado, refugia-se em casa do pai, levando o filho, ainda bebé. Nessa mesma noite, depois de escrever ao pai uma longa carta, Pedro suicida-se com um tiro. Afonso da Maia dedica a sua vida ao neto a quem dá a educação inglesa, forte e austera, que em tempos sonhara para o filho.Num capítulo do livro essa educação, considerada a ideal, é contraposta à que umas vizinhas, as senhoras Silveiras dão ao filho e sobrinho Eusebiozinho. Passados alguns anos, Carlos contra a vontade de todos, excepto de seu avô, tornou-se médico (profissão que, ainda nos finais do século XIX, era considerada suja e indigna de um homem de bem) e acaba por montar um luxuoso consultório e até por mandar construir um laboratório, onde pretende dedicar-se à investigação). Após várias aventuras, um dia conhece uma mulher chamada Maria Eduarda e apaixona-se por ela, mas supõe-na casada com um cavalheiro brasileiro, Castro Gomes. Carlos e Maria tornam-se amantes. Carlos, com excepção da sua viagem no fim do curso, viveu sempre em Portugal, pensando que a sua irmã e a mãe morreram, e Maria Eduarda apenas se lembra de que teve uma irmãzinha, que morreu em Londres. Regressado a Lisboa e desagradado com os boatos de que a sua «mulher» seria amante de Carlos, Castro Gomes revela a esta que Maria não é a sua mulher mas apenas uma senhora a quem ele paga para viver consigo. É assim que Carlos descobre que Maria lhe mentiu sobre o seu passado. Ela conta-lhe o que sabe sobre a sua vida e ele perdoa-lhe. Resolvem fugir, mas vão adiando o projecto, pois Carlos receia magoar o avô. Este, já velho passa o tempo em conversas com os amigos, lendo, com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade de renovação do país. Afonso é generoso para com os amigos e os necessitados, ama a natureza e o que é pobre e fraco. Tem altos e firmes princípios morais. A verdade precipita-se quando um tio de um amigo de Carlos, absolutamente por acaso, revela a Ega, o grande amigo de Carlos, que Maria é irmã deste. Embora Ega seja cauteloso ao dar a notícia a Carlos, este tem um grande choque. No entanto, não consegue pensar em Maria como irmã e continua a ser seu amante. Ao descobrir a verdade, Afonso morre de uma apoplexia. Carlos e Maria separam-se. Carlos vai viver para Paris.

O romance termina quando Carlos, anos passados, regressa a Lisboa de visita. O final é ambíguo, como o foi a acção de Carlos e João da Ega ao longo da narrativa: embora ambos afirmem que “não vale a pena correr para nada” e que tudo na vida é ilusão e sofrimento, acabam por correr desesperadamente para apanhar um transporte público que os leve a um jantar para o qual estão atrasados.

[editar] Dados Técnicos

Os Maias foi publicada no Porto em 1888, em 2 volumes (um de 458 e outro de 532 páginas), pela Livraria Internacional de Ernesto Chardron. É considerada por muitos a melhor obra de sempre de Eça de Queirós.

[editar] A crítica social ou dos costumes

O romance veicula sobre o país uma perspectiva muito derrotista, muito pessimista. Tirando a natureza (o Tejo, Sintra, Santa Olávia…), é tudo uma «choldra ignóbil». Predomina uma visão de estrangeirado, de quem só valoriza as «civilizações superiores» – da França e Inglaterra, principalmente.

Os políticos são mesquinhos, ignorantes ou corruptos (Gouvarinho, Sousa Neto…); os homens das Letras são boémios e dissolutos, retrógradas ou distantes da realidade concreta (Alencar, Ega…: lembre-se o que se passou no Sarau do Teatro da Trindade); os jornalistas boémios e venais (Palma…); os homens do desporto não conseguem organizar uma corrida de cavalos, pois não há hipódromo à altura, nem cavalos, nem cavaleiros, as pessoas não vestem como o evento exigia, são feias.

Para cúmulo de tudo isto, os protagonistas acabam «vencidos da vida». Apesar de ser isto referido no fim do livro, pode-se ver que ainda há alguma esperança implícita, nas passagens em que Carlos da Maia e João da Ega dizem que o apetite humano é a causa de todos os seus problemas e que portanto nunca mais terão apetites, mas logo a seguir dizem que lhes está a apetecer um “prato de paio com ervilhas”, ou quando dizem que a pressa não leva a nada e que a vida deve ser levada com calma mas começam a correr para apanhar o americano (eléctrico).

Mais do que crítica de costumes, o romance mostra-nos um país – sobretudo Lisboa – que se dissolve, incapaz de se regenerar.

Quando o autor escreve mais tarde A Cidade e as Serras, expõe uma atitude muito mais construtiva: o protagonista regenera-se pela descoberta das raízes rurais ancestrais não atingidas pela degradação da civilização, num movimento inverso ao que predomina n’Os Maias.

[editar] O papel das mulheres na obra

Não só nos Maias mas também noutros livros de Eça de Queiroz, como o Primo Basílio e o Crime do Padre Amaro, as personagens femininas representam o pecado da luxúria, da perdição. Os historiadores tentam explicar este facto com base na rejeição materna que Eça sofreu.

Eça nasceu filho de uma relação não-marital. Embora os seus pais tivessem casado e tido mais filhos posteriormente, nunca o reconheceram como filho. Eça foi criado com a avó, depois com uma ama e, mais tarde num colégio. Os historiadores tentam estabelecer um paralelo entre o que a mãe de Eça representou para ele e a caracterização das mulheres na obra de Eça.

Em Os Maias, várias mulheres têm relações amorosas fora do casamento. A primeira é Maria Monforte, a Negreira, que foge com o napolitano Tancredo, levando consigo a filha e originando a intriga principal. Raquel Cohen não resiste aos encantos de Ega, e amantiza-se com ele, mesmo sendo casada. O mesmo acontece entre Carlos da Maia e condessa de Gouvarinho. Maria Eduarda não era casada, mas apresenta-se em Lisboa com o apelido do acompanhante, ao passo que toda a sociedade lisboeta pensasse que este fosse seu marido. Ainda assim (e, aos olhos de Carlos, casada) envolve-se num romance com Carlos, que os leva a cometer o incesto.

Todas são caracterizadas como seres fúteis e envoltas num ambiente de insatisfação [Maria Monforte (enquanto casada com Pedro da Maia), a Gouvarinho e Raquel Cohen] e mesmo de degradação (imagem que é dada de Maria Monforte no seu apartamento de Paris).

Ao passo que Maria Monforte e Maria Eduarda se inserem das tramas secundária e principal, respectivamente, as duas outras personagens são personagens-tipo, que caracterizam a sociedade e os costumes da época.

[editar] Personagens de Os Maias

Árvore genealógica da familia Maia.

Árvore genealógica da família Maia.

[editar] Intriga principal

[editar] Intriga secundária

[editar] Personagens secundárias

  • Afonso da Maia
  • Maria Eduarda Runa
  • Tomás de Alencar Tomás de Alencar não está directamente envolvido na intriga secundária (entre Pedro da Maia e Maria Monforte), mas a sua influência naquela família é grande, visto que é o melhor amigo de Pedro. Na obra, a família é sempre descrita como uma família que sabe receber bem, e Alencar teve sempre “o seu talher na mesa dos Maias”, o que faz com que seja quase considerado familiar.
  • João da Ega Ega equivale a Alencar, mas, desta feita, envolvido na intriga principal (entre Carlos e Maria Eduarda), gozando de semelhantes regalias em casa dos Maias, assim como da amabilidade de Afonso.

[editar] Personagens-tipo

[editar] Outros

Director do jornal “Corneta do Diabo”, o jornalismo corrupto. Surge sarcasticamente focado por Carlos e Ega e, em Sintra, faz-se acompanhar de Eusebiozinho e duas espanholas.

[editar] Lugares de Os Maias

[editar] Bibliografia académica sobre Os Maias

  • Resumo d’Os Maias
  • http://lithis.net/p.php?id=36 Resumo d´”Os Maias” e breve análise.
  • Alfredo Campos Matos,”Dicionário de Eça de Queiroz”, Caminho, 1988 dep. legal 24464/88.
  • Roger Bismut, “Os Maias: imitação flaubertiana, ou recriação?”, Colóquio/Letras, 69, 1982, pp. 20-28.
  • Maria Leonor Carvalhão Buescu, “O regresso ao ‘Ramalhete'” in Ensaios de literatura portuguesa, Lisboa, Editorial Presença, 1985, pp. 104-119.
  • Jacinto do Prado Coelho, “Para a compreensão d’Os Maias como um todo orgânico” in Ao contrário de Penélope, Lisboa, Bertrand, 1976, pp. 167-188.
  • Suely Fadul Flory, “O Ramalhete e o código mítico: uma leitura do espaço em Os Maias de Eça de Queirós” in Elza Miné e , Ed. Caminho, 1984, pp. 69-114.
  • António Coimbra Martins “O incesto d’Os Maias” in Ensaios queirosianos, Lisboa, Europa-América, 1967, pp. 269-287.
  • João Medina, “O ‘niilismo’ de Eça de Queiroz n’Os Maias”; “Ascenção e queda de Carlos da Maia” in Eça de Queiroz e a Geração de 70, Lisboa, Moraes Editores, 1980, pp. 73-81 e 83-86, respectivamente.
  • Jorge Vieira Pimentel, ” As metamorfoses do herói e as andanças do trágico em Os Maias de Eça”, Arquipélago, 1, Ponta Delgada, 1979, pp. 91-106.
  • Carlos Reis, Introdução à leitura d'”Os Maias”, 4ª ed., Coimbra, Almedina, 1982.
  • Carlos Reis, “Pluridiscursividade e representação ideológica n’Os Maias” in Leituras d'”Os Maias”, Coimbra, Liv. Minerva, 1990, pp. 71-89.
  • Carlos Reis, (coord.) Leituras d'”Os Maias”, Coimbra, Liv. Minerva, 1990.
  • Alberto Machado da Rosa, “Nova interpretação de Os Maias” in Eça, discípulo de Machado?, 2ª ed., Lisboa, Ed. Presença, 1979.
Wikisource
O Wikisource possui esta obra: Os Maias


Description

Árvore genealógica da família Maia de Os Maias de Eça de Queiroz.

Source

self-made

Date

13 de Abril de 2008

Author

Tiago Vasconcelos

Os Maias [Sintra]

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias

Desta vez propomos-lhe uma viagem no tempo e na literatura portuguesa, com um interessante passeio por Sintra, com base na grande obra “Os Maias”, de Eça de Queirós. Para quem não sabe, a referida obra foi publicada em 1888 e uma pequena parte da acção passa-se em Sintra.

Em pleno séc. XIX, esta vila era, entre muitas coisas, ponto de encontro para os casais apaixonados, sobretudo aqueles que, segundo a mesma sociedade, não o deveriam ser. Falamos, claro, dos amores proibidos. Esta escolha por parte das pessoas, ficava a dever-se ao facto de Sintra ser, ao mesmo tempo, afastada e próxima de Lisboa. Ou seja, era suficientemente longe dos olhares críticos e,como a viagem não era muito longa, ficava perto da capital.

Propomos-lhe, então, que se ponha a caminho desta bela vila. Não o fará, certamente, de coche, como em pleno séc. XIX, mas tem de começar, exactamente, no local onde se inicia a passagem por Sintra, na obra “Os Maias”. Para começar, damos-lhe a coordenada do primeiro ponto. A partir daí, fica por sua conta. Ou seja, o melhor é levar um papel e uma caneta, pois vai precisar de fazer algumas contas. Para encontrar a coordenada do segundo ponto, tem de fazer contas com base nas coordenadas do primeiro ponto. Para encontrar as coordenadas do terceiro ponto, tem que fazer contas com base nas coordenadas achadas do segundo ponto e assim sucessivamente, até chegar à cache que está no último ponto.


1º PONTO

Para cá chegar ainda vai precisar de um meio de transporte.

N38º 47.339 W009º 22.488

«E, a passo, o breque foi penetrando sob as árvores do ????. Com a paz das grandes sombras, envolvia-os pouco a pouco uma lenta e embalada susurração de ramagens (…).» “Os Maias”

Repare no curioso monumento funerário que a voz popular designa como Túmulo dos Dois Irmãos. Segundo a lenda, estão aí sepultados dois irmãos, tendo um deles, sem o saber e movido por ciúmes, assassinado o outro, suicidando-se a seguir, depois de conhecer a identidade da vítima. Mas a realidade parece ser bem diferente: a abertura do túmulo, em 1830, a mando de D.Manuel revelou a existência de apenas um corpo que, segundo as teses mais plausíveis, embora ainda incomprovadas, trata-se de D. Luís Coutinho, bispo de Viseu, mais tarde de Lisboa, que teria falecido em Sintra, vítima de lepra, em meados do séc. XV.

É de referir, ainda, que o túmulo se encontrava, inicialmente, no cemitério, local que hoje é ocupado pelo campo de futebol. Optamos por este monumento por mero interesse, pois o mesmo não é referido na obra.

Para chegar ao ponto seguinte, precisa de fazer algumas contas:

Coordenada N – Divida por quatro a data em que o monumento foi restaurado. Ao total some 22. Some o resultado obtido à cordenada N do primeiro ponto.

Coordenada W – Pegue no último algarismo da data e divida-o pelo nº de irmãos. Some 1000. Pegue no total e some à coordenada W do primeiro ponto.

Se chegou até à vila de carro, recomendamos que o estacione, e que faça o percurso a pé.


2º PONTO

Se fez bem as contas, chegou a um hotel que nem sempre teve o nome que tem hoje. Até 1977, aqui funcionava o Hotel Nunes, um dos três hoteis onde os apaixonados se hospedavam. Um era o Hotel Victor, que já não existe, e o outro, que ainda existe, não lhe podemos dizer já o nome, pois vai até lá no 5º ponto

«- Nós não vamos para (…) – disse Carlos, saindo bruscamente do seu silêncio e espertando os cavalos.

- Vamos para o Nunes, estamos lá melhor!» “Os Maias”

Quer continuar? Se respondeu afirmativamente, mais contas terá de fazer. De frente para a porta principal:

Coordenada N – Retire à coordenada N do primeiro ponto, metade das estrelas.

Coordenada W – Multiplique por dois o nº de varandas, ao qual deve somar o nº de lâmpadas que estão por baixo do telheiro e, de seguida, retirar o nº de hastes das bandeiras. Pegue no total e diminua à coordenada W do primeiro ponto.


3º PONTO

Depois de ler o excerto que se segue, certamente, irá perceber se acertou nas contas, pois é fácil perceber a que monumento é que Cruges de refere.

«E foi o que mais lhe (Cruges) agradou – este maciço e silencioso ???, sem florões e sem torres, patriarcalmente assentado entre o casario da vila, com as suas belas janelas manuelinas que lhe fazem um nobre semblante real (…).» “Os Maias”

Se estiver de frente para uma fonte, é bom sinal, pois está no bom caminho.

Coordenada N – Multiplique por sete o nº de saídas de água da fonte e retire o valor que obteu, à coordenada N do terceiro ponto.

Coordenada W – Multiplique o nº de arcos pelo nº de candeeiros que estão pendurados no tecto para lá dos arcos. Multiplique o total por dois e some o resultado à coordenada W do terceiro ponto.


4º PONTO

«Na praça, por defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol. Através das grades da cadeia, os presos pediam esmolas (…).» “Os Maias”

Não vai acreditar, mas se fez bem as contas, está de frente para a antiga Cadeia da Comarca. O edifício foi erguido no séc. XIX, para instalar os condenados da região saloia. No entanto, o facto dos presos incomodarem os transeuntes com palavras e gestos desagradáveis, fez com que a população da vila se manifestasse contra a sua localização e pedissem a sua transferência para uma zona mais isolada. E assim aconteceu. Em 1911 inicia-se a adaptação do edifício para o que hoje aí funciona. Não quer desistir, pois não? Então siga as nossas indicações.

De frente para as portas:

Coordenada N – Multiplique por dois o nº da porta impar, ao valor obtido some o nº de arcos mais o nº de círculos em pedra. Retire o valor obtido à cordenada N do quarto ponto.

Coordenada W – Some as duas portas pares e multiplique por dois. Pegue no total e some duas vezes o nº de quadrados em pedra. Some o total à coordenada W do quarto ponto.


5º PONTO

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«- ??? onde é? Na serra? – perguntou ele, (Cruges) com a ideia repentina de ficar ali um mês naquele paraíso.» “Os Maias”

Se tudo estiver a correr bem, está perante o hotel mais antigo da Península Ibérica. Nascido em 1764 com o actual nome, transformou-se em Hospedaria Inglesa em 1850. Foi depois vendido ao Srº Miguel Gallway que aumentou o edifício para, em 1900, alugar uma parte para ser usada como pastelaria, onde se fabricaram os primeiros pastéis de feijão. Em 1935 foi comprado por uma senhora checoslovaca que abriu o hotel em 1949 como Estalagem dos Cavaleiros, que viria a encerrar em 1961. Em 1989 é adquirido pela família holandesa Bos e reerguido até à presente data para mais uma vez se chamar ????.

Para avançar, mais contas tem de fazer:

Coordenada N – O que é que costuma haver em cima dos telhados? Chaminés! Procure uma, com uma data. Pegue no terceiro algarismo e multiplique-o pelo último algarismo. Ao total obtido tire o número formado pelos dois primeiros algarismos. Pegue no total obtido e some à coordenada N do quinto ponto.

Coordenada W – Os três últimos algarismos da data formam um número. Divida-o por três. Ao total, some 58. Ao valor obtido some a coordenada W do quinto ponto.

CURIOSIDADE: Antes de avançar, dê uma vista de olhos para o pequeno quintal que está do outro lado da estrada e que tem o nº 23. Se olhar bem, ainda consegue ver algumas argolas, em ferro, numa das paredes interiores. Era neste espaço que ficavam os burros que antigamente transportavam os turistas até ao castelo.


6º PONTO

«Eram duas horas quando os dois amigos saíam enfim do hotel, a fazer esse passeio a ???? – que desde Lisboa tentava tanto o maestro.» “Os Maias”

Não desista…Está quase a chegar ao fim. Agora, deve estar perante um majestoso edifício, construído no último quartel do séc. XVIII por Daniel Gildemeester, então consul da Holanda em Portugal. Nos finais desse século, foi vendido ao Marquês de Marialva, D. Diogo Vito, que acrescentou, à primitiva construção, o corpo do lado nascente e o majestoso arco triunfal, encimado pelo brasão real e um medalhão que contém as efiges de D. João VI e D. Carlota Joaquina.

Pois é, que pena…estas são as últimas contas que precisa de fazer para chegar à cache:

Coordenada N – Multiplique o nº de estrelas pelo nº de candeeiros que vê na fachada principal. Pegue no total e multiplique-o pelo nº de efíges que estão no medalhão do arco. Ao total obtido some 11. Pegue no valor obtido e diminua da coordenada N do sexto ponto.

Coordenada W – Multiplique o nº de estrelas pelo nº de candeeiros que vê na fachada principal. Pegue no total e some o nº que associamos ao azar. Pegue no total e diminua da coordenada W do sexto ponto.


ÚLTIMO PONTO – CACHE

Agora é só procurar. Damos-lhe uma pista: quando o muro do lado norte deixa de ser liso.

Conseguiu? Parabéns! Esperemos que tenha gostado deste passeio. Agora, recomendamos que regresse à vila e restabeleça a energia perdida, saboreando os deliciosos travesseiros de Sintra.

Eça de Queiróz

Posted in EÇA DE QUEIROZ, OS MAIAS IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias


di Salvatore Statello

(Il Faro, n° 17/20, 2000)

Cento anni fa, il 15 agosto 1900, moriva a Parigi José Maria Eça de Queirós. Era nato nel 1845 a Pavoa de Varzim (un paese sopra Oporto). Figlio di magistrato, dopo gli studi in legge e i primi tentativi di lavoro nella pubblica amministrazione e nell’avvocatura, ha intrapreso la carriera diplomatica. È stato console a Cuba, New Castel, Bristol e infine a Parigi, dove si è spento.

Durante il periodo universitario a Coimbra, partecipò attivamente alle lotte studentesche contro il romanticismo ormai agonizzante. Lo stesso Eça tenne una conferenza nel casinò della città sull’affermazione del realismo come nuova espressione d’arte. I nuovi modelli, presi dalla cultura francese e inglese, erano Nerval, Hugo, Heine, Zola, Poe, Swift, Dickens e Flaubert. Condusse una vita da “dandy” e viaggiò anche nel Medio Oriente, proprio per assistere all’inaugurazione dell’apertura del canale di Suez.

Aveva collaborato a vari periodici, ma la sua affermazione avvenne nel 1875 con la pubblicazione di La colpa di don Amaro. Una prosa mai vista prima in Portogallo. Con una tagliente ironia, “la santa ironia”, smaschera i vizi del mondo bigotto che ruota attorno alla chiesa di un paesino di provincia. Successivamente è stata la volta de: Il cugino Basilio, Il mandarino, La reliquia, I Maia, L’illustre casata dei Ramires (tutte opere già tradotte in italiano, presenti nella vecchia collana della BUR).

Anche grazie al fatto di vivere lontano dal proprio paese, per impegni di lavoro, lo scrittore poté vedere con un certo distacco la realtà portoghese e, quindi, sferzarne i costumi. Nelle sue opere, non lasciò niente d’inesplorato. Dai vizi della chiesa all’incesto, dalla piccolezza morale dei grandi uomini illustri allo squallore della infedeltà coniugale e dei ricatti, dalla vita di provincia a quella della metropoli, rendendosi conto dell’abisso fra la concezione di un ideale infinito e il limite e la meschinità di questo mondo angusto e circoscritto.

La morte, per tubercolosi, lo colse mentre curava la pubblicazione di La città e le montagne: una specie di testamento/riconciliazione con la madrepatria. Dopo una critica serrata alla tecnologia di allora, all’amata/odiata città, questa volta Parigi, capitale della fatuità, il protagonista ritrova la gioia e la forza di vivere nella semplicità e nella pace delle montagne della sua fanciullezza.

Tante altre opere sono state pubblicate postume.

La grandezza di Eça de Queirós, forse ha subito il destino della sua patria, cioè quello di restare ai margini dell’Europa e, nel suo caso, sconosciuto a favore di altri scrittori le cui nazioni si sono imposte per importanza anche a livello politico. Già lo stesso Zola aveva detto: “I Portoghesi hanno un grande scrittore, quale la Francia ne conta ben pochi: Eça de Queirós”. Forse con la nuova concezione di Europa, anche alcuni grandi scrittori, rimasti conosciuti soltanto a pochi, appartenenti a nazioni che, per importanza ed intrighi politici, hanno avuto una storia ai margini di quella europea, s’imporranno all’attenzione di un pubblico sempre più vasto.

EÇA DE QUEIROZ (CARICATURA)

Posted in EÇA DE QUEIROZ, IMAGENS on 9 de Maio de 2008 by os.maias


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